Emoções aquareláveis 21/10/2009
por Christiane Silva Pinto Simplicidade é tendência na maioria dos museus modernos e no Centro Universitário Maria Antônia não seria diferente. A sala era arejada, com paredes grandes e enormes janelas que deixavam a claridade entrar, iluminando a exposição de forma leve e natural. Esta foi a sexta edição do IlustraBrasil! evento que ocorreu entre os dias 14 de setembro e 16 de outubro e teve como objetivo abrir espaço para a discussão sobre o desenho publicado no Brasil. Além da exposição, com ilustrações de 104 artistas membros da Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB), o evento contou com uma série de palestras sobre o assunto. A grande sala, neutra, nos dava a impressão de que a tudo observava, porém sem dar pitacos, sem se intrometer nos pensamentos que nos vinham à cabeça ou interferir nas impressões que levaríamos daquelas obras. ![]() 'Monanelore' de Gilberto Marchi E se as paredes eram neutras, o conteúdo explodia em cores e emoções. Uma ilustração gritava mais alto que a outra tentando atrair olhares. Cada uma vivia num universo particular, um mundo só dela que não era construído com tijolo e cimento, mas com nanquim e outras tantas vezes com guache. Muitas se valiam de uma ajudinha da tecnologia na construção dos seus mundinhos, como o Photoshop e o Illustrator, por exemplo, mas isso nãos as fazia melhores nem piores que aquelas feitas à mão, com lápis de cor ou aquarela. ![]() Com caneta BIC por Carlos Machado E todas essas ilustrações eram vizinhas e conviviam bem. Aquelas mais ousadas, feitas com técnicas como a colagem ou até mesmo o Grafite, sorriam largamente para a vizinha mais tradicional, desenhada com uma simples caneta “BIC”. Algumas vezes, aquelas vizinhas mais extravagantes (porque toda vizinhança tem a sua), reuniam tudo de uma só vê: nanquim, aquarela, colagem, Illustrator... Delas se dizia que foram feitas com uma tal de técnica mista. ![]() de Carlos Meira O mais engraçado é que cada obra, assim como cada pessoa, tinha sua missão, tinha um propósito quando foi feita pelo ilustrador. Ilustrar um livro, um álbum de figurinhas, uma história infantil ou um jornal; anunciar uma grife de roupas ou de sapatos; fazer rir, como uma caricatura; orientar, como um mapa; informar, no caso de um cartaz; falar de música, de futebol, de sexo, do dia-a-dia; defender uma causa; marcar a história, como um quadro do Obama; mostrar a cultura popular, o samba, o negro, o cangaço; ou simplesmente ilustrar a vida, nos fazendo parar por alguns minutos (ou menos) e viajar. Não nos damos conta de como as ilustrações fazem parte de nossas vidas: no jornal, numa propaganda, em embalagens. Sempre presentes, esses desenhos não só contam a história do nosso tempo, como também enchem nossas vidas de graça e cultura. Se você ficou interessado, entre no site do IlustraBrasil!. Lá você vai encontrar um pouco mais sobre o que aconteceu no evento como as palestras, ver fotos e, ainda por cima, as 104 ilustrações que estavam expostas. CommentsLeave a Reply | "A arte saiu da caverna e caminha em direção ao divino. É o Deus que há em nós, a grande mola que propulsiona o homem para a frente e para cima."
(Olga Savary) Gostou?Já passou
July 2010 Categorias |









RSS Feed