Danças... circulares? 11/11/2009
por Camila Camilo e Denise Eloy Na edição passada, dizíamos que dançar eleva a auto-estima. Esta energia boa trazida pela dança não precisa ser sentida só individualmente, pode ser vivida também em um grupo. De mãos dadas e, talvez mais do que no clássico “dois pra lá, dois pra cá” do rostinho colado, exigindo sincronia, como reflexo da sensação de dançar com vários pés, em vários corpos, num único ritmo. “Começamos dizendo nosso primeiro nome e a motivação para estar na roda em apenas uma palavra. Ensino os passos, conto algo a respeito de cada dança, do seu significado, da sua letra e dançamos”, diz Tânia Pessoa, psicóloga do LEP (Laboratório de Estudos da Personalidade do Instituto de Psicologia da USP, coordenado pela profª. Laura Villares de Freitas) que orienta os encontros conhecidos como Danças Circulares. Os encontros não são um curso, mas um “grupo de vivência” que se reúne semanalmente para sentir e compartilhar bem estar a partir da dança. Origens O ato de dançar está presente desde muito tempo nas aglomerações humanas, e a dança coletiva tinha um grande impacto. “Dançar era poder criar e ser a própria essência de tudo o que nos cerca", conta Tânia. O bailarino clássico, coreógrafo, pedagogo e pintor Bernhard Wosien (1908-1986) tentou recuperar a essência das danças típicas de diferentes povos e, na comunidade de Findhorn, na Escócia, ensinou pela primeira vez danças folclóricas aos residentes. Começaram aí as Danças Circulares Sagradas, que se tornaram um movimento, introduzido no Brasil por Sarah Marriot. O conceito das DCS baseia-se no resgate de danças folclóricas e também, como presente no próprio nome, na vivência do sagrado. “O sagrado não é domínio de nenhuma religião, é uma possibilidade humana para a consciência que se permite reviver a fonte da vida.” “Meditação em Movimento” Qualquer um pode realizar a prática que tem, segundo Tânia Pessoa, uma série de benefícios, tais como a mudança de percepção do individual para o coletivo “Nessa atividade, se cada um não colaborar, não há como dançar. Dançamos porque todos estão empenhados em fazermos com que seja harmônico”, a melhora na capacidade de concentração “Tem passos que são simples, mas não permitem que a mente se distraia com assuntos externos, porque gera erro nos passos. Então elas exercitam a qualidade da presença e da concentração”, além do desenvolvimento da “autenticidade diante de um grupo, pois é difícil disfarçar forças e fraquezas, quando o corpo também participa da ação”. A psicóloga destaca também a possibilidade de desenvolver o espírito cooperativo e a capacidade de adaptar-se com o diferente, seja um ritmo ou uma cultura. “Em alguns momentos intercalo as danças com contos de tradição oral”, diz Tânia. As danças tem uma origem popular, assim como os contos utilizados durante os encontros, considerados remédios da coletividade. O que se busca é estimular a cooperação e o conhecimento de si e dos outros. Há outras atividades que também guardam o mesmo espírito colaborativo. Tânia cita algumas: cultura de paz, reciclagem, contato com a natureza, artesanato, economia solidária, entre outras. E por que o círculo? Tânia explica: “O círculo, em especial com um centro, é uma imagem arquetípica que tende a estimular a vivência de que há algo maior do que nossa limitada consciência, ou seja, a vivência de ter um Self, aquele que em nós conhece o que vai nos fazer seres humanos mais completos”. Hoje, as Danças Circulares Sagradas constituem um movimento – DCS e existem em muitos países e em várias regiões do Brasil. “Para encerrar voltamos a respirar todos juntos, a sentir a nos mesmos e ao grupo. Terminamos dedicando nossa dança, o que produzimos ali, para os que julgamos necessitados (para as crianças, para a paz, para alguém da família, para nós mesmos)”. Dicas pra quem quer conhecer um pouquinho mais de Danças Circulares: Em junho acontece, em Embu das Artes – SP, o Encontro Brasileiro de Danças Circulares Sagradas, organizado pela Andrea Leoncini, pela Renata C. Lima Ramos e pela Sonia Yamashita Lima. Além disso, o LEP recebe inscrições no início de cada semestre e para participar é preciso ficar ligado nas datas divulgadas no site do IP – USP (www.ip.usp.br). 2 Comments | “Somos corpo e não pessoas que possuem
um corpo ou habitam um corpo” - Lenira Rengel Gostou?Já passou
June 2010 Categorias |



