Dance like there's no one watching 01/12/2009
por Lívia Furtado Chove chove chove. Me pergunto se, quando a chuva parar, aquelas pessoas que procuraram abrigo por ali vão seguir com suas vidas sem olhar pra trás ou vão parar para apreciar a arte em frente a elas. Por enquanto, todos apenas bebem cerveja animadamente, conversam, riem, e logo vejo aqueles que vão se apresentar: normalmente meninas não andam com roupas de dança do ventre por aí, ou arrumadas para dançar ballet, e mesmo as que estavam vestidas com roupas mais normais, vestido curto e sandália de salto, pareciam um pouco deslocadas, o sorriso nervoso colado no rosto. Os homens são um pouquinho mais difíceis de localizar, as vestimentas ordinárias - calça, camiseta -, mas os olhares trocados, muitas vezes parecendo procurar reafirmação, os traem. A vivência da FEA fervilha. Música sai de uma grande caixa de som preta perto do bar, e ninguém parece querer sair dali tão cedo. Já passa das 17h30 quando alguém da organização do evento aparece com um microfone, boa tarde! - Bem vindos ao Concurso de Talentos da FEA. Vamos fazer agora a premiação da categoria interpretação... - alarme falso. Mas presto atenção - reconheço um dos dois meninos da dupla vencedora como aluno de artes cênicas da ECA. Em seguida, há a apresentação e premiação da categoria "Se vira nos 30" e, finalmente, o primeiro grupo de dança é chamado à frente. O PsicoSalsa é formado por alunos da turma de salsa dos professores Russ Hama e Yordanka. As aulas, descobri, acontecem toda quinta feira na Psicologia, às 17h30, e são abertas para qualquer aluno da USP, além de gratuitas. Na apresentação, há mais de 10 alunos se apresentando. Eles vão ao centro do palco em duplas, posicionando-se como em roda, e a música começa. - É a outra, é a outra! - Falha técnica por parte do CAVC. Começo a rir quando a falta de comunicação perdura, mas finalmente a música certa é colocada e o grupo pode começar. A chuva parou, mas duvido que alguém tenha conseguido desgrudar os olhos da apresentação para sair. Os sorrisos nos rostos dos dançarinos são contagiantes, o ritmo latino envolve o corpo e parece, por mágica, começar a te fazer mexer. Duas apresentações, com alguns casais diferentes - Hama sempre ajudando o grupo, fazendo sinais enquanto dança, divertindo-se como todos os outros - e é a vez do samba-rock. O caldeirão de estilos apresentados em uma única tarde foi um surpresa muito agradável. Da salsa ao sapateado, passado por zulk, forró, samba-rock, dança-do-ventre e até mesmo balé, que fica por conta da aluna de geografia Daniela Lavignatti. Daniela, que tem 28 anos e dança desde os 15, comenta sobre a falta de balé na USP: não há aulas nem apresentações. "É a primeira vez que me apresento aqui. Dá um nervoso diferente, porque meus amigos tão vendo." A moça dançoa ao som de "Xote das meninas" ("Ela só quer, só pensa em namorar...") e recebe elogios pessoalmente do professor J. Júnior, o avaliador da competição, que dá aula de dança de salão na FEA, com ênfase e forró. "Sou apaixonado pelo ritmo." A ideia da garota ao misturar dois gêneros aparentemente tão diferentes foi mostrar que balé não precisa ser aquela coisa tão "clássica, engessada" que todo mundo imagina. A mistura e ousadia não ficam só com Daniela. As meninas do "Tribal Fusion" - que acabam levando o segundo lugar, perdendo apenas para o PsicoSalsa - misturam batidas eletrônicas com músicas mais tradicionais indianas, arriscam com Shakira e vão para o tribal também. Alunas da professora Samra, que dá aulas no CRUSP, as quatro se reuniram para participar do concurso por diversão e para treinar para uma apresentação que ocorre nesse domingo (6), no Espaço Caldeirão. Três delas se apresentam solo após a dança em conjunto - Érica Takano, aluna de licenciatura de matética no IME, é quem o faz ao som de "Whatever, Whenever." A música é acompanhada pelas palmas ritmadas da platéia, e o sorriso nervoso da japonesa vai relaxando ao longo da música. É como diz o poema: "Dance like no one's watching." E tudo fica bem. 1 Comment | “Somos corpo e não pessoas que possuem
um corpo ou habitam um corpo” - Lenira Rengel Gostou?Já passou
June 2010 Categorias |



