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<channel><title><![CDATA[Escarlate :: Arte na USP - Literatura]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/literatura.html]]></link><description><![CDATA[Literatura]]></description><pubDate>Sat, 28 Jan 2012 10:40:00 -0800</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Caminhos do romance]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/05/caminhos-do-romance.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/05/caminhos-do-romance.html#comments]]></comments><pubDate>Thu, 20 May 2010 16:58:00 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/05/caminhos-do-romance.html</guid><description><![CDATA[Por Marina PastoreA história de um gênero em permanente transformaçã [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><a href="mailto:ni.pastore@gmail.com">Por Marina Pastore</a></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/1139004.jpg?348" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:0;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">A hist&oacute;ria de um g&ecirc;nero em permanente transforma&ccedil;&atilde;o</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">Pense nos seus dez livros preferidos. Pensou? Ok, agora pense na forma de cada um deles. Talvez voc&ecirc; tenha se lembrado de um ou dois livros de poesia, algum de contos ou cr&ocirc;nicas, talvez um livro de arte, um de hist&oacute;ria (ou at&eacute; f&iacute;sica, matem&aacute;tica... nunca se sabe). Mas tenho certeza de que pelo menos metade da sua lista &eacute; feita de <strong style="mso-bidi-font-weight:normal">romances</strong>.<br /><br />  O romance tende a ocupar um lugar preponderante nas nossas vidas de leitores. Mas, por mais familiar que esse formato nos pare&ccedil;a, seu destaque no universo liter&aacute;rio &eacute; algo novo em termos hist&oacute;ricos. Em curso oferecido pelo Centro Universit&aacute;rio Maria Antonia (CEUMA), Samuel Titan Jr., professor do Departamento de Teoria Liter&aacute;ria da FFLCH, se prop&otilde;e justamente a tra&ccedil;ar uma trajet&oacute;ria do romance desde seu surgimento at&eacute; a conquista de seu papel central como g&ecirc;nero liter&aacute;rio.<br /></div><span  style=" position: relative; z-index: 10; float: left; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/1752685.gif?169" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;">A saber, o primeiro romance</div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; display: block; ">Samuel destaca que o romance &eacute; o &uacute;nico entre os grandes g&ecirc;neros que n&atilde;o tem origem na Antiguidade: &ldquo;N&atilde;o h&aacute; nenhum g&ecirc;nero liter&aacute;rio grego ou latino de&nbsp;<strong>fic&ccedil;&atilde;o extensa em prosa</strong>, que &eacute; o que define o romance&rdquo;. Afinal, a grande tradi&ccedil;&atilde;o narrativa antiga &eacute; composta em versos, tendo sua express&atilde;o m&aacute;xima no poema &eacute;pico, como a <em>Il&iacute;ada</em>, a <em>Odiss&eacute;ia</em> e a <em>Eneida</em>.<br /><br />O primeiro romance s&oacute; vai surgir em 1554, ano da edi&ccedil;&atilde;o mais antiga de que se tem not&iacute;cia do <strong style="mso-bidi-font-weight:normal"><em style="mso-bidi-font-style:normal">Lazarillo de Tormes</em></strong>, narrativa em prosa sobre as desventuras de um garoto pobre que tenta ganhar a vida. O <em style="mso-bidi-font-style:normal">Lazarillo </em>&eacute; considerado um romance por unir prosa e fic&ccedil;&atilde;o de forma at&eacute; ent&atilde;o in&eacute;dita na literatura ocidental. Em primeira pessoa, o protagonista &ndash; &ldquo;despido de qualquer valor &eacute;tico digno de emula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, nas palavras do professor &ndash; narra retrospectivamente o curso de sua pr&oacute;pria vida. Nesta pequena descri&ccedil;&atilde;o j&aacute; se encontram duas diferen&ccedil;as importantes em rela&ccedil;&atilde;o ao poema &eacute;pico: o personagem n&atilde;o encarna os valores fundamentais de uma comunidade, como Ulisses ou Aquiles; al&eacute;m disso, os poemas &eacute;picos eram sempre narrados em terceira pessoa, expondo a experi&ecirc;ncia de um grande her&oacute;i n&atilde;o a partir da mem&oacute;ria de quem conta, mas de um saber superior ditado pelas musas.</div><hr  style=" clear: both; width: 100%; visibility: hidden; "></hr><span  style=" float: right; z-index: 10; position: relative; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/9224766.jpg?208" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 0px; border-width:0;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;">Desencontro c&ocirc;mico de desejo e realidade</div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; display: block; ">Outro marco importante est&aacute; nos anos de 1605 e 1615, quando foram publicadas as duas partes de <strong style="mso-bidi-font-weight:normal"><em style="mso-bidi-font-style: normal">D. Quixote de La  Mancha<span style="font-weight:normal;font-style:normal">. O</span><span style="font-weight:normal;font-style:normal"> her&oacute;i aqui se apresenta como encarna&ccedil;&atilde;o do ideal de outra &eacute;poca, num &ldquo;div&oacute;rcio completo entre os valores que gostaria de viver e a cartilha que o resto do mundo est&aacute; seguindo&rdquo;, segundo Samuel. Este conflito entre personagem e mundo acabaria se tornando uma caracter&iacute;stica definidora n&atilde;o apenas do </span></em></strong><em style="mso-bidi-font-style:normal">Quixote</em>, mas de todo o romance como g&ecirc;nero.<span style="mso-spacerun:yes">&nbsp; </span><br /><br />  N&atilde;o s&oacute; o espa&ccedil;o da narrativa, mas tamb&eacute;m o tempo se aproxima da experi&ecirc;ncia do leitor, sendo, de alguma forma, <strong style="mso-bidi-font-weight:normal">mais acess&iacute;vel</strong> do que a antiguidade remota de uma epop&eacute;ia grega ou romana. O nome do g&ecirc;nero em outros idiomas j&aacute; &eacute; revelador desta caracter&iacute;stica: <em style="mso-bidi-font-style: normal">novel</em> em ingl&ecirc;s, <em style="mso-bidi-font-style:normal">novela</em> em espanhol, sempre remetendo ao fato de que o romance narra algo de <strong style="mso-bidi-font-weight:normal">novo</strong>, algo que aconteceu h&aacute; pouco tempo. "No s&eacute;culo XIX o romance chegou a competir com o pr&oacute;prio jornal", conta o palestrante.</div><hr  style=" width: 100%; clear: both; visibility: hidden; "></hr><span  style=" position: relative; z-index: 10; float: left; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/2287405.jpg?200" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;">Tristram Shandy: inova&ccedil;&atilde;o na forma</div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; display: block; ">&Eacute; bom lembrar que a vis&atilde;o do&nbsp;<em>Quixote</em>&nbsp;como um cl&aacute;ssico da literatura, para n&oacute;s t&atilde;o familiar, &eacute; relativamente recente. Cervantes escreveu esta obra por divers&atilde;o, ao mesmo tempo em que trabalhava outros g&ecirc;neros como a poesia, a trag&eacute;dia e a com&eacute;dia, por considerar que o romance n&atilde;o tinha valor, em conson&acirc;ncia com a cr&iacute;tica de seu tempo. J&aacute; que a trag&eacute;dia era vista como o mais nobre dos g&ecirc;neros, as caracter&iacute;sticas peculiares do romance faziam dele um&nbsp;<strong>g&ecirc;nero menor</strong>. &ldquo;Na &eacute;poca, se imaginava que s&oacute; escrevia romance quem n&atilde;o tinha f&ocirc;lego para escrever trag&eacute;dias ou capacidade para ser historiador&rdquo;.<br /><br />A vis&atilde;o do romance como g&ecirc;nero desprez&iacute;vel em termos morais e est&eacute;ticos prevaleceu at&eacute; o in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX. Samuel explica a ascens&atilde;o do romance em termos mercadol&oacute;gicos: &ldquo;O romance &eacute; um dos &uacute;nicos g&ecirc;neros que nasceu depois da inven&ccedil;&atilde;o da imprensa. A batalha contra os cr&iacute;ticos come&ccedil;ou a ser vencida no <strong style="mso-bidi-font-weight:normal">mercado liter&aacute;rio</strong>: mais e mais leitores responderam ao apelo do romance&rdquo;.</div><hr  style=" visibility: hidden; width: 100%; clear: both; "></hr><span  style=" float: right; position: relative; z-index: 10; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/854960.jpg?234" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 0px; border-width:1px;padding:3px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;">Com&eacute;dia Humana de Balzac: &uacute;ltimo tema</div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; display: block; ">O sucesso deste g&ecirc;nero se deu tamb&eacute;m pela forma como ele se constituiu dentro do contexto liter&aacute;rio. &ldquo;O romance n&atilde;o deu um golpe de Estado. Ele n&atilde;o se coroou como o mais nobre dos g&ecirc;neros. Ele foi aos poucos canibalizando todos os outros g&ecirc;neros, imitando, parodiando, incluindo em si mesmo tra&ccedil;os dos g&ecirc;neros vizinhos, minando o sistema de valores liter&aacute;rios. &Eacute; um g&ecirc;nero on&iacute;voro: se alimenta de tudo no mundo e tamb&eacute;m de todos os outros g&ecirc;neros. Contra isso n&atilde;o h&aacute; rem&eacute;dio&rdquo;. A partir da&iacute;, o romance substituiu a hierarquia que colocava a trag&eacute;dia como g&ecirc;nero mais nobre, no qual os demais se espelhavam, por um sistema horizontal, que prevalece at&eacute; hoje. Esta nova rela&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e&nbsp;<strong>di&aacute;logos e trocas</strong>&nbsp;entre os g&ecirc;neros, que passam a se metamorfosear continuamente uns nos outros.<br /><br />Se voc&ecirc; gostou do tema,<strong style="mso-bidi-font-weight:normal"> ainda d&aacute; tempo! </strong>Samuel j&aacute; ofereceu tr&ecirc;s das quatro palestras do curso: a primeira, sobre o surgimento e expans&atilde;o do romance; a segunda, sobre Cervantes; a terceira, sobre o romance ingl&ecirc;s do s&eacute;culo XVIII. A &uacute;ltima acontece na <strong>pr&oacute;xima quarta, dia 26 de maio</strong>, e tem como tema o <strong style="mso-bidi-font-weight:normal">romance franc&ecirc;s do s&eacute;culo XIX</strong>. Se voc&ecirc; prefere participar de um ciclo completo, o CEUMA ainda vai oferecer muitos ao longo do ano, como parte de um projeto maior sobre formas liter&aacute;rias. Em junho, o tema ser&aacute; o ensaio; em julho, os di&aacute;rios de viagem; em agosto, o conto; em setembro, vem a segunda parte do ciclo sobre o romance, que vai abordar este g&ecirc;nero desde o s&eacute;culo XIX at&eacute; hoje.</div><hr  style=" width: 100%; clear: both; visibility: hidden; "></hr>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Livros, filmes & borboletas pretas]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/05/livros-filmes-borboletas-pretas.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/05/livros-filmes-borboletas-pretas.html#comments]]></comments><pubDate>Wed, 05 May 2010 22:37:19 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/05/livros-filmes-borboletas-pretas.html</guid><description><![CDATA[Por L&iacute;via FurtadoUntitled Document [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><a href="mailto:livia@revistaescarlate.com">Por L&iacute;via Furtado</a></div><div ><div id="982277590616976024" align="center" style="width: 100%; overflow-y: hidden;"><!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-transitional.dtd"><html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><head><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1" /><title>Untitled Document</title></head><body><object data="http://boos.audioboo.fm/swf/fullsize_player.swf" height="129" id="iefix1" type="application/x-shockwave-flash" width="400"><param name="movie" value="http://boos.audioboo.fm/swf/fullsize_player.swf" /><param name="scale" value="noscale" /><param name="salign" value="lt" /><param name="bgColor" value="#FFFFFF" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="wmode" value="window" /><param name="FlashVars" value="mp3Author=escarlate&amp;mp3LinkURL=http%3A%2F%2Faudioboo.fm%2Fboos%2F124571-memorias-postumas&amp;mp3Title=Mem%C3%B3rias+P%C3%B3stumas&amp;mp3Time=11.26pm+05+May+2010&amp;mp3=http%3A%2F%2Faudioboo.fm%2Fboos%2F124571-memorias-postumas.mp3" /><a href="http://audioboo.fm/boos/124571-memorias-postumas.mp3">Listen!</a></object></body></html></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: left; ">Seu livro preferido vai virar filme. As personagens, os cen&aacute;rios, as vozes, tudo tomar&aacute; forma e voc&ecirc; espera que seja do jeito que voc&ecirc; imagina. Muitas vezes, isso n&atilde;o acontece, o que n&atilde;o &eacute; necessariamente ruim.<span style="mso-spacerun:yes">&nbsp; </span>Assim como pode acontecer e, <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/03/05/excesso-de-fidelidade-gibi-atrapalha-watchmen-754704292.asp" target="_blank">exatamente por isso</a>, pecar. &ldquo;Taxativo&rdquo; &eacute; uma palavra que n&atilde;o combina com arte.<br /><br />  Quando gostamos demais de uma obra, &eacute; normal que se fa&ccedil;a uma compara&ccedil;&atilde;o &ldquo;plana&rdquo; entre o original can&ocirc;nico e a adapta&ccedil;&atilde;o. &Eacute; melhor, &eacute; pior, um &ldquo;estragou&rdquo; o outro. N&atilde;o gostamos porque muitas cenas foram cortadas, adaptadas, as personagens <a href="http://www.cineseries.com.br/noticias-series/the-vampire-diaries/nina-dobrev-e-critivada-pelos-fas-de-the-vampire-diaries-por-nao-ser-loira" target="_blank">n&atilde;o s&atilde;o como imagin&aacute;vamos fisicamente</a>. <br /><br />  Mas o que &eacute; que Machado tem a ver com tudo isso?&nbsp;</div><div ><div style="text-align: center;"><a href='http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/4124497_orig.jpg?417' rel='lightbox' onclick='if (!lightboxLoaded) return false'><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/4124497.jpg?417" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:0;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;"></div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: left; ">A hist&oacute;ria come&ccedil;a mesmo com um cartaz no ponto de &ocirc;nibus. Festival de Cinema. Curioso. Alguns dias depois, pessoas se re&uacute;nem na porta da sala 266 da faculdade de Letras. As chaves chegam junto com a professora respons&aacute;vel pelo evento, Aparecida de F&aacute;tima Bueno, e os mais ou menos 15 presentes entram. Mirella Soares, aluna do 3&ordm; ano de Letras, conta que hoje vieram mais pessoas que o costume - a debatedora convidada, Cilaine Alves Cunha, atraiu parte do p&uacute;blico. A professora d&aacute; aulas na faculdade e &eacute; especialista em Machado de Assis.<br /><br />O filme do dia &eacute; <em>Mem&oacute;rias P&oacute;stumas</em> (2001), de Andr&eacute; Klotzel. A obra faz parte do projeto de cultura e extens&atilde;o<strong> Literatura, Cinema e Cultura nos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa</strong>, do qual Mirella &eacute; monitora. Nascido de discuss&otilde;es dentro de um grupo de pesquisa sobre literatura e cinema, tomou a forma de um festival. S&atilde;o passadas adapta&ccedil;&otilde;es f&iacute;lmicas de obras de Machado de Assis e E&ccedil;a de Queir&oacute;s, e o objetivo &eacute; fomentar o debate sobre as adapta&ccedil;&otilde;es para tentar fugir daquele equ&iacute;voco da compara&ccedil;&atilde;o chapada.&nbsp;</div><span  style=" float: left; position: relative; z-index: 10; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/1284063.jpg?189" style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; border-width:0;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -0px; margin-bottom: 0px; text-align: center;">&Uacute;ltimo filme ser&aacute; em 23/6</div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: left; display: block; ">&Eacute; preciso ver o filme originado de livro como <em style="mso-bidi-font-style: normal">outra</em> obra.<span style="mso-spacerun:yes">&nbsp; </span>N&atilde;o s&oacute; a linguagem, mas tamb&eacute;m a concep&ccedil;&atilde;o do trabalho &eacute; diferente. A quem &eacute; destinado, em que contexto hist&oacute;rico e social &eacute; produzido. S&atilde;o <em style="mso-bidi-font-style: normal">pessoas </em>diferentes em <em style="mso-bidi-font-style:normal">&eacute;pocas </em>diferentes com <em style="mso-bidi-font-style:normal">inten&ccedil;&otilde;es enunciativas</em> diferentes. O autor muda, e a autoria &eacute; o que d&aacute; for&ccedil;a &agrave; obra. <br /><br />A jornalista Mariana Duccini, cujo doutorado em curso na ECA trata da autoria no cinema document&aacute;rio, comenta: &ldquo;O filme n&atilde;o vai ser igual o livro, e &eacute; <em style="mso-bidi-font-style:normal">bom</em> que ele n&atilde;o seja. Isso quer dizer que h&aacute; espa&ccedil;o para que o autor crie, deixe sua marca. Se fosse para copiar o que j&aacute; existe, n&atilde;o precisava ser feito.&rdquo;&nbsp;<br /><br />Ela cita como exemplo <em>Robinson Cruso&eacute;</em>, de Luis Bu&ntilde;uel: parece claro que a motiva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era ser fiel ao livro, mas sim partir dele para algo mais. Desse modo, a adapta&ccedil;&atilde;o tem que ser vista sem preconceitos, de olhos abertos.<span style="mso-spacerun:yes">&nbsp;&nbsp;</span><br /></div><hr  style=" width: 100%; visibility: hidden; clear: both; "></hr><span  style=" z-index: 10; position: relative; float: right; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/9826543.jpg?187" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 15px; margin-right: 0px; border-width:0;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;">Bu&ntilde;uel cria hist&oacute;ria mais 'latina'</div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: left; display: block; ">O sentido da arte &eacute; sempre reconstru&iacute;do. No debate p&oacute;s-exibi&ccedil;&atilde;o, percebe-se isso. A presen&ccedil;a da debatedora ajuda: ela inicia a conversa ap&oacute;s o filme e incentiva as outras pessoas a exporem sua opini&atilde;o. Todas convergem para um ponto &ndash; Klotzel n&atilde;o ousou.&nbsp;<br /><br />O filme parece tentar ser bem fiel ao <a href="http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/brascubas.pdf" target="_blank">romance hom&ocirc;nimo</a>: mant&eacute;m a estrutura narrativa do &ldquo;defunto narrador&rdquo;, as personagens, a ordem dos acontecimentos. Mas falha. O &ldquo;eu&rdquo; morto &eacute; separado do vivo, enquanto essencialmente, no romance, est&atilde;o ligados. Personagens aparecem sem contexto, como o negro Prud&ecirc;ncio: no come&ccedil;o do filme, Br&aacute;s Cubas crian&ccedil;a aparece &ldquo;montado&rdquo; nele. Mas n&atilde;o h&aacute; a cena essencial de cr&iacute;tica &agrave; escravid&atilde;o, quando Prud&ecirc;ncio, liberto, aparece dono de escravos.<br /><br />  A maior falta, por&eacute;m, &eacute; da ironia machadiana, que critica e matiza - falta a ess&ecirc;ncia da obra inspiradora.</div><hr  style=" visibility: hidden; width: 100%; clear: both; "></hr><span  style=" float: left; z-index: 10; position: relative; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/7931774.jpg" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;">Filme &eacute; guiado pelos romances de B. Cubas</div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: left; display: block; "><a href="http://audioboo.fm/boos/124571-memorias-postumas" target="_blank">Ou&ccedil;a o &aacute;udio novamente.</a> A passagem sobre a morte de Eug&ecirc;nia &eacute; s&iacute;ntese dessa ironia, diz Mariana. Br&aacute;s Cubas est&aacute; dizendo, &ldquo;Olha, Eug&ecirc;nia, voc&ecirc; morreu t&atilde;o miseravelmente quanto viveu.&rdquo; Nuances como essa se perdem, e n&atilde;o h&aacute; nada no lugar. &Eacute; o caso da met&aacute;fora da borboleta preta. Na sequ&ecirc;ncia de cenas do livro, Br&aacute;s Cubas primeiro acha gra&ccedil;a da supersti&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e de Eug&ecirc;nia, do medo dela em rela&ccedil;&atilde;o ao animal, e depois fica ele pr&oacute;prio assustado e o mata. &ldquo;Tamb&eacute;m por que diabo n&atilde;o era ela azul?&rdquo; Ora, Eug&ecirc;nia, menina manca, mas bonita, de quem ele primeiro se aproveita mas depois descarta, porque &eacute; coxa &ndash; Eug&ecirc;nia &eacute; a borboleta preta.<br /><br />A adapta&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica n&atilde;o necessariamente precisaria conter essa cena. H&aacute; espa&ccedil;o para cria&ccedil;&atilde;o, releituras, captar o que se acredita ser a ess&ecirc;ncia do romance e das personagens de outros modos. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_Bressane" target="_blank">J&uacute;lio Bressane</a> fez uma adapta&ccedil;&atilde;o do romance, em 1985, naqual o lado filos&oacute;fico &eacute; muito forte &ndash; &eacute; uma releitura pr&oacute;pria, algo novo.<br /><br />  N&atilde;o cabe dizer como o filme deveria ser. Mas a impress&atilde;o que fica de <em>Mem&oacute;rias P&oacute;stumas</em> &eacute; a de uma adapta&ccedil;&atilde;o que se prop&otilde;e a ser fiel e acaba vazia, como um resumo mal acabado. H&aacute; a borboleta sem sentido, e Br&aacute;s Cubas repetindo sem parar em outro momento, &ldquo;Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?&rdquo;<br /><br />  Poderia ser azul, mas n&atilde;o &eacute;.</div><hr  style=" width: 100%; clear: both; visibility: hidden; "></hr>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Aos bibliomaníacos, EACH]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/04/aos-bibliomanacos-each.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/04/aos-bibliomanacos-each.html#comments]]></comments><pubDate>Wed, 21 Apr 2010 00:00:00 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/04/aos-bibliomanacos-each.html</guid><description><![CDATA[por L&iacute;via Furtado [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><a href="mailto:livia@revistaescarlate.com"><em><span style="font-size: small;">por L&iacute;via Furtado</span></em></a></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/1404928.jpg" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:1px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;"></div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">A feira de livros da FFLCH <a href="http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/12/olhar-estrangeiro-uma-experincia-na-festa-de-livros.html" target="_blank">todo mundo j&aacute; conhece</a>. Mas e pra quem faz Marketing, Turismo e Lazer, ou algum outro curso na Escola de Artes e Ci&ecirc;ncias Humanas? Para que os alunos da conhecida USP Leste tenham acesso &agrave; mesma quantidade de livros com desconto que os que estudam na Cidade Universit&aacute;ria, aconteceu na semana passada a <strong>Feira de Livros da EACH</strong>.<br /><br />  Pra quem n&atilde;o estuda por l&aacute;, nem mora por onde passa a linha Safira do trem, &eacute; meio complicado chegar &ndash; mas n&atilde;o imposs&iacute;vel. Linha vermelha do metr&ocirc;, esta&ccedil;&atilde;o Tatuap&eacute; ou Br&aacute;s: basta pegar o trem Br&aacute;s-Calmon Viana, sentido Calmon Viana, e descer na esta&ccedil;&atilde;o USP Leste. N&atilde;o tem erro: s&oacute; h&aacute; duas sa&iacute;das, uma para uma avenida e outra para o campus. Quando h&aacute; Feira, &eacute; ainda mais f&aacute;cil: basta fazer o caminho inverso ao das pessoas que saem com sacolas e mais sacolas de livros nas m&atilde;os.<br /><br />  &Eacute; uma aventura &ndash; o trem balan&ccedil;a, a disposi&ccedil;&atilde;o dos lugares &eacute; diferente, as casas &agrave; beira da linha passam como que vizinhas aos vag&otilde;es &ndash; mas vale a pena: dois pr&eacute;dios grandes abrigam as dezenas de editoras que oferecem publica&ccedil;&otilde;es com descontos a partir de 50%. N&atilde;o h&aacute; muita gente comprando; mesmo os estandes mais badalados, como da Editora 34, Cosac Naify e Martins Fontes est&atilde;o com pouca gente: &eacute; poss&iacute;vel ver livro a livro, pegar nas m&atilde;os, sentir o papel, ler alguns trechos.<br /><br />  N&uacute;meros que normalmente custam bem caro est&atilde;o a pre&ccedil;os acess&iacute;veis &ndash; as <a href="http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/04/a-hora-de-clarice.html" target="_blank">biografias de Clarice</a> escritas por N&aacute;dia Battella s&atilde;o vendidas por, em m&eacute;dia, 30 a 45 reais no estande da Edusp. A Editora Globo oferece uma cole&ccedil;&atilde;o de Machado de Assis por 38 reais, ou os livros do cozinheiro Jamie Oliver por, em m&eacute;dia, 35. Na Cosac, publica&ccedil;&otilde;es sobre arte s&atilde;o o grande diferencial: design, cinema, literatura, acompanhados de acabamentos muito bem feitos.<br /><br />  H&aacute; quem seja viciado em sapatos, roupas, comidas. Para os viciados em livros, a feira da EACH &eacute; um verdadeiro para&iacute;so. Enquanto ela n&atilde;o volta, esperamos a feira da FFLCH para melhorar nossa crise de abstin&ecirc;ncia.</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A hora de Clarice]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/04/a-hora-de-clarice.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/04/a-hora-de-clarice.html#comments]]></comments><pubDate>Wed, 21 Apr 2010 00:00:00 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/04/a-hora-de-clarice.html</guid><description><![CDATA[por L&iacute;via FurtadoEm palestra e debate, Clarice s [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><a href="mailto:livia@revistaescarlate.com"><em>por L&iacute;via Furtado</em></a></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/2797720.jpg?354" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:1px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">Em palestra e debate, Clarice se fez presente na USP na &uacute;ltima semana</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">Clarice est&aacute; em todo lugar. Nos corredores, no mural da viv&ecirc;ncia, na porta de vidro do pr&eacute;dio principal da ECA. Os olhos misteriosos, t&atilde;o caracter&iacute;sticos, ou s&oacute; o nome &ndash; que basta em si. <em>Clarice</em>. Os cartazes promovem eventos diferentes: um, palestra sobre sua biografia; outro, discuss&atilde;o de sua obra. No mesmo dia, (quase) no mesmo hor&aacute;rio.<br /><br />  Mas vida de rep&oacute;rter &eacute; mesmo assim e o jeito &eacute; se desdobrar.<br /><br />  A noite come&ccedil;a &agrave;s cinco da tarde na Casa de Cultura Japonesa. Um estande da Edusp vende livros sobre a escritora (que tamb&eacute;m podiam ser encontrados na <a href="http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/04/aos-bibliomanacos-each.html" target="_blank">feira de livros da EACH</a>). Os mesmos olhos dos cartazes est&atilde;o ali estampados, encarando a tudo como se de tudo soubessem. S&atilde;o o tema da noite.<br /></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/7157339.jpg?339" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:1px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;"></div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">Quem fala para o audit&oacute;rio lotado &ndash; na falta de cadeiras vazias, o ch&atilde;o do corredor vira assento para os que v&atilde;o chegando &ndash; &eacute; N&aacute;dia Battela Gotlib, a bi&oacute;grafa brasileira de Clarice Lispector. Ela veio falar sobre a 6&ordf; edi&ccedil;&atilde;o da biografia de Clarice que escreveu e da fotobiografia lan&ccedil;ada em 2009, e com um sorriso no rosto come&ccedil;a a contar sua hist&oacute;ria.&nbsp;<br /><br />Formada em letras pela UnB, fez mestrado e doutorado na USP, em literatura brasileira e portuguesa, respectivamente. Em 1979, come&ccedil;ou a dar na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o o &uacute;nico curso espec&iacute;fico sobre Clarice na Universidade. Foi ali, diz, que surgiu o que seria&nbsp;<em><a href="http://www2.fpa.org.br/conteudo/resenhas-clarice-uma-vida-que-se-conta-de-nadia-battela-gotlib" target="_blank">Clarice -uma vida que se conta</a></em><em>.&nbsp;</em>O livro, sua tese de livre-doc&ecirc;ncia, nasceu das conversas com os alunos. Do entusiasmo e das inquieta&ccedil;&otilde;es geradas por aquela &ldquo;coisa&rdquo; que Clarice queria dizer e que N&aacute;dia busca em seus trabalhos. Na tentativa de esclarecer como a escritora conquistava seus leitores antes mesmo que eles percebessem, N&aacute;dia foi fisgada: &ldquo;O mal estava feito.&rdquo;&nbsp;<br /><br />Ler Clarice n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, e tudo come&ccedil;a a&iacute;.<span>&nbsp;&nbsp;</span>N&atilde;o se pode olhar a obra procurando nada de antem&atilde;o &ndash; ela trabalha sempre no territ&oacute;rio da <em>intimidade</em>, e h&aacute; de se entregar por completo &agrave;s palavras, sem racionalizar. E, de repente, no meio das hist&oacute;rias, come&ccedil;a-se a vislumbrar Clarice. Ela, que inventava dados e fatos e n&atilde;o falava muito sobre o passado, se ficcionaliza e torna-se personagem. O trabalho da bi&oacute;grafa consistiu em unir cr&iacute;tica liter&aacute;ria com dados biogr&aacute;ficos &ndash; depoimentos, cartas, bilhetes, anota&ccedil;&otilde;es -, para contextualizar obras e escritora. &ldquo;&Eacute; um ato delicado, delimitar quando um fato biogr&aacute;fico ilumina ou n&atilde;o a obra&rdquo;, confessa.</div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/9037364.jpg?342" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:1px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;"></div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; "><font color="#000000"><span style="line-height: normal; "><em><span style="font-style: normal; "><em><span style="font-size: small;">Clarice: fotobiografia&nbsp;&nbsp;</span></em><span style="font-size: small;">traz em suas p&aacute;ginas centenas de imagens que contam muito. &ldquo;O que eu quis em cada p&aacute;gina foi construir situa&ccedil;&otilde;es de vida e de literatura.&rdquo; Vemos N&aacute;poles e os militares, e entendemos porque n&atilde;o h&aacute; cr&ocirc;nicas dessa &eacute;poca. Vemos Berna, o &ldquo;<strong>cemit&eacute;rio de sensa&ccedil;&otilde;es</strong>&rdquo; e sentimos o sufocar da paisagem. Clarice esposa &ndash; olhares tortos, <strong>foto rasgada</strong>. Clarice sorrindo com Mafalda Ver&iacute;ssimo, sua grande amiga. Clarice jornalista, uma das pioneiras na profiss&atilde;o. Clarice m&atilde;e. Clarice filha. Clarice mulher.&nbsp;<br /><br />E &eacute; a Clarice mulher, assim como a mulher em Clarice, que est&aacute; sendo discutida em frente &agrave; viv&ecirc;ncia da ECA em uma roda de estudantes. O <a href="http://nucleodegenero.wordpress.com/" target="_blank">N&uacute;cleo de G&ecirc;neros do CALC</a> (Centro Acad&ecirc;mico Lupe Cotrim), que se re&uacute;ne quinzenalmente, &agrave;s quartas-feiras, usa <a href="http://www.releituras.com/clispector_menu.asp" target="_blank">"Amor"</a> como gancho para discutir as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero na sociedade. No conto, Ana, personagem que vive para sua funcionalidade, se desconcerta e entra em choque ao ver um cego mascando chicletes. O olho do cego n&atilde;o tem fun&ccedil;&atilde;o &ndash; ele n&atilde;o a v&ecirc;. Quem &eacute; ela se n&atilde;o &eacute; algo para algu&eacute;m? No Jardim Bot&acirc;nico, onde vai para refletir, ela tem medo da natureza, da liberdade, da &ldquo;coisa&rdquo;. Volta para casa e seu marido a engloba novamente no mundo tranq&uuml;ilo do lar.<br /><br />A discuss&atilde;o passa pela hist&oacute;ria da mulher, pela evolu&ccedil;&atilde;o de seu &ldquo;papel social&rdquo; e de suas oportunidades. Talvez Ana n&atilde;o tivesse escolhido aquela vida, como pensa &ndash; apenas n&atilde;o tinha para onde ir, e, quando descobre que pode mudar, se assusta. A liberdade assusta. A vida da pr&oacute;pria Clarice entra na roda: quando casada, se identificava com Ana, mas, diferente desta, largou tudo e enfrentou preconceitos para seguir sua carreira, sem nunca deixar de lado seu papel de m&atilde;e ou mulher.<br /><br />E assim a via dupla de N&aacute;dia aparece ali, e aquelas inquieta&ccedil;&otilde;es. Clarice est&aacute; em todo lugar.</span></span></em></span></font></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/4839774.jpg?332" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:1px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;"></div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; "><font color="#000000"><span style="line-height: normal; "><strong><span style="font-weight: normal; "><em><span style="font-style: normal; "><strong><span style="font-size: small;">Saiba mais sobre o N&uacute;cleo de G&ecirc;neros do CALC:</span></strong></span><span style="font-size: small;"><br />Embora o foco do n&uacute;cleo n&atilde;o seja a literatura, ela ainda ser&aacute; usada em outros encontros, nos quais algo de Caio Fernando Abreu deve aparecer. O pr&oacute;ximo acontece no dia 28 e fechar&aacute; a quest&atilde;o da mulher, iniciando uma discuss&atilde;o mais ampla, sobre o movimento GLBTS. Come&ccedil;a &agrave;s 18h e termina por volta das 19h30.</span></em></span></strong></span></font><br /><font color="#000000"><span style="line-height: normal; "></span></font><br /><font><span style="line-height: normal; "><strong><span style="font-weight: normal; "><em><span style="font-size: small;"><font><font color="#999999">Todas as imagens foram retiradas do livro </font></font><span style="font-style: normal;"><font><font color="#999999">Clarice: fotobiografia.</font></font></span></span></em></span></strong></span></font></div><h2  style=" text-align: left; ">Leia mais:</h2><div  class="paragraph" style=" text-align: left; ">As&nbsp;(inquietantes e autobiogr&aacute;ficas)&nbsp;cr&ocirc;nicas de Clarice Lispector, <em>trabalho escrito pela autora desta mat&eacute;ria em 2009.</em></div><div ><div style="margin: 10px 0 0 -10px"><a href="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/cronicas_autobiograficas_de_clarice_l.pdf"><img src="http://www.weebly.com/weebly/images/file_icons/pdf.png" width="36" height="36" style="float: left; position: relative; left: 0px; top: 0px; margin: 0 15px 15px 0; border: 0;" /></a><div style="float: left; text-align: left; position: relative;"><table style="font-size: 12px; font-family: tahoma; line-height: .9;"><tr><td colspan="2"><b> cronicas_autobiograficas_de_clarice_l.pdf</b></td></tr><tr style="display: none;"><td>File Size:  </td><td>358 kb</td></tr><tr style="display: none;"><td>File Type:  </td><td> pdf</td></tr></table><a href="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/cronicas_autobiograficas_de_clarice_l.pdf" style="font-weight: bold;">Download File</a></div></div><hr style="clear: both; width: 100%; visibility: hidden"></hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Poetisa quem? Meu ser é poeta]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/03/poetisa-quem-meu-ser-poeta.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/03/poetisa-quem-meu-ser-poeta.html#comments]]></comments><pubDate>Wed, 24 Mar 2010 18:54:42 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/03/poetisa-quem-meu-ser-poeta.html</guid><description><![CDATA[por L&iacute;via FurtadoA poeta que coordenava o olhar com  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><em><a href="mailto:livia@revistaescarlate.com">por L&iacute;via Furtado</a></em></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/5274067.jpg" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:1px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">A poeta que coordenava o olhar com o sorriso</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">&ldquo;Lupe Cotrim? Ah, ela era... algu&eacute;m ligada &agrave; ECA. N&atilde;o era?&rdquo;<br /><br />  Centro Acad&ecirc;mico Lupe Cotrim. No primeiro dia da semana de recep&ccedil;&atilde;o, os bixos da ECA conhecem todas as entidades da Escola &ndash; e &eacute; com estranheza que ouvem o nome do seu centro acad&ecirc;mico. Nome de audit&oacute;rio, como tantos outros espalhados. Professora, aluna, funcion&aacute;ria, atriz, cantora, quem foi Lupe ningu&eacute;m sabe e o nome vai passando de boca em boca, de ano em ano, perdendo seu significado.<br /><br />  Pra quem viveu a ECA no final da d&eacute;cada de 60, quando foi formada a Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes, &eacute; dif&iacute;cil entender essa situa&ccedil;&atilde;o. Como n&atilde;o saber quem era aquela mulher diferente, vinda da Faculdade de Filosofia, jovem, corajosa... poeta? &ldquo;Os alunos queriam que todos os professores fossem como ela.&rdquo;<br /><br />  Quem conta e rememora s&atilde;o antigos colegas, alunos, marido - a fala &eacute; de Eduardo Pe&ntilde;uela Canizal, que trabalhou com ela na ECA. Todos se re&uacute;nem para prestigiar obra e vida da poeta em semin&aacute;rios organizados pela pesquisadora Leila Gouv&ecirc;a &ndash; ela mesma antiga aluna de Lupe. O motivo &eacute; a abertura no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB USP) da exposi&ccedil;&atilde;o <strong style="mso-bidi-font-weight: normal">Ser Poeta - Lupe Cotrim, 40 anos depois,</strong>&nbsp;que, junto aos debates e conversas, serve para que se possa adentrar nessa hist&oacute;ria t&atilde;o importante da literatura brasileira. <br /><br />  Dizer que &eacute; importante talvez n&atilde;o signifique muita coisa. Mas veja: quem nunca ouviu falar de Hilda Hilst? Hilda, Renata Pallottini e Lupe Cotrim eram os tr&ecirc;s nomes mais promissores da cena liter&aacute;ria brasileira nas d&eacute;cadas de 60 e 70. O que aconteceu para que a hist&oacute;ria de uma delas se perdesse no meio do caminho? Talvez n&atilde;o haja uma explica&ccedil;&atilde;o &uacute;nica, mas a morte da escritora aos 36 anos, em 1970, foi um fator decisivo &ndash; ela faleceu de c&acirc;ncer em seu auge po&eacute;tico, e como reconta seu marido Jos&eacute; Arthur Giannotti, &ldquo;para n&oacute;s era muito duro recordar sobre a Lupe.&rdquo;<br /><br />  &ldquo;Quando n&atilde;o se conhece a vida da pessoa, se apressa o esquecimento da obra,&rdquo; comenta o escritor F&aacute;bio Lucas, um dos participantes do semin&aacute;rio <em style="mso-bidi-font-style:normal">Uma intelectual na travessia dos anos 60</em>. Para resgatar essa obra que n&atilde;o pode ser esquecida, Leila Gouv&ecirc;a, jornalista formada na ECA e bolsista da FAPESP, decidiu fazer em seu p&oacute;s-doutorado uma biografia da poeta. <br /><br />  Mas os dados b&aacute;sicos &ndash; Maria Jos&eacute; Cotrim Garaude Giannotti, nasceu em 16 de mar&ccedil;o, paulistana, morou em Ara&ccedil;atuba, pais se separaram, morou no Rio, teve dois filhos, foi professora &ndash; n&atilde;o satisfazem. Leila frisa que seu trabalho &eacute; uma biografia <em style="mso-bidi-font-style:normal">liter&aacute;ria: </em>parte da obra para a vida. Al&eacute;m disso, in&uacute;meros depoimentos enriquecem e v&atilde;o dando luz aos contornos meio borrados da Lupe pessoa, indissoci&aacute;vel da Lupe poeta. Ajudou Leila a fam&iacute;lia de Lupe ter doado ao IEB, &agrave; &eacute;poca, um acervo pessoal de cartas, cart&otilde;es, rascunhos, fotos, mais de mil recorda&ccedil;&otilde;es da escritora. Assim, num trabalho interdisciplinar que misturou arquivologia com pesquisa liter&aacute;ria e biogr&aacute;fica, ela organizou a atual exposi&ccedil;&atilde;o, que conta com mais ou menos cem objetos. O livro, <strong style="mso-bidi-font-weight:normal">Estrela breve: uma biografia da poeta Lupe Cotrim</strong>, deve ser lan&ccedil;ado ainda no segundo semestre desse ano.<br /><br />  Para enriquecer a exposi&ccedil;&atilde;o, Leila organizou semin&aacute;rios com poetas modernos, cr&iacute;ticos, amigos, familiares. A id&eacute;ia era &ldquo;incentivar a renova&ccedil;&atilde;o da fortuna cr&iacute;tica &agrave; obra de Lupe,&rdquo; explica. Al&eacute;m disso, lembrar-se da poeta mulher, descobri-la novamente.<br /><br />  Ex-alunos, como o professor Ismail Xavier, recordaram a Lupe professora, jovem, engajada, consciente de sua &eacute;poca, dos problemas pol&iacute;tico-sociais do pa&iacute;s. Contempor&acirc;nea. Leila conta que, na greve dos estudantes de 68 pela reformula&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo &ndash; a ECA foi criada em 67 e se dizia que os curr&iacute;culos haviam sido feitos &agrave;s pressas e de qualquer jeito -, foi Lupe quem convenceu os estudantes a desocuparem um dos barrac&otilde;es nos quais aconteceria o Congresso Internacional de Novas M&iacute;dias (ao qual compareceram, por exemplo, Glauber Rocha e Roberto Rossellini). <br /><br />  Mais tarde, F&aacute;bio Lucas analisa alguns poemas de &ldquo;C&acirc;nticos da Terra&rdquo;, enquanto Tel&ecirc; Ancona Lopez fala da obra em geral. Ana Maria Fadul recorda os tr&ecirc;s momentos em que conheceu Lupe &ndash; o primeiro deles na Faculdade de Filosofia da Maria Ant&ocirc;nia. &ldquo;&Eacute;ramos todos rec&eacute;m sa&iacute;dos do ensino m&eacute;dio, novos. De repente, entra na sala de aula aquela mulher j&aacute; feita, bem vestida, elegante. Ficamos sabendo que era famosa,&rdquo; conta. &ldquo;Era corajosa e n&atilde;o aceitava desaforo &ndash; uma vez um professor deu nota baixa em um trabalho pra todo mundo, e a dela foi a mais alta: 3,5. &lsquo;Como voc&ecirc; faz isso, isso vai pro meu curr&iacute;culo, voc&ecirc; vai ferrar com seus alunos&rsquo;. O professor era o Giannotti &ndash; eles se casaram no final do ano.&rdquo;<br /><br />  Esses tantos prismas tecem uma hist&oacute;rica rica, uma tela colorida: independ&ecirc;ncia, feminismo, inseguran&ccedil;a, ci&uacute;me, vitalidade, contradi&ccedil;&otilde;es. Rasgava cartas que o marido recebia, viajava sozinha. Recebia pr&ecirc;mios, &agrave;s vezes n&atilde;o se achava tudo isso. Lutava pela vida com unhas e dentes, mas tratava da morte obsessivamente em seus textos. Trocava cartas com Carlos Drummond, era amiga de Lygia Fagundes Telles, fez uma ponta no primeiro curta-metragem de Eduardo Leone, sabia que seria escritora desde os 12 anos.<br /><br />  Ela n&atilde;o viveu para ver seu &uacute;ltimo livro &ndash; <em>Poemas ao outro </em>(1970) &ndash; receber o maior pr&ecirc;mio de poesia da &eacute;poca, &ldquo;Governador do Estado&rdquo;, al&eacute;m de outros dois. N&atilde;o viu ser publicada <em>Obra Consentida</em> (1973), a antologia que ela havia preparado antes de morrer, com alguns poemas retrabalhados de seus 5 primeiros livros e os 2 &uacute;ltimos na &iacute;ntegra, nem a antologia preparada por seu filho, Marco Giannotti, em 1984. Mas continua surpreendendo e encantando com alguns textos in&eacute;ditos, e mesmo com os antigos &ndash; as releituras constroem novos sentidos e a obra faz-se eterna. Surpreende com as cartas, os retratos, a for&ccedil;a, a leveza, a seriedade. Poesia viva em sorriso - sempre coordenado com o olhar, completa o professor Eduardo.</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pra tirar da gaveta]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/02/pra-tirar-da-gaveta.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/02/pra-tirar-da-gaveta.html#comments]]></comments><pubDate>Mon, 22 Feb 2010 01:22:11 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2010/02/pra-tirar-da-gaveta.html</guid><description><![CDATA[por L&iacute;via Furtado [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; "><strong><span><em style="position: relative; "><span style="font-size: 8.5pt; line-height: 12px; font-family: Verdana, sans-serif; "><font color="#8c8787"><a href="mailto:livia@revistaescarlate.com">por L&iacute;via Furtado</a></font></span></em></span></strong></span></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/3004851.jpg?347" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">H&aacute; 5 edi&ccedil;&otilde;es, a revista d&aacute; espa&ccedil;o para que a literatura uspiana cres&ccedil;a.</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">Todo mundo tem um pouco de louco - e de poeta. Quem &eacute; que nunca tentou expressar seus sentimentos colocando no papel o que sentia? Com a ascens&atilde;o dos blogs, aumentaram em muito as chances de algum estranho ler aquele seu texto antes s&oacute; conhecido por amigos e familiares - querida, l&ecirc; pra sua v&oacute; seu poema novo! Mas para os aspirantes a escritores, poucas coisas superam a emo&ccedil;&atilde;o de ver seu texto em alguma publica&ccedil;&atilde;o impressa. Al&eacute;m de todo ritual envolvido - a espera, a not&iacute;cia de que algu&eacute;m gostou o suficiente do seu texto para public&aacute;-lo, a revis&atilde;o, a edi&ccedil;&atilde;o, a diagrama&ccedil;&atilde;o -, h&aacute; ainda aquela sensa&ccedil;&atilde;o indescrit&iacute;vel ao se ver um desconhecido lendo seu texto na rua.<br /><br />&Eacute; fato que metade dos bixos de jornalismo, letras e direito, por exemplo, entram na faculdade com esse sonho - n&atilde;o adianta negar. Mas h&aacute; tamb&eacute;m muitos talentos escondidos entre os f&iacute;sicos, polit&eacute;nicos, bi&oacute;logos, psic&oacute;logos. E, h&aacute; cinco anos, os alunos de Editora&ccedil;&atilde;o decidiram fazer mudar um pouco essa realidade de textos juntando p&oacute; nas gavetas.<br /><br />Primeiro: sim, Editora&ccedil;&atilde;o existe e &eacute; um curso de gradua&ccedil;&atilde;o (e v&aacute;rias outras coisas muito engra&ccedil;adas, segundo o que os pr&oacute;prios alunos escrevem e publicam no manual dos bixos de edit). Segundo: os edits s&atilde;o raros - quinze por ano, dividem um departamento com os jornalistas l&aacute; na ECA - mas muito criativos e, gra&ccedil;as a eles, a <strong>Originais Reprovados</strong> existe. &nbsp;Criada em 2005, essa revista toda diferente, pequena e cheia de desenhos aceita textos de qualquer bixo, veterano ou p&oacute;s-graduando da USP. &Eacute; s&oacute; enviar seu trabalho e, se for escolhido pela equipe da revista, ser publicado (a OR6 ainda n&atilde;o tem data pra sair, mas no <a href="http://comartejr.com.br/originais/wp/" target="_blank">site da Originais</a> voc&ecirc; pode se inscrever para receber notificados de quando come&ccedil;a a sele&ccedil;&atilde;o).<br /><br />Quando surgiu, ela era uma publica&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria da Com-Arte J&uacute;nior - CAJu, para os &iacute;ntimos -, a empresa j&uacute;nior do curso; ano passado, se transformou em um <strong>Projeto de Cultura e Extens&atilde;o</strong>. Espera, extens&atilde;o? Exatamente. Sabe aquela hist&oacute;ria de trip&eacute; universit&aacute;rio de que todo mundo parece falar nas palestras e aulas magnas e sobre a qual voc&ecirc;, rec&eacute;m-chegado &agrave; USP, nunca tinha ouvido falar? Extens&atilde;o &eacute; isso: devolver &agrave; sociedade algo do que nos foi possibilitado por ela. A OR passou a ser distribu&iacute;da gratuitamente e a ser levada para fora do campus - passou a ter por obriga&ccedil;&atilde;o acrescentar algo &agrave; vida das pessoas fora da USP, "j&aacute; que a ideia de um projeto de cultura e extens&atilde;o &eacute; devolver &agrave; sociedade o que &eacute; gasto com a universidade p&uacute;blica", explica a editoranda do segundo ano Nath&aacute;lia Dimambro, que participou da cria&ccedil;&atilde;o da OR n&uacute;mero 5, em 2009. A ideia &eacute; incentivar a leitura e a reda&ccedil;&atilde;o dos jovens dessas escolas, al&eacute;m de mostrar a eles que ter seus textos publicados por algu&eacute;m n&atilde;o &eacute; algo assim t&atilde;o fora de seu alcance.<br /><br />Para os uspianos, o que muda de verdade &eacute; que, por n&atilde;o ser mais paga, a revista passou a ter um p&uacute;blico muito maior. B&aacute;rbara Prince, coordenadora da &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o, contou que os pontos escolhidos para distribui&ccedil;&atilde;o foram os bandej&otilde;es. Como n&atilde;o quiseram privilegiar nenhuma unidade, membros da equipe deixavam exemplares da revista nos restaurantes e depois iam ver o resultado. "Deu super certo, os exemplares sumiam," comemora B&aacute;rbara. Sobre a mudan&ccedil;a, a garota explica que antes, apesar da revista dar certo para a CAJu - por causa de todo aprendizado envolvido -, ela n&atilde;o alcan&ccedil;ava muitos leitores e, portanto, n&atilde;o cumpria seu papel comunicador. Agora, as chances do seu texto ser lido por colegas da faculdade inteira s&atilde;o muito maiores - n&atilde;o h&aacute; quem n&atilde;o fique atra&iacute;do pelas capas coloridas e bonitas da Originais. Ou, no caso da primeira edi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o fique curioso pra saber o que h&aacute; dentro daquele envelopezinho pardo.<br /><br />Arte e texto est&atilde;o totalmente interligados nas p&aacute;ginas da Originais - <a href="http://revistaescarlate.com/1/post/2009/10/atravs-do-espelho-guimares-rosa.html" target="_blank">n&atilde;o h&aacute; arte isolada, afinal</a>. Desenhos, ilustra&ccedil;&otilde;es feitas pela equipe e a diagrama&ccedil;&atilde;o &agrave;s vezes diferenciada trazem mais vida &agrave;s palavras. "Setembro", do aluno de publicidade <a href="http://oblogk.blogspot.com/" target="_blank">Lucas Nascimento</a>, tem o formato das torres g&ecirc;meas - ele enviou o texto &agrave; OR j&aacute; desse modo, e gostou do fato da equipe ter sido fiel aos desejos do autor. &nbsp;No caso de Jos&eacute; Muniz Jr., ex-aluno que participou da equipe da primeira OR e anos depois teve um texto publicado na revista, a forma poderia ter sido tr&aacute;gica n&atilde;o fosse uma coincid&ecirc;ncia: "Tem uma hist&oacute;ria engra&ccedil;ada. Um dia eu tava passando l&aacute; pela sala 10 [uma das salas da Com-Arte Jr.] e vi algu&eacute;m diagramando justamente o meu poema. Fiquei feliz com a coincid&ecirc;ncia e fui dar uma olhadinha. A&iacute; eu vi que a pessoa tava fazendo um lance na diagrama&ccedil;&atilde;o que ia basicamente destruir metade do sentido do poema. Por sorte eu estava l&aacute; e indiquei o engano."&nbsp;<br /><br />&Eacute; como lembrou B&aacute;rbara: a OR &eacute; uma publica&ccedil;&atilde;o estudantil, um lugar de aprendizado e, consequentemente, erros (os jornalistas ecanos bem sabem que "todo S&atilde;o Remo &eacute; o pior S&atilde;o Remo da hist&oacute;ria", por exemplo). "A gente manda os textos revisados pros autores para eles aprovarem a revis&atilde;o. Se a diagrama&ccedil;&atilde;o for mudar o sentido do texto, tamb&eacute;m fazemos isso. O problema &eacute; quando o autor n&atilde;o colabora e nos trata mal se tem alguma coisa errada."<br /><br />Mas a ideia &eacute; justamente essa: aprendizado. Ter seu texto publicado tamb&eacute;m &eacute; aprender - a lidar com editores, a controlar a ansiedade, a abrir m&atilde;o de algo que at&eacute; ent&atilde;o era t&atilde;o <em>seu</em>. Se n&atilde;o na Universidade, aprenderemos onde? Por isso, fique de olho: al&eacute;m da Originais, voc&ecirc; pode enviar seus trabalhos tamb&eacute;m para Mostras como a <a href="http://revistaescarlate.com/1/post/2009/09/branco-toa-e-arco-ris.html" target="_blank">Nascente</a>, que acontece &nbsp;no come&ccedil;o do ano, ou para concursos como o <a href="http://revistaescarlate.com/5/post/2009/12/dance-like-theres-no-one-watching.html" target="_blank">Concurso de Talentos da FEA</a>. Eles n&atilde;o ser&atilde;o publicados, mas ficar&atilde;o expostos ao p&uacute;blico. &Eacute; hora de tirar os originais da gaveta e deix&aacute;-los respirar.<br /><br /><em>E se depois de ler tudo isso voc&ecirc; pensar "Mas o meu neg&oacute;cio <span style="font-style: normal;">mesmo</span> &eacute; jornalismo", t&aacute; esperando o que? Envie sua pauta pra gente!</em><br /><br /><em><font color="#808080">* L&iacute;via Furtado &eacute; Diretora de Projetos da Com-Arte Jr., mas nunca participou da equipe da Originais Reprovados.</font></em></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Olhar estrangeiro - uma experiência na festa de livros]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/12/olhar-estrangeiro-uma-experincia-na-festa-de-livros.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/12/olhar-estrangeiro-uma-experincia-na-festa-de-livros.html#comments]]></comments><pubDate>Wed, 02 Dec 2009 00:00:00 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/12/olhar-estrangeiro-uma-experincia-na-festa-de-livros.html</guid><description><![CDATA[por Isadora SinayA tradicional&nbsp;feira (ou festa) de livros da FFLCH&nbsp;acontece todo ano, normalmente no m&ecirc;s de novembro. Estudantes da USP - mas n&atilde;o s&oacute; eles - esper [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><span style="color: rgb(140, 135, 135); font-style: italic; font-weight: bold; -webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; ">por Isadora Sinay</span></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; "><em>A tradicional&nbsp;</em><strong>feira (ou festa) de livros da FFLCH</strong><em>&nbsp;acontece todo ano, normalmente no m&ecirc;s de novembro. Estudantes da USP - mas n&atilde;o s&oacute; eles - esperam o ano todo, ansiosamente, a chance de poder comprar todos aqueles t&iacute;tulos desejados por metade do pre&ccedil;o -&nbsp;<span style="font-style: normal;">literalmente</span>. Adultos, adolescentes, crian&ccedil;as, todos lotam os corredores e rampas do pr&eacute;dio de hist&oacute;ria e geografia. A estudante de cinema da FAAP&nbsp;</em><strong>Isadora Sinay<em>&nbsp;</em></strong><em>conta sua experi&ecirc;ncia durante o segundo dia do evento.</em></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">&Agrave;s 7 da noite da &uacute;ltima quinta-feira (29), depois de mais de uma hora de viagem em um &ocirc;nibus abafado e cheio, eu cheguei na festa do livro perseguida por uma chuva irritante (a respons&aacute;vel por me deixar uma hora no<span style="mso-spacerun:yes">&nbsp; </span>tal &ocirc;nibus) e com um mau-humor consider&aacute;vel. Ent&atilde;o eu vi a multid&atilde;o. Parecia que eu n&atilde;o tinha sa&iacute;do do &ocirc;nibus e pensei &ldquo;n&atilde;o vai dar, vou embora&rdquo;, mas eu n&atilde;o podia deixar de pensar &ldquo;livros com desconto, livros com desconto, livros com desconto&rdquo; ent&atilde;o respirei fundo e fui. <br /><br />A primeira parada foi a Editora 34, reconhec&iacute;vel tanto pelo cartaz quanto pelo amontoado de pessoas. Chegar de fato ao balc&atilde;o n&atilde;o parecia vi&aacute;vel, mas com alguma cara-de-pau e sorte por n&atilde;o ser muito alta eu consegui sutilmente passar na frente de algumas pessoas e alcan&ccedil;ar os livros. Estavam todos l&aacute;, tudo que voc&ecirc; poderia esperar da 34, aquelas edi&ccedil;&otilde;es enormes e ilustradas com xilogravuras de Dostoievski (traduzidas direto do russo!), outros russos como Tostoi e Lekov (sempre traduzidos direto do russo) e as edi&ccedil;&otilde;es de luxo de alguns outros cl&aacute;ssicos como &ldquo;A Divina Com&eacute;dia&rdquo;, que eu confesso n&atilde;o ter dado aten&ccedil;&atilde;o. Tudo que eu queria era Dostoievski, e eles estavam todos l&aacute;, todos os livros do autor que eu poderia lembrar de cabe&ccedil;a, desde a edi&ccedil;&atilde;o dupla de &ldquo;Os irm&atilde;o Karamazov&rdquo; at&eacute; textos desconhecidos como &ldquo;Gente Pobre&rdquo;. E sim, os pre&ccedil;os estavam todos com 50% de desconto e havia etiquetas nos livros. Agarrei um exemplar de &ldquo;Os Dem&ocirc;nios&rdquo;, outro de &ldquo;O Jogador&rdquo; e fui enfrentar a longa fila de pagamento. Foi longa, mas foi organizada. Ponto para a 34, que tinha o cat&aacute;logo quase completo, pre&ccedil;os realmente reduzidos e organiza&ccedil;&atilde;o, se voc&ecirc; tivesse paci&ecirc;ncia.<br /><br />A partir da&iacute; eu sa&iacute; em peregrina&ccedil;&atilde;o, levando um Sade e uma edi&ccedil;&atilde;o bilingue de poemas da Emily Dickinson na Iluminuras, um Adorno na publifolha.<span style="mso-spacerun:yes">&nbsp; </span>Foi tudo organizado, mas os livros estavam com o pre&ccedil;o sem o desconto (tamb&eacute;m de 50%), o que n&atilde;o causava problemas porque ambas estavam relativamente vazias, mas n&atilde;o iria funcionar se tivesse mais p&uacute;blico. E foi o que aconteceu na Martins Fontes, imposs&iacute;vel de ver os livros expostos e imposs&iacute;vel ser atendido para descobrir o pre&ccedil;o real dos livros. O desconto de 50% criava presentes como &ldquo;Toda Mafalda&rdquo; por 50 reais, mas era claro que apenas uma sele&ccedil;&atilde;o muito reduzida do cat&aacute;logo da editora estava l&aacute;. Com bastante esfor&ccedil;o, pesquei um &ldquo;Entre os Muros da Escola&rdquo; e sa&iacute; meio insatisfeita. <br /><br />Para mim, e imagino que para muitas outras pessoas, o stande mais desejado era o da Cosac Naify, cujos livros n&atilde;o costumam ser compr&aacute;veis em situa&ccedil;&otilde;es comum. Eu n&atilde;o sei se foi porque cheguei na quinta a noite, ou se a editora levou apenas uma parcela muito pequena de suas obras, mas n&atilde;o tinha nada. Eu perguntei pelo &uacute;ltimo lan&ccedil;amento da cole&ccedil;&atilde;o &ldquo;Mulheres Modernistas&rdquo;, a &ldquo;A Autobiografia de Alice B. Toklas&rdquo;, de Gertrude Stein, n&atilde;o tinha, apesar de alguns t&iacute;tulos da cole&ccedil;&atilde;o estarem l&aacute;. Perguntei por &ldquo;Conversas com Woody Allen&rdquo;, n&atilde;o tinha. Perguntei pela cole&ccedil;&atilde;o Glauber Rocha, n&atilde;o tinha. Tudo bem, sa&iacute; com &ldquo;Zazie no Metr&ocirc;&rdquo; de Raymond Quenau e &ldquo;Pais e Filhos&rdquo; de Turgu&ecirc;niev,<span style="mso-spacerun:yes">&nbsp; </span>e &ldquo;Sert&atilde;o Mar&rdquo; do Ismail Xavier (na falta do Glauber). Todos por metade do pre&ccedil;o e a organiza&ccedil;&atilde;o era boa, algu&eacute;m para te atender, n&atilde;o era dif&iacute;cil ver os livros e um esquema hiper-organizado de pagamento. <br /><br />A essa altura eu j&aacute; tinha muitos livros muito pesados, e um namorado com mais livros ainda e decidi que era hora de encerrar o preju&iacute;zo. O balan&ccedil;o final? Eu acho realmente que poderiam ter mais editoras de literatura, as &uacute;nicas com for&ccedil;a nessa &aacute;rea eram a 34, a Martins Fontes (daquele jeito que eu j&aacute; disse), a Cosac Naify e a Iluminuras, que na verdade n&atilde;o tem poucos t&iacute;tulos, apesar de bons. Eu at&eacute; entendo que uma feira em uma universidade d&ecirc; prefer&ecirc;ncia aos te&oacute;ricos, mas a literatura &eacute; fundamental para qualquer forma&ccedil;&atilde;o. A Companhia das Letras, por exemplo, teria sido uma presen&ccedil;a bem vida. Nem todas as editoras primam pela organiza&ccedil;&atilde;o, mas os pre&ccedil;os s&atilde;o realmente bons. Para mim, o que mais incomodou foi o desfalque dos cat&aacute;logos e a impossibilidade de visualisa-los em standes como o da Martins Fontes e da Anna Blume. Mas no final das contas, e eu imagino que essa sensa&ccedil;&atilde;o seja comum, sair de l&aacute; com duas edi&ccedil;&otilde;es de Dostoievski traduzidas direto do russo e ilustradas com xilogravuras por 50 reais valeu qualquer por&eacute;m.&nbsp;</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Muito além do texto]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/11/muito-alm-do-texto.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/11/muito-alm-do-texto.html#comments]]></comments><pubDate>Wed, 11 Nov 2009 02:55:08 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/11/muito-alm-do-texto.html</guid><description><![CDATA[ [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><font color="#8C8787" size="3"><span style="font-size: 11px; line-height: 12px; -webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"><strong><em><span style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: 'Times New Roman'; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: normal; -webkit-border-horizontal-spacing: 0px; -webkit-border-vertical-spacing: 0px; font-size: medium; "><span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; "><strong><span><em style="position: relative; "><span style="font-size: 8.5pt; line-height: 12px; font-family: Verdana, sans-serif; "><font color="#8c8787">por L&iacute;via Furtado</font></span></em></span></strong></span></span></em></strong></span></font><br /><font size="3"><span style="font-size: 11px; line-height: 12px; -webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"><font color="#8A0909">livia@revistaescarlate.com</font></span></font></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/2520472.jpg?362" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:0;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">Nas paredes brancas, o M&aacute;rio de Lasar Segall aprecia seu acervo pessoal, que inclui paisagens livros... e ele mesmo.</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">Todo colegial deve se lembrar de sua primeira experi&ecirc;ncia com <em>Macuna&iacute;ma</em>. Seja por ter achado a hist&oacute;ria muito doida quando aprendeu sobre ela nas aulas de literatura, seja por ter achado o livro uma obra-prima, seja por n&atilde;o ter conseguido sair do primeiro cap&iacute;tulo - que texto mais sem p&eacute; nem cabe&ccedil;a! Mas, de um jeito ou de outro, &eacute; dif&iacute;cil passar por ele sem que ele cause impress&atilde;o forte.<br /><br />&Eacute; dif&iacute;cil passar por <strong>M&aacute;rio de Andrade</strong> sem que ele cause uma impress&atilde;o forte.<br /><br />As paredes brancas da Sala Martha Rossetti Batista s&atilde;o preenchidas por essas impress&otilde;es. Ali, na mostra <strong>Paisagens Colecionadas: acervo M&aacute;rio de Andrade</strong>, mergulha-se no mundo do modernismo brasileiro &ndash; mas n&atilde;o s&oacute; nele &ndash; atrav&eacute;s do olhar do consagrado escritor. N&atilde;o s&atilde;o textos que est&atilde;o ali: s&atilde;o quadros. Uma cole&ccedil;&atilde;o de quadros e outros objetos que faziam parte do acervo pessoal de Andrade e que o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP traz aos olhos do p&uacute;blico at&eacute; janeiro de 2010.<br /><br />Um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderna de S&atilde;o Paulo (s&iacute;mbolo de rompimento e quebra de padr&otilde;es art&iacute;sticos, atrav&eacute;s principalmente do advento do modernismo, em 1922) M&aacute;rio de Andrade reunia em sua vida - pessoal e profissional - diversos tipos de arte. M&uacute;sica, literatura, pintura. Professor de piano, poeta, romancista, cr&iacute;tico de arte. Apaixonado pelo folclore e cultura brasileiros. Apaixonado por S&atilde;o Paulo. &ldquo;N&atilde;o tem arte que eu n&atilde;o ame e n&atilde;o me preocupe com os problemas est&eacute;ticos dela.&rdquo; Palavras do pr&oacute;prio poeta a certa ocasi&atilde;o. A exposi&ccedil;&atilde;o nos mostra relances desse M&aacute;rio diverso e fragmentado ao expor obras cujo tema central &eacute; &ldquo;paisagens&rdquo;, indo de retratos do escritor a barcos ancorados em um cais de Recife e imagens de santos gravadas em madeira.<br /><br />Entrar ali &eacute; mergulhar um pouco naquele mundo que os livros restringem ao nosso imagin&aacute;rio - as paisagens que permeiam os textos de Andrade. Quadros como <em>Macuna&iacute;ma desce por este mundo afora</em>, de <strong>C&iacute;cero Dias</strong>, d&atilde;o rosto a certas situa&ccedil;&otilde;es e personagens, pintam cen&aacute;rios com cores fortes, l&aacute;pis de cor e nanquim.<br /></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/9076275.jpg?420" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:0;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">A arte dos livros se mistura com outras paisagens na exposi&ccedil;&atilde;o do acervo pessoal de M&aacute;rio de Andrade</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">Mas poucos s&atilde;o assim espec&iacute;ficos e se ligam diretamente ao legado liter&aacute;rio do autor. O professor de &ldquo;G&ecirc;neros H&iacute;bridos&rdquo; do IEB e poeta Fernando Paix&atilde;o aponta ser dif&iacute;cil e at&eacute; perigoso fazer rela&ccedil;&otilde;es &ldquo;mec&acirc;nicas, autom&aacute;ticas, entre um quadro e uma obra&rdquo; do escritor - ou seja, dizer que Andrade escreveu um certo conto porque possu&iacute;a um determinado quadro. Mas o que se pode fazer, e justamente o que encanta na exposi&ccedil;&atilde;o, &eacute; poder buscar associa&ccedil;&otilde;es livres, elementos comuns, ligar de alguma maneira subjetiva e pr&oacute;pria cada um os textos &agrave;s outras artes - a S&atilde;o Paulo urbana de&nbsp;<em>Paulic&eacute;ia Desvairada</em>&nbsp;(cuja capa, feita por&nbsp;<strong>Di Cavalcanti</strong>, tamb&eacute;m est&aacute; exposta) com a cidade que aparece ao fundo do retrato do autor feito por<strong>&nbsp;Zina&nbsp;</strong><strong>Aita</strong>, ou a natureza presente em&nbsp;<em>Macuna&iacute;ma</em>&nbsp;com artefatos r&uacute;sticos, m&iacute;sticos.<br /></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/2728132.jpg?320" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:0;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">O M&aacute;rio de Zina Aita inserido na S&atilde;o Paulo desvairada</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">Al&eacute;m disso, v&aacute;rios quadros nos revelam pequenos segredos de M&aacute;rio, al&eacute;m da amizade que ele tinha com outros artistas.&nbsp;<em>M&aacute;rio de Andrade na Rede</em>, por&nbsp;<strong>Lasar Segall</strong>, lembra a "lenda" da cria&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<em>Macuna&iacute;ma</em>&nbsp;- deitado em uma rede, teria criado o romance em apenas seis dias. Obras de&nbsp;<strong>George Biddle</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>C&acirc;ndido Portinari</strong>&nbsp;cont&ecirc;m dedicat&oacute;rias ao autor: em&nbsp;<em>Paisagem com barco e veleiros</em>, Portinari grava: "Para o M&aacute;rio amigo." Mais gostoso ainda &eacute; ler a carta datilografada e cheia de desenhos de C&iacute;cero Dias ao amigo, na qual lhe faz elogios, cria e cita versos, e nos deixa vislumbrar uma intimidade que os livros de hist&oacute;ria muitas vezes n&atilde;o mostram. M&aacute;rio era conhecido por suas missivas, que vieram aos olhos do p&uacute;blico ap&oacute;s sua morte &ndash; Manuel Bandeira, Fernando Sabino e outros publicaram cole&ccedil;&otilde;es de cartas que cont&ecirc;m milhares de M&aacute;rios diferentes e complementares.<br /><br />H&aacute; paisagens - mas n&atilde;o s&oacute; elas - de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Lasar Segall, Ismael Nery e C&iacute;cero Dias. Todos aqueles nomes que se ouve na escola quando se estuda a Semana de 22 reunidos ali, nas paredes brancas do Espa&ccedil;o Martha Rossetti. O modernismo brasileiro atravessando as p&aacute;ginas de M&aacute;rio de Andrade e sendo refletido nos quadros de seu acervo pessoal. O M&aacute;rio na rede, estampado em linhas pretas em uma das paredes da Sala, parece apreciar as obras de seus contempor&acirc;neos e amigos.&nbsp;<em>"Ai, que pregui&ccedil;a!"</em></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Enquanto isso, na nova livraria mais perto de você...]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/10/post-title-click-and-type-to-edit.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/10/post-title-click-and-type-to-edit.html#comments]]></comments><pubDate>Tue, 20 Oct 2009 19:02:48 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/10/post-title-click-and-type-to-edit.html</guid><description><![CDATA[por Alexandre Dall'ara [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(140,135,135); FONT-STYLE: italic">por Alexandre Dall'ara</SPAN></div><span  style=" z-index: 10; position: relative; float: left; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/6563930.jpg?200x149" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;"></div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; display: block; ">Para aqueles pobres mortais, como eu, que n&atilde;o podem folhear prazerosamente os livros da &ldquo;Shakespeare&amp;Co&rdquo; (lend&aacute;ria livraria parisiense) ou, mais realista, gastar os cr&eacute;ditos do seu bilhete &uacute;nico de estudante e/ou o tempo de uma leitura obrigat&oacute;ria indo at&eacute; uma das belas livrarias da Av. Paulista, surge, na cidade universit&aacute;ria, uma promissora alternativa.<br /><br />O espa&ccedil;o desenhado pelo arquiteto Paulo Bruna se destaca em meio aos arredores uspianos e ao pr&oacute;prio pr&eacute;dio da antiga reitoria - um tanto quanto, digamos...saudoso da &uacute;ltima pintura? -, cujo primeiro andar a livraria ocupa. Entre o estacionamento da pra&ccedil;a dos bancos, a pra&ccedil;a do rel&oacute;gio e o CTR (departamento de televis&atilde;o, r&aacute;dio e cinema da ECA), a nova instala&ccedil;&atilde;o abrigar&aacute; ainda um caf&eacute; - sem previ&ccedil;&atilde;o de inaugura&ccedil;&atilde;o.</div><hr  style=" clear: both; width: 100%; visibility: hidden; "></hr><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/850796.jpg?400x265" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;"></div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; ">A livraria&nbsp;<em><strong><span style="FONT-SIZE: medium">Jo&atilde;o Alexandre Barbosa</span></strong></em>, inaugurada pela <a href="http://www.edusp.com.br/" target="_blank">Edusp</a> no &uacute;ltimo dia 8, leva o nome do <a href="http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2006/jusp772/pag20.htm" target="_blank">professor aposentado da FFLCH</a>, de origem pernambucana, falecido no dia 3 de agosto de 2006, que ocupou a presid&ecirc;ncia da Edusp.&nbsp;<br /><br />O espa&ccedil;o foi todo reformado para abrigar a&nbsp; loja com um acervo de mais de oito mil e quinhentos t&iacute;tulos da &aacute;rea de humanas. Esses t&iacute;tulos, de acordo com uma funcion&aacute;ria, privilegiam publica&ccedil;&otilde;es de docentes da universidade e editoras pequenas, sem excluir as maiores, entretanto. Edi&ccedil;&otilde;es de outras &aacute;reas, como ci&ecirc;ncias exatas, por exemplo, ser&atilde;o adicionados futuramente.</div><span  style=" float: right; z-index: 10; position: relative; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/965642.jpg?274x181" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 0px; border-width:1px;padding:3px;" alt="Picture" class="galleryImageBorder" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;"></div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; display: block; ">A &aacute;rea externa ganhou uma nova pra&ccedil;a, com agrad&aacute;veis bancos e jardim, que servir&aacute; para exposi&ccedil;&otilde;es. J&aacute; est&aacute; prevista, de acordo com o professor Pl&iacute;nio Martins Filho, presidente da Edusp, uma mostra sobre os &ldquo;Fundadores da USP&rdquo; com imagens e biografia dos professores fundadores da universidade e dos primeiros alunos formados.<br /><br />A livraria ocupava anteriormente o centro de viv&ecirc;ncia, junto com a farm&aacute;cia, em frente &agrave; reitoria. Esse espa&ccedil;o, hoje fechado, tamb&eacute;m tem previs&atilde;o de reforma para voltar a funcionar e agregar-se &agrave;s outras quatro lojas na cidade universit&aacute;ria (Biom&eacute;dicas, Educa&ccedil;&atilde;o, Geografia/Hist&oacute;ria e Polit&eacute;cnica). Todas elas, por&eacute;m, s&atilde;o de tamanho menor se comparadas &agrave; <em>Jo&atilde;o Alexandre Barbosa</em>&nbsp;e classificadas como pontos de venda pelo presidente da editora.&nbsp;<br /><br />A Edusp conta tamb&eacute;m com uma livraria no centro (no espa&ccedil;o Maria Ant&ocirc;nia), com tr&ecirc;s mil t&iacute;tulos, e outras cinco distribu&iacute;das pelos outros campi da USP, cada uma delas com um acervo em torno de mil t&iacute;tulos.</div><hr  style=" visibility: hidden; width: 100%; clear: both; "></hr>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Através do espelho: Guimarães Rosa]]></title><link><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/10/atravs-do-espelho-guimares-rosa.html]]></link><comments><![CDATA[http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/10/atravs-do-espelho-guimares-rosa.html#comments]]></comments><pubDate>Wed, 07 Oct 2009 00:00:00 -0800</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.revistaescarlate.com/1/post/2009/10/atravs-do-espelho-guimares-rosa.html</guid><description><![CDATA[por L&iacute;via FurtadoEntre os símbolos qu [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(140,135,135); FONT-STYLE: italic">por L&iacute;via Furtado</span></div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/7868281.jpg?343x57" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border: 1px solid black;" alt="Picture" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">Entre os s&iacute;mbolos que representam o conto 'O espelho', est&atilde;o os de infinito e sublima&ccedil;&atilde;o (primeiro e &uacute;ltimo).</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; "><LINK href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"><LINK href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"><LINK href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml">Guimar&atilde;es Rosa era leitor de Plotino. Essa foi apenas uma das descobertas que o estudante da Poli, Henrique Primon, fez ao frequentar pela primeira vez a roda de leitura no IEB da qual ouvira falar atrav&eacute;s de uma amiga. Ele n&atilde;o sabia muito bem o que esperar, e foi sem muito jeito que chegou ao sagu&atilde;o do Instituto, onde encontrou um aglomerado de pessoas e decidiu que devia estar no lugar certo.<br /><br />O acaso pode ter muita influ&ecirc;ncia no curso de uma mat&eacute;ria. Essa foi apenas uma das descobertas que a jornalista L&iacute;via Furtado fez ao escrever sobre a roda de leitura no IEB da qual ouvira falar atrav&eacute;s de um amigo. Entrei na hist&oacute;ria muito assim por acaso - Henrique comentou sobre as leituras comigo porque n&atilde;o havia visto na agenda da Escarlate. <br /><br />Literatura? Guimar&atilde;es? Vou com voc&ecirc;. Mas n&atilde;o poderia, de fato, ter sido de outro modo - n&atilde;o h&aacute; hist&oacute;ria do autor de Sagarana que n&atilde;o envolva um m&iacute;nimo de m&iacute;tico, tendo o destino grande papel em suas obras. </div><span  style=" z-index: 10; float: left; "><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/3417082.jpg?155x235" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border: 1px solid black;" alt="Picture" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;">Tema da vez na roda.</div></span><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; display: block; "><LINK href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"><LINK href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"><LINK href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml">N&atilde;o sab&iacute;amos muito bem o que esperar, mas logo ficamos &agrave; vontade - &eacute; imposs&iacute;vel ficar retra&iacute;do quando algu&eacute;m lhe oferece doce e cacha&ccedil;a, l&aacute; de Minas, vamos, experimentem. &Eacute; toda ter&ccedil;a &agrave; noite, das 18 &agrave;s 20 horas, que as reuni&otilde;es acontecem em uma sala do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, explica Rosa Haruco Tane, a &ldquo;rosiana&rdquo; quem organiza as discuss&otilde;es. O espa&ccedil;o foi conseguido gra&ccedil;as ao ex vice-diretor do IEB, Dieter Heidemann, o qual participa do grupo, mas Rosa deixa claro desde o in&iacute;cio que &ldquo;a gente n&atilde;o tem nenhum intuito acad&ecirc;mico. &Eacute; s&oacute; um encontro de amigos apaixonados por Guimar&atilde;es,&rdquo; e que, infelizmente, n&atilde;o &eacute; toda semana que tem tanta comida assim n&atilde;o (algumas mulheres entram na sala trazendo salgados e doces, que ser&atilde;o devorados mais tarde). A hist&oacute;ria come&ccedil;ou h&aacute; cinco anos, como forma de manter contato entre um grupo de amigos, e continua at&eacute; hoje, &ldquo;fa&ccedil;a chuva ou fa&ccedil;a sol.&rdquo;<br /><br />Rosa d&aacute; voz ao palestrante do dia, Andr&eacute; Cordeiro. Simp&aacute;tico, o doutor em literatura, que fez sua tese baseada na compara&ccedil;&atilde;o das obras do pintor paraense Ismael Nery com o poeta Murilo Mendes, nos traz &ldquo;<EM><SPAN>Narciso refletido: sobre um conto de Guimar&atilde;es Rosa e um desenho de Ismael Nery</SPAN></EM><SPAN>&rdquo;</SPAN>, an&aacute;lise de &ldquo;O espelho&rdquo; com base nas pinturas de Nery e na obra do fil&oacute;sofo Plotino. Este, neoplat&ocirc;nico, trata do Uno &ndash; que equivale, no cristianismo, a Deus -, relacionado ao &ldquo;mundo das ideias&rdquo; de Plat&atilde;o.<br /></div><hr  style=" width: 100%; clear: both; visibility: hidden; "></hr><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/633716.jpg?209x277" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border: 1px solid black;" alt="Picture" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">'Croqui...': obra que deu t&iacute;tulo &agrave; an&aacute;lise</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; "><link href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"><link href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"><link href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"> &ldquo;O espelho&rdquo; narra, justamente, a hist&oacute;ria de um homem que um dia v&ecirc; em seu reflexo um monstro e, assustado, come&ccedil;a a se procurar em todo espelho pelo qual passa. Ele analisa sua pr&oacute;pria imagem e vai desfazendo suas &ldquo;m&aacute;scaras&rdquo; uma a uma, a procura de seu verdadeiro &ldquo;eu&rdquo;. At&eacute; que, um dia, n&atilde;o v&ecirc; mais nada, nem seus olhos. Mais tarde, aparece &ldquo;o t&ecirc;nue come&ccedil;o de um quanto como uma luz, que se nublava&rdquo; (p. 120). Como se o homem da caverna de Plat&atilde;o de repente visse a ideia de homem, a &ldquo;homidade&rdquo;, como se a personagem atingisse o Uno. <br /><br />  As imagens de n&oacute;s mesmos s&atilde;o tema central tamb&eacute;m das obras de Nery. Em &ldquo;<em>Croqui para o retrato da Sra. Adalgisa Nery</em>&rdquo;, a mulher do pintor se olha no espelho e v&ecirc; ali a imagem do marido. Os auto-retratos de Nery, reflexos de um narcisismo exacerbado, mostram o pintor sob &oacute;ticas diferentes, como m&aacute;scaras distintas sob as quais ele poderia ser visto.<br />  </div><div ><div style="text-align: center;"><a><img src="http://www.revistaescarlate.com/uploads/2/8/0/3/2803871/4223541.jpg" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 10px; border: 1px solid black;" alt="Picture" /></a><div style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px;">Auto-retratos do pintor, entre eles o M&iacute;stico e o Sat&acirc;nico (1 e 3, em cima).</div></div></div><div  class="paragraph" style=" text-align: justify; "><link href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"><link href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"><link href="file:///C:%5CUsers%5CLVIA%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml">     Sentados lado a lado, todos podiam falar e cada um via nas obras algo pr&oacute;prio. Os quadros de Nery, por exemplo: n&oacute;s vemos em n&oacute;s os outros, nos vemos nos outros? A mulher v&ecirc; sua rela&ccedil;&atilde;o com o marido como parte mais importante dela &ndash; teria &ldquo;Croqui&rdquo; um lado machista? Qual seria o pintor de fato &ndash; o anjo, o dem&ocirc;nio, a mulher, o homem? Nenhum &ndash; ou todos? A personagem, o pintor, os homens, todos com diversas facetas e podendo ser representados de in&uacute;meras maneiras. O mais interessante da roda &eacute; ver, justamente, as interpreta&ccedil;&otilde;es que cada participante faz das obras analisadas &ndash; come&ccedil;am a ser percebidas novas rela&ccedil;&otilde;es, como com Fernando Pessoa e seus diversos heter&ocirc;nimos. <br /><br />  Poesia, prosa, artes pl&aacute;sticas. A compara&ccedil;&atilde;o de diferentes tipos de manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas mostra que anseios parecidos podem ser demonstrados de maneiras diferentes. O poder da arte, entretanto, &eacute; justamente fazer esse algo t&atilde;o &iacute;ntimo, &ldquo;meu&rdquo;, ressonar nos outros e comunicar-se com eles, em um processo cont&iacute;nuo de constru&ccedil;&atilde;o de significados. As obras n&atilde;o t&ecirc;m um sentido fixo, fechado - a cada leitor, a cada um que as v&ecirc;, esse sentido se refaz, se reconstr&oacute;i, se modifica. <em style="">Nos</em> modifica &ndash; ningu&eacute;m sai igual depois da roda de leitura. A arte &eacute; um espelho no qual nos procuramos e acabamos perturbados com o que encontramos. O conto de Guimar&atilde;es termina com uma pergunta, fica em aberto, esperando nossas pr&oacute;prias respostas. Perturbe-se &ndash; vale a pena.<br /><br />  </div><div  class="paragraph" style=" text-align: left; "><font size="1"><span style="font-style: italic;">As imagens das obras de Ismael Nery foram retiradas do cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o: </span><strong style="font-style: italic;">Ismael Nery 100 anos: a po&eacute;tica de um mito</strong><span style="font-style: italic;">. S&atilde;o Paulo / Rio de Janeiro, 2000.</span></font></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>

