Romance e Tarantela 24/05/2010
Tem dias que parece que vai dar tudo errado. Você levanta com o pé esquerdo, não acha um pé da meia, deixa o leite ferver e derramar. O chuveiro queima na hora de tomar banho logo quando você está saindo de casa atrasadíssimo. O dia estava com essa cara: cara de avesso, de tudo ao contrário, de tudo errado. Rogério Shieh estava apreensivo do lado de fora do auditório no departamento de música na ECA. A sala reservada para o recital estava ocupada. O atraso já passava de meia-hora e os músicos estavam nervosos. Enquanto isso, alguns aguardavam no jardim do departamento, aproveitando o sol fraco daquela manhã fria. ![]() Depois de aproximadamente 45 minutos de espera, o que para Rogério durou uma eternidade, todos puderam entrar no auditório e conferir o que a dupla de músicos tinha preparado. Pedro Sperandio, no piano, e Rogério Shieh, no Cello, apresentaram o prorama da apresentação: Romance e Tarantella de Alberto Nepomuceno, Kol Nidrei, op.47 de Max Bruch, Sonata para violoncelo e piano em Ré menor de Claude Debussy, 5 Stücke im Volkston, op.102 de Robert Schumann e finalizaram com Polonaise Brillante, op.3 de Frédéric Chopin. Num clima intimista, os dois começaram a tocar. Nem sei se podemos chamar de "tocar" o que os músicos fazem. Na verdade é algo mais parecido com mágica, ou talvez esse seja outro nome para música. Quando Rogério e Pedro começaram a tocar a primeira música do repertório, Romance e Tarantela, um misto de sensações invadiu a sala. Forte e fraca, rápida e divagar, firmeza e suavidade numa combinação de opostos e intensidades. ![]() Logo depois a ópera de Max Bruch mudou a atmosfera da sala. Bruch é um compositor alemão e essa ópera foi inspirada numa oração judaica que fala de perdão. Mais densa e profunda, a composição trouxe piano e cello em perfeita sintonia. Apesar da harmonia, Rogério disse que ele e Pedro não tinham ensaiado muito, mas acho que era modéstia da parte do músico. A Sonata para violoncelo e piano em ré menor de Debussy vem acompanhada de uma nota: foi a última composição antes de sua morte e é composta em 3 movimentos. Rogério e Pedro executaram todos os movimentos brilhantemente, até chegarem a 5 Stücke im Volkston, op.102 de Robert Schumann e finalizarem com Chopin. Nem parece que há pouco tempo atrás estava dando tudo errado. Acho que o tempo virou. CommentsDaniele CharĂ£o 11/06/2010 6:40am
Encontrei essa postagem sobre esses dois músicos incríveis que tive o prazer de assistir. Seria impossível não comentar que são, realmente, dois mágicos em seus respectivos instrumentos. MERDA para eles!
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23/02/2011 10:00pm
When a friend is in trouble, don't annoy him by asking if there is anything you can do. Think up something appropriate and do it.
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Leave a Reply | "O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio
- Georges Braque Gostou?Já passou
May 2010 Categorias |





