Para Sentir o Chão 09/03/2010
Estudante da USP anda. Anda até o bandejão, corre para a optativa, passa nos bancos, aproveita a tarde na praça do relógio, a sessão gratuita do cinusp... mas quanto tempo você já dedicou a sentir o chão em que pisa? Como seria afastar as cadeira das salas de aula e deitar-se para ouvir os sons ao nosso redor, sentir seu corpo em contato com o piso gelado – e também um tanto empoeirado? Estranho? Não para quem costuma freqüentar os grupos de teatro e conhece bem as dinâmicas e exercícios praticados por lá. Tirar os sapatos, as meias, vestir-se com roupas confortáveis, repensar a relação com o corpo e o espaço: uma proposta reincidente em todos eles. Nada mais natural, para quem gosta de teatro, do que aquele momento em que nos sentimos tentados a praticá-lo. Numa tentativa de me aproximar das iniciativas independentes de fazer teatro na USP resolvi entrar em contato com alguns grupos. O grupo de teatro da POLI (GTP) é o mais tradicional, com mais de 55 anos de história. Ele é estruturado em seis núcleos, chegando a incluir 100 pessoas. Tem também uma sala própria: a sala preta, no prédio do biênio. Conversei com Bia Szvat, diretora do grupo, durante uma tarde de segunda-feira no jardim da faculdade politécnica. Bia entrou no grupo em 2003, num processo de reestruturação que parece trazer frutos: além de peças reconhecidas, com apresentações do núcleo profissional (verde) no exterior, o GTP teve de fazer um processo seletivo devido ao excesso de candidatos, algo inédito. A estrutura divide-se em um núcleo introdutório, o amarelo, para o qual vão todos aqueles que entram no grupo e outros cinco núcleos: verde (o profissional); preto (um grupo extra-oficial formado esporadicamente) e os intermediários azul, vermelho e laranja, iguais dentro da hierarquia, porém focados em diferentes estudos (como stanislavski, cinema e teatro, etc). ![]() Já o grupo recém criado pelo Centro Acadêmico Lupe Cotrim (calc), da ECA, pretende preencher uma estranha deficiência para uma escola de artes: a falta de espaço dedicado à prática de teatro. Por isso vem realizando reuniões todas as segundas-feiras a partir das 17h no prédio central da faculdade. Até o dia 22 do mês de março as reuniões serão abertas a todos os interessados, após essa data, os integrantes deverão se decidir sobre a participação e freqüentar assiduamente as reuniões. No dia 08, participei um tanto tímido, dos exercícios iniciais. Ao entrar na sala 205 do CCA, estranhei o amontoado de cadeiras no canto. Mas teatro não combina com cadeira, pelo menos não nos ensaios. O espaço aberto aos poucos é conquistado pelos alunos (ao todo quinze, contando com um funcionário da biblioteca, muito bem recebido pelo grupo, que não impõe restrições para participação), também tímidos a princípio, mas que não demoram a se envolver nas atividades propostas. Na física, encontrei Adriana A. D’Maschio, a Dri, estudante responsável pela criação, ainda no fim do ano passado, do grupo de lá, ligado ao Centro Acadêmico do Instituto de Física da USP (cefisma). Recém integrante do grupo da POLI, Adriana tenta conciliar os novos compromissos com a estruturação do grupo, que, ainda frágil, aceita inscrições e iniciará as atividades nesse mês. As reuniões estão previstas para as terças-feiras da 14h às 16h. Um dos estudantes de jornalismo ao justificar seu interesse pelo grupo do calc definiu-o como uma oportunidade de “parar”, de relaxar, quase como visse ali o momento do ócio criativo tão improvável na vida dos estudantes, ou pelo menos como o momento do “descompromisso”. A arte é o lugar em que tudo se torna virtualmente possível. Talvez ali as barreiras discursivas do jornalismo, os compromissos com o fato, o real sejam flexibilizados por um instante. Talvez seja o lugar onde as leis da física se confundam, onde nós as confundimos. Talvez o espaço para (des)construir os prédios, fazê-los tortos! Tortos pela beleza de vê-los cair...Mas mais importante: vê-los cair para reconstruí-los com mais certeza, num constante exercício de reflexão! Não pode passar desapercebido, entretanto, esse interesse comum que une tantos em volta do teatro. Difícil definir as razões, sem dúvida, porém independente das funções atribuídas aos grupos, se eles surgem em tão diferentes setores da universidade, não podem ser ignorados ou desmerecidos. Ligado ao grêmio da POLI, o GTP é o único mais estruturado – algo esperado, pois o grupo do Calc e da Cefisma são muito recentes, mas uma política de apoio à essas iniciativas seria louvável. Afinal, não é em qualquer lugar que se encontra tempo para meditação sobre o corpo e a vida acadêmica. * Para participar do grupo de teatro da física, mande e-mail para: teatro.ifusp@gmail.com CommentsMarina 11/03/2010 4:44pm
Nunca comento. O texto tá lindo, mas QUE FOTO FODA! (a última)
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Andressa 15/03/2010 5:06pm
Concordo 100% com a Mari aqui em cima!
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Leave a Reply | "Há casos em que o teatro, como meio de reunião pública, ainda pode veicular uma percepção aguçada acerca da injustiça, demandando tolerância e compreensão."
- Hans-Thies lehmann Gostou?Já passou
May 2010 Categorias |





