Nada mais aristotélico do que uma palhaça 23/03/2010
"De mim, conto. Como é que se pode gostar do verdadeiro no falso?" ![]() Como juntar física quântica, neurociência e a tradicional arte do palhaço? Pergunte à Melissa Panzutti. Ex-aluna do CAC, formada em 2002, Melissa surpreendeu o público que esperava para assistir a mesa redonda “Artes do Espetáculo”, no auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC), com sua apresentação da “Palestra de Neurociência”. De forma despretensiosa a atriz, vestida de palhaça, apresentava-se como uma espécie de psicóloga, pronta para resolver os problemas emocionais mais comuns nos dias de hoje. Depressão? Ansiedade? Estresse? Nada que um dos seus “mecanismos” não resolva! Eles parecem simples sacos de pano com algumas quinquilharias, mas os rostos daqueles que experimentam usá-los contradiz essa simplicidade. Há aquele para quem precisa de férias, com conchas, areia e a tranqüilidade da praia; outro para os excessivamente auto-críticos, com plumas dentro, que permite a auto-flagelação à vontade (sem riscos para as costas, além das eventuais cócegas); para os nervosos e irritadiços, existe um especialmente projetado para se gritar tudo quiser (até o indizível!) e depois retirar uma frase transformadora (espera-se!), como a que inicia esta matéria; por fim, um artefato um tanto curioso: uma espécie de cruzamento entre tampão de ouvido e venda, que, garante a palestrante, é capaz de tornar a convivência consigo mesmo tão agradável que a solteirice pode se tornar uma interessante opção! ![]() “De verdade a gente se transporta”, diz Ana Lúcia Ferraz, que já havia assistido ao quadro anteriormente e foi cobaia do tal saquinho das férias. Mas, de certa forma todos eles pretendem transportar os espectadores para outro lugar, alterar seu estado psicológico, descarregar as tensões num interessante exercício catártico. Se me permitem a pedantice, o dicionário Houaiss define o conceito aristotélico de catarse como a descarga de desordens emocionais ou afetos desmedidos a partir da experiência estética oferecida pelo teatro, música e poesia, ou seja, nada mais aristotélico do que uma palhaça! Em meio às gargalhadas, entretanto, engolimos sem dor citações de Clarice, Guimarães, Nelson Rodrigues, além de resultados dos estudos da atriz nas áreas de neurociência e física quântica (incluindo uma referência ao filme “What the bleep do we know”). CommentsWilson Juliãio 27/03/2010 3:20am
O trabalho realmente é excepcional. Na verdade nasceu faz tempo, nas dedicadas e tenazes pesquisas de Melissa, fatores que já a levaram para lugares necessários - físicos, como a Índia e mais sutís nos confins de nossa subjetividade - de onde ela voltou e já nos revela questões que devem ser acompanhadas, divididas e registradas, como muito bem fez o autor da matéria. Viva Melissa Panzutti, aprendo sempre muito com você!
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Leave a Reply | "Há casos em que o teatro, como meio de reunião pública, ainda pode veicular uma percepção aguçada acerca da injustiça, demandando tolerância e compreensão."
- Hans-Thies lehmann Gostou?Já passou
May 2010 Categorias |




