“Passei e parei” pra ver o choro cantar 23/03/2010
“Estava a toa na vida, O meu amor me chamou Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor. A minha gente sofrida Despediu-se da dor Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor” ![]() Apesar de essa música não ser um choro, é com ela que começo a matéria. O ambiente proporcionado pela roda de choro simplesmente atraiu quem estivesse a toa, por perto, pra aproveitar a descontração. Patrões, empregados e desempregados se uniram num mesmo patamar: o dos amantes de música. Até feanos atribulados pararam para ouvir. “Passei e parei”. Foi por esse simples motivo que a roda foi enchendo de gente. Misturada a cerveja e risadas, a música foi crescendo e tomando conta dos ouvintes. O som vivo que saía dos instrumentos não mais parecia ser feito pelos instrumentistas; antes, era uma música guiada pela própria música e pela necessidade de alegria. ![]() Apesar do nome, o ritmo é normalmente agitado, alegre, rápido. Alguns espectadores arriscaram uns passos de dança, outros gargalhavam durante algum solo de instrumento particularmente bom. A flautista e o tocador de acordeom trocaram goles de cerveja; o público compartilhou tragadas de cigarro. Ou seja, tipicamente ecano. Tipicamente brasileiro. É considerado a primeira música popular urbana típica do Brasil. Surgiu como uma abrasileiração de ritmos europeus como xote, valsa, polca, em meados de 1870 no Rio de Janeiro. No início, era apenas uma forma mais emotiva de tocar aquelas músicas, de onde provavelmente surgiu o nome Choro.O choro está vinculado à roda. O sonho de Tomas Bastos, um dos idealizadores do projeto, é gerar um ambiente que incentive as pessoas a participarem, a tocarem ou a simplesmente pararem para ouvir. Ele pensa a roda como um lugar de tocar e trocar. Tocar música, alegrias e vidas. Trocar conhecimento, partituras, momentos à toa. Não há, no Departamento de Música, quem se denomine Chorão. O estilo não é tão difundido e enraizado na cultura acadêmica. Talvez por ser típico de bares e saraus. Porém já havia, faz alguns meses, um grupo de choro nas dependências do departamento. Eles se reuniam para ensaiar. Mas onde apresentar? Foi para responder a pergunta que surgiu a roda de choro. Pedro Bruschi, também parte do núcleo fundador, pretende introduzir a roda como uma atividade semanal que faça parte do ciclo cultural ecano. A ideia é fazer uma atividade menos profissional e mais lúdica, que envolva os alunos e quem mais passe por perto. Em apenas uma semana, o número de espectadores e até instrumentistas dobrou. Quatro violões, dois clarinetes, um acordeom e uma flauta doce e outros: mais de dez instrumentos novos uniram suas vozes à roda semana passada. Tomas Bastos pensa em introduzir uns sambinhas cantados, mas faltam vozes para tanto.Toda terça-feira, às 18:00, na frente da vivência da ECA. 1 Comment | "O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio
- Georges Braque Gostou?Já passou
May 2010 Categorias |





