Corpo que comunica 05/05/2010
É no Departamento de Artes Cênicas da USP que o Laboratório de Dramaturgia do Corpo (LADCOR) atua. Nascido no segundo semestre de 2006, a partir da disciplina “Corpo, Espaço e Pensamento moderno”, ele funciona desde então coordenado pela professora Helena Bastos. E como funciona o laboratório do corpo? Atualmente, o LADCOR abriga o projeto Cadeiras de Rosas em parceria com o grupo Musicanoar, idealizado por Helena em 1992. São cinco alunos que pesquisam seus corpos das mais diversas formas. São compartilhamentos de cena e conceitos que mobilizam o pensar da pesquisa. O projeto foi contemplado em 2009 pelo VI Fomento Municipal em Dança, na categoria Criação, e os encontros ocorrem todas às sextas-feiras pela manhã. O que é o VI Fomento Municipal em Dança? O Programa Municipal de Fomento à Dança pertence à Secretaria Municipal de Cultura e seleciona projetos de dança contemporânea em cada edição. Em 2009, foi realizado o VI Fomento, com duração de um ano (2º semestre de 2009 ao 1º semestre de 2010). Trabalhando com a Teoria Corpomídia, o laboratório realiza uma investigação a partir do conhecimento do corpo. O corpo não é um recipiente, um depósito. Ele troca informações, em processo permanente de comunicação. E o que é a Teoria Corpomidia? Desenvolvida por Christine Greiner e Helena Katz, professoras da PUC/SP, ela trata do corpo enquanto mídia de si mesmo. O corpo não para de trocar informações com o mundo, desenvolvendo uma dependência mútua com esse ambiente. O corpo se faz nessa troca e o ambiente também se modifica. São atuações simultâneas - corpo é ambiente e ambiente é corpo. Talvez a palavra-chave para a teoria seja fluxo. Essas informações agem no corpo e são expelidas por ele. Daí surge a noção de que o corpo não é um recipiente. Mais: ele não é passivo ou imutável. Todas essas informações modificam nossa pessoa, nosso modo de vida e da coletividade. Voltando ao laboratório, Helena nos conta que as intenções do LADCOR são estudar esse corpo e suas conexões, como ele se propõe a dançar, pensar outros modos da relação corpo-cena. Helena diz que quando eu mudo meu conhecimento de corpo, minhas relações também mudam. A pesquisa realizada no Cadeiras de Rosas é individual e compartilhada. Cada um vai descobrindo o seu corpo. Lida-se com a invenção de procedimentos que vão além, sem limites. “Esse corpo de ator traz uma complexidade diferente”, ela completa. Há uma articulação dos conhecimentos de mundo, com a possibilidade de escolhas e parâmetros. “Dançar e atuar é lidar com problemas”, diz a professora. Pensar e lidar com o corpo exige uma reflexão, uma abertura a descoberta. Isso requer esforço, vontade e vivência. Com o surgimento das ciências cognitivas, as coisas caminham juntas, ou seja, não há separação entre razão e sentimento, entre corpo e pensamento. Helena não exclui o conhecimento de um “leigo” na descoberta desse corpo. Cada um possui um olhar de mundo e ninguém é fechado ao processo de troca de informações com o ambiente. A felicidade é saber trabalhar esse conhecimento de uma forma que seja competente e satisfatória. Sempre nessa vertente da criação e da composição sobre dança contemporânea e desse corpo-autor, o grupo Cadeiras de Rosas pretende desenvolver um vídeo-dança no fim do mês de maio, na tentativa de misturar linguagens. Ele trabalha com vivências, práticas, textos e aulas, e isso depende do que é pedido no momento. Como resultado, cada integrante produzirá um espetáculo, fruto das suas descobertas nesse ano de pesquisa. Add Comment | “Somos corpo e não pessoas que possuem
um corpo ou habitam um corpo” - Lenira Rengel Gostou?Já passou
June 2010 Categorias |



