Pintores de um tempo 11/11/2009
por Camila Camilo Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado com orientação de críticos estrangeiros e brasileiros, adquiriram um grande número de obras da vanguarda do séc. XX. Este foi o princípio de um acervo que neste ano da França no Brasil, está exposto no MAC Cidade Universitária até dia 31 de janeiro. Lá estão ícones que pintaram o período marcado pela indústria e pela urbanização, o mesmo do nascimento do sentimento efetivo da tecnologia como parte da vida das pessoas, em especial devido às duas grandes guerras. Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais, a arte moderna engloba as vanguardas européias do começo do séc. XX, assim como “o deslocamento do eixo da produção artística de Paris para Nova York, após a Segunda Guerra Mundial”, e parte importante do expressionismo abstrato.Temos que confessar que muitos não costumam gostar de arte abstrata. Nossos olhos, desacostumados à pausa, querem saber de imediato. E uma obra com traços que parecem em movimento, ou que trabalha com dimensões sobrepostas, exige pausa. Ela não te conta tudo de uma vez. A crítica comum é que obras assim não dizem nada. Dizem sim, muita coisa. E uma das mais bacanas esta em sua própria história: é a ruptura com os temas clássicos e com a forma, até então estabelecida como certa, de fazer arte e produzir sentido por meio dela. Além disso, os artistas deste período não viam a pintura da maneira tradicional. Para eles, ela não deveria ser a cópia da natureza, mas algo que transcendesse os limites da representação pura e simples. Eram nobres senhores de um novo tempo, com ritmo e clima diferentes, que não poderiam escapar da arte, esta forma mentirosa tão fiel em dizer a verdade. Georges Braque, um dos precursores do Cubismo, dizia que não se imita aquilo que se quer criar. E falando nele, vamos à exposição, onde está suaNatureza Morta de 1963. Não pense que se trata de uma natureza morta padrão. Nada de vegetais e jarros adornados. Os elementos, em tons de acre, intercalam o orgânico com o moderno. Como um jornal, hábito matutino típico dos homens da era industrial. Há dois bons exemplares de obras que instigam a visão. Você se pega tentando decifrar mais, achando que tem alguma coisa escondida que ainda falta descobrir. São elas: Uma mulher feliz de Francis Picabia, e Namorados no Café de Roger Chastel. Há também obras de pintores reconhecidos como Matisse, Chagal e Kandisky. E não há dúvida de que sempre vale a pena ver os clássicos. Mas confesso que a visita vale mesmo a pena por dois homens pra lá de fabulosos: Fernand Léger e ele, Picasso. Léger tem uma história interessante. Começou no abstracionismo (se você é apaixonado por arte abstrata, seu motivo para a exposição valer a pena é a sala onde estão obras da Galeria Denise René). Iniciou uma estética na qual motores, engrenagens, trilhas e locomotivas se integravam com pessoas na sociedade da técnica. Foi ao purismo de remover as camadas decorativas cubistas, adotando cores uniformes e o contorno do preto em temas figurativos. E após a II Guerra, passou a pintar os detritos industriais deixados na natureza e que se misturavam com ela. É aí que eu quero chegar: em O Vaso Azul de 1948. Agora, se você for no Mac até dia 31/01 para ver a exposição, pare no meio da primeira sala. Tem um quadro que, creio eu, vai chamar mais sua atenção. E vale muito a pena ir lá só para vê-lo. O plural de uma só pessoa te olha em branco e preto. E aí a gente pode pensar que talvez não seja só passar mais de uma dimensão para o plano, mas também mostrar mais de uma faceta da mesma pessoa, simultaneamente. Além disso, convenhamos, não é todo dia que se vê uma obra com aquela assinatura, aquela cujo próprio autor dizia que fazia qualquer coisa valer um milhão, quando falava dos valores distorcidos da nossa sociedade, tão ciosa das aparências e tão despreocupada com o conteúdo. Cá entre nós, conteúdo não é problema dele. Pablo Picasso está lá, com Figuras de 1945. CommentsKarin Salomão 13/11/2009 6:55pm
Tem mais uns painéis expostos, lá. Um com linhas todas em neon. Fiquei um tempão olhando aquele painel imenso, imaginando mil coisas.
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Camila Camilo 20/11/2009 7:30am
Sim, Karin. Há um painel imenso logo na entrada que é lindo!
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Leave a Reply | "A arte saiu da caverna e caminha em direção ao divino. É o Deus que há em nós, a grande mola que propulsiona o homem para a frente e para cima."
(Olga Savary) Gostou?Já passou
July 2010 Categorias |






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