Tropicalismo paulista de imigrante 07/10/2009
por Christiane Silva Pinto Quarta-feira à noite. Umas 21h15 aproximadamente. Rua Maria Antônia, 294. TUSP. Ninguém no hall de entrada do teatro. “Que estranho. Talvez seja por causa do meu atraso”, penso - o show estava marcado para começar às 21h. Balcão de informações. O simpático segurança diz que é só descer até o subsolo, virar à esquerda e depois à direita. “É só ela que vem, né? Não tem mais ninguém?”, pergunta a outro segurança, ao trancar novamente a corrente que abrira para me deixar passar. Como assim não vem mais ninguém? Não é possível! A banda está lançando o CD e só eu vou ver? Ai que vergonha, acho que vou embora... ![]() Tudo isso passou pela minha cabeça enquanto descia as escadas rumo ao auditório. Certo receio invadia todo o corpo até que empurrei as cortinas pretas. Tudo novo. A sala estava cheia, lotada; não tinha nem lugar para sentar. O som que chegou aos meus ouvidos era novo, era outro. E o cenário, ah, o cenário era lindo. A decoração era vibrante; luzes e cores que acertavam em cheio nossos olhos. E no meio e tudo isso, a banda, Dr. Morris e os Vivos. ![]() Sentada na escada, observava tudo. Prestava atenção em cada música, cada gesto, cada frase, cada reação do público. O som transitava por vários estilos, do ska ao samba-rock passando pelo drum’n bass e flamenco, sendo definido pelo próprio artista como tropicalismo paulista de imigrante. Muito boa a definição. Aquele tipo de coisa que só encontramos nas noites paulistanas. “É impressão minha ou essa música tem uma pegada árabe, uma coisa assim do deserto?” Genial. ![]() A cada minuto que passava sentada ali naqueles degraus fui ficando meio fã, confesso. Adeus objetividade jornalística! Deu uma vontade de ter ido a todos os outros shows da banda. Já era dia 30 de setembro, a última apresentação. Eles estavam em cartaz no TUSP com o lançamento do CD “5” desde o dia 02, se apresentando todas as quartas, cada semana com convidados diferentes. Cada música fazia com que viajássemos a um lugar diferente e que tivéssemos impressões e emoções diferentes. Do bolero ao samba, letras em espanhol, em português e em qualquer outro idioma que nos fizesse entender que a música é livre, não tem limites. Prova disso era a presença da galera da Maracujá Laboratório de Artes, que fazia intervenções visuais enquanto a banda tocava, além do DJ que também dava seu toque especial. ![]() Crianças dançando O som era tão contagiante que logo todos foram se sentindo à vontade. As crianças resolveram mostrar a que vieram e começaram a dançar. Com a espontaneidade que só elas têm, fizeram sua roda de ciranda ali no palco mesmo. E quem é que ia achar ruim? Algo tão bonito, tão verdadeiro que as mães, ao invés de dar bronca e as mandar sentar, levantaram e se juntaram a seus filhos, sambando e dançando também, crianças de novo. Mais duas músicas e o show acabou. “Ah, logo agora que eu já estava levantando para dançar também?!” Eles agradeceram, saíram, fizeram aquele charminho e voltaram para cantar a última música. Bota Água com participação do convidado Junio Barreto. Agora sim, acabou mesmo. Saio com aquela sensação de noite bem aproveitada e com um plano na cabeça: chegar em casa, entrar na internet e baixar todas as músicas da banda. Quer escutar algumas músicas do Dr. Morris e os Vivos? Veja os vídeos: CommentsLeave a Reply | "O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio
- Georges Braque Gostou?Já passou
May 2010 Categorias |







