Da ópera ao choro 07/10/2009
por Christiane Silva Pinto O Laboratório de Música de Câmara, algo com o que os alunos de Música já estão mais do que acostumados, tornou-se a pausa do dia, a descoberta, um misto de sensações. Aconteceu ali no MAC, tão perto quanto escondido. Dia 30 de setembro, quarta-feira comum; porém ao abrir a porta, o comum logo ficou para trás e se perdeu. Pouca gente. Todos sentados assistindo atenciosamente a três alunos que se apresentavam. Eram eles: Richard Kogima ao piano, Klelya Rodrigues e Joyce de Souza cantando. Kogima concentrado no deslizar das teclas, enquanto as alunas se revezavam para interpretar canções brasileiras, além de árias e duetos de Mozart. A ópera construída pela voz das alunas somada às melodias que vinham do piano se fazia presente, forte e expressiva. Quem diria que a disputa de duas mulheres por um homem poderia se tornar tão bonita e até divertida se contada através da ópera? Sim, ela é um carrossel de emoções. ![]() Cibele e Tomás Terminada a apresentação do trio, sobe ao palco um quarteto. Era a vez de o choro entrar em cena. Cibele Palopoli na flauta, João Fideles no pandeiro e, no violão, Guilherme Sparrapan e Giovanni que não era Giovanni, mas sim Tomás, que viera substituí-lo. Pequena confusão gerada por não terem trocado seus nomes no programa da apresentação, coisa pouca. ![]() João misturando pandeiro e leveza O grupo começou com a música Flor Amorosa, de Joaquim Antônio Callado, que é considerada a primeira composição do estilo. Então tocaram Aeroporto do Galeão, de Altamiro Carrilho, que, como contou Guilherme (e depois por e-mail, o ausente Giovanni), teve como fonte de inspiração a campainha do aeroporto. Depois vieram Primeiro Amor de Pattápiio Silva, Lamentos e Um a Zero, ambas de Pixinguinha. Por fim, como não podiam deixar Jacob do Bandolim de fora, tocaram Noites Cariocas e Assanhado, clássico do chorinho. Com certeza o quarteto conseguiu trazer as noites paulistanas do Bexiga para dentro do auditório do MAC. O ar de boemia, a leveza do choro, uma roda de amigos, como o próprio grupo se mostrava. Assim como o trio que se apresentou anteriormente fez com a sala parecesse um grande teatro, daqueles por onde as mais belas óperas já passaram. Neste momento é que se prova o poder da música: levar qualquer um a qualquer lugar, elevar a alma, silenciar o pensamento, atiçar os corpos. Curiosidades (e fofocas) do choro Por e-mail, Giovanni Matarazzo, o integrante ausente, contou algumas curiosidades sobre esse estilo musical que chamamos carinhosamente de chorinho: - O nome choro vem da maneira "chorada" como as melodias são compostas. Um dos primeiros compositores a utilizar o nome choro em sua obra foi o flautista Joaquim Antônio Callado (fofoca: provavelmente namorou Chiquinha Gonzaga, pianista e compositora). - O violão de sete cordas foi introduzido no choro por um musico de nome Tute, e posteriormente utilizado por China, irmão de Pixinguinha. O instrumento é considerado de fundamental importância para o gênero para fazer o que se chama, entre os músicos, de "baixarias", ou seja, contracantos graves feitos sobre a melodia. - O bandolinista Jacob do Bandolim detestava o cavaquinista Waldyr Azevedo, autor de Brasileirinho e de Baião Delicado, considerado por Jacob na década de 50 como o fundo do poço da música brasileira (fofoca: provavelmente Jacob se via injustiçado por fazer músicas tão boas quanto as do colega e não ter a mesma visibilidade, pois não era tão "comecial"). - Certa vez, Pixinguinha foi convidado para tocar na casa de um diplomata que acabara de chegar da França. Por ser negro, fizeram com que ele entrasse pela porta dos fundos. Ao saber disso, o dono da casa se lamentou tanto que Pixinguinha compôs a música Lamentos. Quer saber como a música ficou? Assista o vídeo: CommentsEduardo 07/10/2009 5:50pm
Quanto a Lamentos, a letra fala de uma "(...)morena, tem pena mas ouve o meu lamento. Tento em vão te esquecer, mas olha o meu sofrer é tanto que eu vivo em pranto e sou todo infeliz", achei q fosse pr'uma mulata que não quis o pixinga=P
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Leandro Gouveia 10/10/2009 10:26am
Nossa, que repertório bom!
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Leave a Reply | "O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio
- Georges Braque Gostou?Já passou
May 2010 Categorias |





