Ouvindo o movimento 23/03/2010
É sexta à noite e um grupo de 22 alunos está reunido na Faculdade de Educação com um propósito: descobrir sua maneira de expressão, de dança. “A ideia não é entrar muito na técnica. É brincar com a dança”, diz Bárbara Freitas, monitora responsável pelo núcleo de dança do Lab Arte. O Laboratório de Arte-Educação & Cultura da FEUSP foi criado em 2006 por uma iniciativa dos alunos na tentativa de complementar sua formação de pedagogos. São vivências e experiências em diversos núcleos, que visam à apreensão da linguagem artística numa perspectiva antropológica, como teatro, música, fotografia, circo, artes visuais e outros. Dentre esses núcleos, há dois de dança, que lidam com métodos diferentes. As vivências são semanais e o interessado pode conversar com o monitor do grupo e passar a frequentar. O encontro começou com a visualização de imagens dos ossos do corpo humano. Sim, nós observamos figuras de atlas e discutimos a porosidade e a força desses ossos. Nossas sensações chegam até nós pelo corpo, por isso é fundamental entender como funciona essa estrutura para compreender sua relação com o movimento. Depois, deitamos no chão. Era a hora de sentir nossos braços, pernas, tronco, cabeça. Era o momento de acordar nosso corpo, alongá-lo. Fomos evoluindo, passando por níveis, até ficarmos de pé. Essa circunstância de crescimento foi repleta de sentido, numa descoberta mesmo. Andamos, mudamos de lugar, enfim, dançamos. Na roda, alternamos respiração e movimento e passamos por um estilo: o coco. Com origens controversas, o coco é uma dança de ritmo gostoso e divertido e a sonoridade é acompanhada por palmas. É a dança que você não quer parar. Por último, formaram-se trios para um exercício de alongamento e de sentidos dos ossos do corpo. Depois rolou uma conversa, um bate-papo, quase uma sessão de terapia. Os alunos tiraram dúvidas, contaram sensações e deram dicas. Bárbara sintetiza: “Corpo é pensamento, é uma extensão da nossa história, é nossa vida”. Há sete anos em contato com a dança, Bárbara se considera mais uma mediadora para a brincadeira do que uma professora. Nessa tentativa de aprofundar e entender nosso corpo, ela experimenta junto. “A ideia é usar os princípios da dança popular para buscar o nosso vocabulário”. Ela diz que a tentativa de consciência, de pensamento do corpo é fundamental e que não tem um jeito certo de dançar. Dançar é descobrimento, por isso a sua dança tem que fazer sentido para você. É um trabalho de trazer a sua vivência, seu cotidiano, sua história para descobrir sua linguagem. “O corpo tá falando”, diz Bárbara. Basta a gente escutar. Lab Arte – Núcleo de dança Toda sexta-feira, às 18 horas, na sala 130 da Faculdade de Educação da USP. Add Comment Na balada? 11/03/2010
Quem acha que dança é arte, acertou. É a arte da diversão e da integração. Quem nunca foi numa festa com os amigos e dançou até doer as pernas? Ou quem nunca encontrou aquela pessoa e o seu jeitinho todo especial de dançar naquele mar de gente? Relato de dança na balada é o que não falta. As danças em festas revelam um universo repleto de possibilidades de análises. As razões para se dançar são várias. Pode ser pela simples sensação de balançar o corpo e liberar as energias, assim como pela experiência de entrar numa vibe só: dança e música. Seja sozinho ou acompanhado, aquela é a hora de esquecer o mundo e aproveitar o instante – segundos, minutos ou a noite inteira. Mas essa arte também revela aspectos interessantes do comportamento humano. A questão da integração social – e isso acontece muito em Universidades –, a busca pelo seu lugar num grupo e a própria identificação com determinadas pessoas. Mais: a euforia com a música que toca (“Eu amo essa música!”) e a vontade de não parar nunca mais. E o que rola aqui na USP? A equipe Escarlate foi até à Festeca, tradicional festa da Escola de Comunicações e Artes, tentar observar esses seres que convivem nesse universo próprio, cheio de códigos disfarçados de passos. Lá, além dos ecanos já esperados, encontramos um público bem diverso que tentou contar um pouquinho da sua experiência. FEA, Poli, GV e Bio, expressem-se, por favor. Carolina Carvalhal, estudante da Fundação Getúlio Vargas, diz que, na sua faculdade, a galera geralmente é mais reprimida em termos de dança. Quando alguém decide se soltar um pouco mais já é motivo para atenção e comentários. Marco Carvalho, da FEA, comenta que o que empolga mesmo o pessoal é quando a bateria toca. Ninguém fica parado. Todos mexem o corpinho, mesmo um pouquinho. Já Débora Brant diz que na Biologia é diferente. É um estilo mais parecido com o da ECA. Os ápices são aquelas músicas que só quem é estudante da faculdade entende. Um verdadeiro código. Você para tudo e dança com a galera. Renata Martins, da Poli, é direta e ressalta: "Os bitolados se soltam nas festas!". Mesmo com estilos tão diferentes, a dança definitivamente faz parte da festa - e é um dos principais pontos. Assim, creio que chegamos a uma conclusão: seja no seu cantinho ou no meio da roda, o importante é deixar os problemas de lado e dançar sem medo de ser feliz, pois com o rebolado a diversão é garantida. | “Somos corpo e não pessoas que possuem
um corpo ou habitam um corpo” - Lenira Rengel Gostou?Já passou
June 2010 Categorias |







