Plumas entre concreto e buzina 02/12/2009
por Denise Eloy Num cenário paradoxal, a exposição Beleza e Saber – Plumária Indígena terminou nesse domingo, 29, sua passagem no Conjunto Nacional, na movimentada Avenida Paulista. Lá, encontrei o artesanato original dos variados povos indígenas. Era cada coisa tão bem trabalhada, tão minuciosamente talhada... A exposição estava organizada em dois módulos: um discorria sobre a importância social daquele artesanato. O outro falava dos próprios aspectos tecnológicos de se produzir aquilo e que diferenças se encontravam naquela arte. Imergi na exposição pela parte dos estojos. Estojos? Sim. Estojos de madeira em que se guardam as mais diferentes penas, plumas e adornos. Uns compridos e cilíndricos, outros menores e mais quadrados. Absolutamente tudo à mão. Fui passando pelas tribos – 21 no total – e pelos seus ornamentos. Eram ombreiras, grinaldas, pulseiras, brincos, cintas, narigueiras, colares, coroas... Uma série de trabalhos que devem ter diferenças profundas de uma tribo à outra, mas que, para mim, representavam a beleza de uma cultura rica e misteriosa. Os nomes pretos nas paredes vermelhas diziam àqueles que visitavam que tribo era responsável pelos ornamentos apresentados. Logo na entrada, um mapa localizava esses povos em terras brasileiras. Escuto de um visitante: “Darcy Ribeiro ia exaltar essa exposição...” Entre Guarani, Kayapó, Tukáno, Parintintín, eu encontrava os detalhes de cada adorno. Cada um tem funções próprias e está inserido nas sociedades indígenas não como um acessório, mas com um propósito que já vem na essência. As plumárias, por exemplo, representam crenças e posições sociais. E há colares que só homens com determinada característica podem usar. A perfeição dos elementos é inacreditável. São plumagens e penas de papagaios, tucanos, araras, garças e certos gaviões. Havia objetos pequeninos e grandes coroas redondas, com cristas, e os chamados grampos, espécie de lança grande e enfeitada. As flautas mostravam-se em formas diversas e uns modelos sem rosto exibiam diversos elementos ao mesmo tempo, como se fosse a vestimenta dos índios. Tudo isso logo ali, num lugar tão movimentado e urbano, essa arte tão desconhecida por nós abriu-se aos meus olhos. Minha atenção não foi presa através de imagens rápidas, tecnologias avançadas, nem telas de cinema. O que move quem entra lá dentro são as cores e a simplicidade - aparente simplicidade. Escuto, por fim, uma mãe, que mostra à sua filha um dos adornos: “Olha que lindo, filha!” Lindo de verdade. CommentsLeave a Reply | "A arte saiu da caverna e caminha em direção ao divino. É o Deus que há em nós, a grande mola que propulsiona o homem para a frente e para cima."
(Olga Savary) Gostou?Já passou
July 2010 Categorias |



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