Palco das sensações 02/12/2009
Por Alexandre Dall'Ara Não espere ação dramática. Os conflitos não aparecerão e as falas não se constituem em diálogos. As senhoras no palco, entretanto, proporcionam um espetáculo diferente, surpreendente. Impossível não se sentir na casa da vó, mais precisamente na varanda daquelas casas de interior onde as senhoras se encontram pela tarde para conversar, tricotar... Mas esse tempo é distante, assim como o interior também o é para muitos. Para outros, as avós é que não são mais presentes. E aí parece residir a sutileza da peça. Ela nos traz um tempo que não nos pertence, talvez nunca nos tenha pertencido, mas do qual, mesmo assim, temos saudades. Ela preenche tão bem o imaginário dos finais de semana de nossa infância, quando ficávamos (ou não, pouco importa se essa lembrança é real ou inventada, sonhada, induzida) na casa da vovó e tudo era diferente. O sorvete antes da refeição podia, bagunça podia, sujar-se podia. A montagem se mostra, ao contrário do que se esperaria de uma peça com elenco de senhoras atrizes amadoras, inovadora. Isso porque ao invés do tradicional drama vemos em cena seqüências performáticas em que as atrizes representam não um discurso, mas um estado de espírito, uma noção muito mais complexa sobre o significado de ser velha, das experiências que brotam de seus olhares através dos movimentos com as cadeiras, através da coreografia. Entretanto, a cena, lá pelo fim do espetáculo, em que elas de fato contam divertidas histórias vem acalmar o desconforto - saudável e prazeroso para alguns, incômodo demais para outros, talvez – causado pela forma não-convencional. Cena que envolve a platéia e assim mostra-se mais acessível, mais comunicativa, mesmo que não necessariamente mais rica do que as outras. Add Comment | "Há casos em que o teatro, como meio de reunião pública, ainda pode veicular uma percepção aguçada acerca da injustiça, demandando tolerância e compreensão."
- Hans-Thies lehmann Gostou?Já passou
May 2010 Categorias |



