Choro & Breja 03/12/2009
por Christiane Silva Pinto ![]() Que chorinho combina com a rua, luzes e certa boemia, todo mundo sabe. Quando não no bairro do Bexiga, aqui na ECA, na Quinta & Breja, os “chorões” podem se sentir em casa. O grupo Descascando Cebola tocou ali num cantinho da vivência da ECA, na Quinta & Breja do dia 19 de novembro. Logo uma roda se formou e alguns mais animados até arriscaram uns passinhos. ![]() O grupo é composto por vários uspianos. Eduardo Nascimento, um dos integrantes, toca sax e é aluno do primeiro ano do curso de Jornalismo. Ele nos contou, por e-mail, um pouco mais sobre a apresentação, o grupo e o chorinho. Escarlate - A banda Descascando Cebola existe a quanto tempo? Eduardo - A banda começou há um ano e um teco (uns 2 ou 3 meses). ![]() E - Vocês já eram amigos e decidiram tocar juntos ou a banda fez com que vocês se conhecessem? Edu - Aí depende, porque a formação de hoje não é a original. Já tive uma banda com a Bia (flauta) e o Kyo (pandeiro) em 2006, no violão era o Kafé (que até deu uma canja com a gente na Quinta & Breja). Essa era uma banda de amigos, a gente tocava de vez em quando, só pra brincar e isso não durou muito. O Daniel (violão 7 cordas) eu conheci no ano passado, num projeto que rolou no Objetivo, e foi um achado. Ele estava começando no choro, tinha muita vontade de tocar - o que faltou bastante na primeira tentativa. A Bia me chamou pra um evento, eu chamei o Daniel e o Kyo e a banda começou aí. Diferente da primeira vez, foi a música que fez o pessoal se conhecer/voltar a tocar junto. Depois ficamos nós quatro até setembro desse ano, quando a gente trombou com o Gabriel (cavaquinho) em uma feijoada, e ele - unido a nós pela música - foi o que faltava pra banda ficar completa. E - Você comentou que o Kafé não é mais da banda, mas deu uma canja nessa apresentação. Isso costuma acontecer? vocês convidam mais gente pra tocar junto? Edu - Uma coisa legal do choro é que o mais comum é tocá-lo em roda e a gente gosta de dar essa cara pra D.C. A banda não é um microcosmo isolado do mundo. Se a gente está tocando e alguém tem um instrumento e quer tocar junto, pode entrar, e nessa a gente conhece muita gente. O Tomás, por exemplo, nunca tinha tocado com a gente até a Q&B; na outra vez que eu toquei, só o Bob tava lá. Eu nunca tinha visto o violonista ou o pandeirista na vida, a gente fez a roda, o som rolou e foi um prazer imenso ter tocado com aqueles caras. E - Edu, quando e como você começou a tocar Sax? Edu - Eu comecei em 2005, graças ao Projeto Guri do governo estadual, que é uma idéia sensacional de por um pouco de música na vida de crianças e jovens. Só pra explicar o trabalho deles, o Projeto oferece aulas gratuitas de música duas vezes por semana e empresta o instrumento para o aluno estudar. Quando eu descobri o projeto eu tocava flauta doce. Já tinha tentado tocar violão e não gostei muito da mecânica do instrumento (é a parte física da coisa, o jeito de se posicionar o corpo, mãos, dedos, etc), e sax sempre me pareceu interessante. A única coisa que eu não sabia é que existia mais de um tipo de sax, acabei ficando com o tenor por insistência do professor de sopro, André Parisi. Dizia ele ser mais versátil e bonito que o alto, tal. Depois eu descobri que o polo tava sem tenor há um tempo, e me fizerem tocar na orquestra assim que aprendi a fazer cinco notas no sax. Hoje os motivos do André me parecem um pouco duvidáveis... E - Por que chorinho? Edu - Chorinho tem muito a ver com o Guri, e creio que seja o mesmo pra Bia e pro Kyo. Meu professor era um clarinetista, chorão (é como a gente chama o pessoal que toca choro), apaixonado pelas aulas e por essa linguagem*. Ele sempre passava algo além do que a gente tocava na orquestra, quando eu comprei meu sax, fez questão que eu copiasse o songbook do Pixinguinha, chamava a gente pra ir pra roda, e esse entusiasmo dele era contagiante. A Bia era aluna dele também. O Kyo não, mas esse eu acho que foi pelo jeito mutante de ser mesmo. Antes de começar a gostar de música brasileira ele era o típico metaleiro: camisetas de banda, cabelo na altura da bunda, fazia cara de mau pra tocar flauta. O Done acho que começou no projeto que eu falei, antes ele mandava mais MPB, e o Bob é jurássico, pra mim ele SEMPRE tocou choro... *Chorinho não é um ritmo, é um jeito de tocar (linguagem) que se encaixa em vários ritmos. E - Foi a segunda vez que vocês tocaram numa Quinta & Breja. Você gosta desse clima mais descontraído? Edu - Eu gostei bastante sim, a banda também curtiu, acho que tem tudo a ver chorinho e Quinta & Breja. E - Qual é a melhor parte de tocar na Quinta & Breja: a cerveja, os amigos ou as garotas? Edu - Olha, se você perguntasse o que é legal da Q&B com certeza eu ia citar os três (risos). Mas é difícil dizer, é muito legal o clima, o público que pára e ouve mesmo, não deixa a gente só como música de fundo. Apesar de ser uma festa e a gente ter o dever de animar a coisa, existe espaço para a música boa de se OUVIR também. Só pra não fugir da pergunta, como as garotas e amigos tem em todas as Quinta & Breja's, o mais legal de TOCAR é a cerveja gelada, que faz a gente até tocar melhor! E - Vocês costumam tocar fora da USP? Sim, a gente estava tocando toda semana num bar lá no centro, o que infelizmente acabou, mas sempre que aparece a oportunidade, se for viável a gente toca. Às vezes tocamos pela cerveja, às vezes nem isso (risos). E - Você acha que na USP há espaço para que os alunos que têm banda mostrem seu trabalho? Edu - Espaço com certeza existe, só não sei se suficiente. Primeiro porque nas festas grandes vão tocar sempre bandas do velho esquema: voz, guitarra, baixo e bateria, ou é dj. Não imagino uma banda instrumental segurando a festa junina da poli, por exemplo. Também porque, de tudo que eu tive conhecimento até agora, na maior parte das vezes os próprios alunos criaram a oportunidade, com festivais como o da FEA, a roda de choro da Bio, a própria Q&B. Reduzindo para um espaço que eu conheço um pouco melhor, acho que faltam saraus na ECA, uma coisa que o pessoal fazia no ensino médio e dava certo, com certeza daria muito certo na faculdade que tem os Institutos das Artes! Add Comment | "O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio
- Georges Braque Gostou?Já passou
May 2010 Categorias |







