Jorge por João 07/12/2010
![]() Com voz baixa e educada, como se tivesse se desculpando por algo, João Moreira Salles começa sua palestra no Seminário Jorge Amado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH – USP). Após a exibição de seu documentário sobre o escritor baiano, o cineasta discute sua relação com o filme mostrado e com seu trabalho. Para ele documentário não é um veículo para transmitir informação, mas para transmitir certa experiência e reflexão sobre determinado assunto. Criador de uma das revistas mais admiradas pelo seu jornalismo, a revista piauí, Moreira Salles diz que essa transmissão da experiência é o que diferencia o documentário de uma peça puramente jornalística. Na opinião do documentarista, essa experiência só é acumulada quando o filme traz diferentes vozes e opiniões. Ele cita o exemplo do “Edifício Master”, do cineasta Eduardo Coutinho, que traz diferentes entrevistas e cria uma narrativa com vários discursos. Esse formato é chamado de modelo de mosaico e reúne diferentes fragmentos para montar a história final do filme. ![]() Mais especificamente sobre seu filme “Jorge Amado”, João fala que ainda não tinha maturidade como documentarista e, portanto, não conseguiu utilizar esse modelo de mosaico corretamente (muitos da platéia discordavam, ou por serem fãs de João ou de Jorge). Ele afirma que conseguiu incorporar essa polifonia apenas em seus filmes posteriores, como em “Santiago”. O documentário “Jorge Amado” tem a intenção de provar algo e, apesar das várias entrevistas, as pessoas são usadas para construir esse propósito inicial. “O filme é editado de uma forma que as pessoas acabam dizendo o que não disseram de verdade”, disse o cineasta. Já tentando acalmar os ânimos dos estudantes que lotavam o anfiteatro da História na FFLCH, ele falou que a ideia por trás de “Jorge Amado” não é ingênua, apesar de sua confecção direcionada. Com a ajuda de Lilia Moritz Schwarcz, professora da USP (e curadora do seminário), Moreira Salles tenta trazer o escritor baiano como alguém que leu e popularizou o também escritor Gilberto Freyre, cuja obra é um grande legado para a História brasileira. “A minha impressão era que se desconsidera Jorge Amado como boa literatura”, disse o documentarista que tentou desconstruir essa impressão. O documentário “Jorge Amado” traz o conceito de mestiçagem do povo brasileiro que o escritor adotou e tentou incorporar em suas obras, a partir da construção de personagens baseados na vida cotidiana da Bahia. “Meus personagens estão na rua, eles estão no Pelourinho, é gente que eu conheci”, disse Jorge Amado no filme. O longa-metragem que foi originalmente produzido em 1995 para um canal da televisão francesa foi recusado. Moreira Salles comprou os direitos do filme de volta para não ter que construir uma narrativa que não concordava. Add Comment As singularidades além das fronteiras 05/06/2010
![]() Fronteiras políticas, geográficas, linguísticas. Há em todas elas o fator de ruptura. A ideia de algo tão próximo que se pode ver e tão longe que não se pode tocar. Por ser uma linha tão tênue entre o ser e o não ser, fronteiras promovem atritos, nervosismos e exclusões. Fronteiras julgam de um modo dualista, não há meio termo. Na vida prática, não há apenas o ser e o não ser. O ser humano possui singularidades que as fronteiras existentes não conseguem captar. Não há essa ruptura tão delineada que a partir de determinada latitude todas as pessoas serão boas ou más. Não somos maniqueístas. O mundo vive por suas intersecções e não por suas fronteiras. Para o filósofo italiano Giorgio Agamben, a comunidade surge justamente a partir dessas singularidades. Todos podem se expressar e destacar sua essência mesmo sendo um “qualquer”. Agamben destaca que o “qualquer” é diferente do qualquer um, ele é o único, mesmo sendo comum. A comunidade é o resultado dos potenciais individuais. Na ficção, um personagem não pode sintetizar uma época, um povo, um lugar, mas ele pode (e deve) trazer características e reflexões sobre aquilo que o rodeia. Em geral, o ser humano nunca traz consigo apenas sua vida, ele traz consigo narrativas, metáforas e, principalmente, outras vidas. Vidas que conseguem se ver através daquilo que lhe é mostrado e que ao mesmo tempo ajudam a construir aquele indivíduo. No cinema, o ser humano torna-se ainda mais único. Um filme busca uma história, um indivíduo que esteja ligado a várias outras histórias, mesmo sem as ter vivenciado. Em especial, quando fronteiras são abordadas, sempre há um personagem central, alguém que possa trazer toda a complexidade que a fronteira insiste em diluir e dividir. ![]() “Maria Cheia de Graça” de Joshua Marston, traz a vida de uma menina colombiana de 17 anos, demitida e grávida, que decide melhorar de vida. Ela recebe uma proposta para transportar heroína para Nova York e aceita. Maria (Catalina Sandino Moreno) tem seus medos, suas expectativas, que são dela e ninguém pode roubar. Mas ela simboliza um povo que vai muito além do povo colombiano, ou do povo da América Latina, ela representa mais do que o simples desejo de viver nos Estados Unidos. Seu desejo de mudar de vida, de melhorar, vai além da fronteira norte-americana, afinal todos queremos sempre melhorar. Não há a colombiana insatisfeita e os americanos perfeitos, todos têm expectativas e frustações. ![]() Em “Lemon Tree”, do diretor Eran Riklis, Salma (Hiam Abbass) é uma árabe dona de um pomar de limões nos territórios ocupados, próximo à fronteira com o Estado de Israel. Do outro lado da fronteira, bem ao seu lado, Salma recebe um novo vizinho, o Ministro da Defesa de Israel e sua mulher, Mira (Rona Lipaz-Michael). Para o serviço secreto israelense, o pomar de Salma é uma ameaça para o ministro, um possível esconderijo para terroristas. Salma não se conforma e tenta recuperar o direito sobre sua terra. Para a professora Arlene Clemesha, que dá aula na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP sobre História da Palestina Moderna, “Lemon Tree” é uma comparação leve em relação à realidade, e talvez seja essa a intenção do filme. O drama de Salma não vale por todos os dramas da região, mas é com certeza algo que provoca reflexões e revoltas sobre a situação. ![]() Ver “Lemon Tree” e acreditar que uma viúva árabe contestou sozinha a decisão do serviço secreto israelense é difícil para muitos. A professora explica que realmente a ação ser movida sozinha por ela e por seu advogado não é comum. Em especial, os palestinos se reúnem para contestar. Ela conta do caso do vilarejo de “Bilin”, em que os moradores se mobilizaram para impedir que o muro não passasse no meio da sua terra e conseguiram. “Isso ajuda a manter uma aparência de democracia em Israel” diz ela. Enquanto isso, a esposa do Ministro, apesar de representar a indiferença que os israelenses tem em relação aos palestinos, consegue ver atrás do muro. Ela de certa forma sente o drama de Salma. Ninguém é completamente mal ou bom no filme. Tanto Salma quanto Maria trazem aspectos culturais e sociológicos do seu povo, mas nunca represetarão toda uma nação por inteiro. Falar de fronteiras é lembrar que somos todos de uma raça só, e os grandes problemas nascem justamente quando fazemos generalizações. Somos todos altruísta e egoístas, anglos-saxões e latinos, árabe e israelenses. Ninguém é uma coisa só. Mostra Fronteiras: Aborda fronteiras geopolíticas (dentre os filme "Lemon Tree e "Maria Cheia de Graça") Cinusp Paulo Emílio Rua do Anfiteatro, 181, Colméia Favo 04 Programação: http://www.usp.br/cinusp/ Um povo, muitas histórias 04/22/2010
por Lucas Rodrigues Fim de tarde de uma chuvosa segunda-feira. Por causa do feriado da semana santa, a cidade universitária não contava com a presença de muitas pessoas, a não ser a daquelas que, por algum motivo, não puderam voltar para casa. Para esses que optaram pelos longos dias da Universidade, a melhor atração estava perto, embora viesse de muito longe. Como em uma jogada de sorte, uma jovem conferia a programação exposta no mural do Cinusp. “É cinema africano?”, perguntou, mais a si mesma do que a qualquer outra pessoa. “Então, eu quero ver!”. Empolgada, resolveu entrar. Pelo número de espectadores na sala, não foi a única que tomou essa decisão. O motivo? Provavelmente, a vontade de mergulhar numa cultura, às vezes tão semelhante e, ao mesmo tempo, tão diferente da nossa. A mostra “Clássicos Africanos”, realizada no Cinusp, tentou trazer um pouco da produção do continente através do olhar de seu próprio povo, apesar de muitos dos filmes terem sido feitos em parceria com países europeus – situação que, até hoje, delimita o cinema africano. Entretanto, as obras exibidas na mostra buscaram retratar, justamente, um período de luta contra o imperialismo das grandes nações e de reafirmação da identidade africana. A África pelo africano Os cineastas do continente se organizaram fortemente para criar um conceito que representasse a sua população, a África como um todo, não apenas de regiões isoladas. “Uma arma, bem como um meio de expressão para o desenvolvimento da consciência da luta de classes”, segundo o Manifesto de Niamey (Nigéria), de 1982, era essa a missão dos filmes produzidos no continente a partir de então. O documento, que surgiu num encontro da Federação dos Cineastas Africanos (FEPACI), tinha como objetivo a formulação de regras para a produção, distribuição e divulgação do cinema africano. ![]() 'Jom ou a história de um povo' Entre os vários temas tratados, as questões sociais tiveram espaço no filme “Carta Camponesa” (1975), que mostra as dificuldades enfrentadas por um povoado senegalês. Outro assunto abordado entre as produções foi a colonização. Filmes como “Jom ou a história de um povo” (1981) e “Tabataba” (1987) denunciam o abuso e as revoltas dos africanos contra a presença dos estrangeiros. Os mistérios, lendas e costumes da África também foram retratados. Em “Fary, a jumenta” (1989), “Finzan” (1989) e “Taafe Fanga, poder de saia” (1997) nos são apresentadas as mais curiosas e inusitadas histórias sobre o continente. A influência de outras culturas na população africana foi igualmente documentada em produções como “África sobre o Sena” (1957), “E não havia mais neve” (1965), “Os príncipes negros de Saint-Germain- des- Près” (1975) e “Os comboys são negros” (1966). ![]() 'Áfricas sobre o Sena' Segundo Daniel Ifanger, estagiário de produção do Cinusp, que ajudou a organizar a evento, a ideia de fazer exibições de filmes africanos surgiu depois de não conseguirem firmar uma mostra sobre o cineasta francês Eric Rohmer, que foi postergada. Entretanto, afirmou que a decisão não foi feita porque era uma solução fácil. “Vimos que o conteúdo seria bom e conseguiríamos fazer a tempo”, disse. Daniel contou que os filmes foram selecionados a partir de uma coleção da Cinefrance, vinculada a Embaixada Francesa, chamada “Clássicos Africanos Restaurados”. Para ele, essas obras representam apenas parcialmente o cinema africano. “São diversos olhares, e o importante é que sejam olhares dos nativos, nascidos naqueles países, ainda que em um filme ou outro encontremos fórmulas conhecidas do cinema tradicional”, declarou. Sobre o objetivo da mostra, explicou que era o de reatar um diálogo com a cinematografia de um continente importante. Diálogo esse que, de acordo com ele, é complicado, por causa da “‘homogeneização’ do que entendemos por um filme, ou por cinema, presente nos pólos culturais”. “Em suma, é ter acesso às imagens africanas – que vão além do registro e possuem bastante expressividade”, completou. Um povo, muitas histórias. Assistir às produções africanas é se enxergar através da perspectiva de uma cultura a que tanto devemos. Precisamos conhecer mais de um continente exótico e seus desdobramentos, precisamos descobrir um pouco mais da origem do que somos hoje, da raiz que ajudou a formar o que agora nos identifica. As cores, os sons, os mitos, o sangue. A banalidade de Leron 03/09/2010
por Yasmin Abdalla “O jovem Leron trabalha como ajudante numa oficina de calhas. Um dia, durante a instalação de calhas no telhado de um cliente, ocorre um acidente. Leron, agora imobilizado, tenta recuperar seus movimentos no trabalho”. Uma história simples cujo sentido nasce a partir dessa própria simplicidade. Você não precisa entender quem é Leron, o porquê dele ter se acidentado, ou como ele se sente agora. Um dos seus criadores fala que “você não precisa descobrir muita coisa sobre ele, ele simplesmente é”. ![]() “Você que é da revista?”. Com um ar sereno, Daniel Ifanger veio se aproximando. Ex-aluno da filosofia, decidiu que sua vida deveria tomar um rumo um tanto diferente. Hoje, no departamento de audiovisual termina de editar seu TCC “Leron Mede os Espaços” – o mesmo Leron acima. Filmado no telhado do amigo e na oficina do seu tio, Daniel preferiu manter o roteiro com um ar mais interiorano. O curta foi filmado em Indaiatuba, sua cidade natal. Depois de muitas telhas quebradas e certo receio da equipe (afinal, trabalhos da USP não podem ser filmados fora da Grande São Paulo), Leron foi criado em novembro de 2009 em sete dias – o último sem descanso. No caso do TCC de Daniel, o projeto inicial chamava-se “Rufus” – segundo o próprio autor, um tipo de telha. Desenvolvido em um espaço de discussão, o projeto foi inscrito no Programa Nascente. Apostou na “beleza da banalidade” como afirma Daniel, na banalidade dos personagens, do roteiro – e ganhou. “Rufus” foi ganhador do 17º Programa Nascente na categoria audiovisual. ![]() O Prêmio de R$ 4 mil ajudou na produção do curta. “Todo mundo na minha sala queria se inscrever no programa” disse Daniel. Posterioriormente, o projeto foi escolhido por uma banca para ser filmado como TCC, trocando de nome. “Ninguém gostava muito de Rufus, e eu queria ter um nome grande, diferente”. “Só um minutinho (atende o celular). Era da Mostra Nascente! Acho que eles estão me procurando também”. O programa prevê estimular a produção cultural e artística da Universidade. A mostra não inclui apenas trabalhos de audiovisual, mas também, artes cênicas, arte visuais, design, música erudita, música popular e texto. “Já começaram as inscrições? Cedo? Não! Acho que me inscrevi nesse período mesmo”. As inscrições para o 18º Programa Nascente começaram no dia 1º de março e vão até o dia 26. A inscrição deve ser feita na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão. O candidato deve levar uma cópia do trabalho, cópias do RG e CPF e comprovante de matrícula. O aluno deve estar matriculado na Universidade de São Paulo, incluindo a EAD (Escola de Arte Dramática). Se você tem algum trabalho, não perca a chance e se inscreva! Leron Mede os Espaços Diretor: Daniel Ifanger Assistente de Direção: Helena Ungare Produtor: Alexandre Wahrha ig Roteiro: César Turim Diretor de Fotografia: André Suzuki Sound Designer: Eduardo Giuliano Projeto Gráfico: Daniel Ifanger; Diogo Faggiano; Renata Sayuri Suenaga Não há lugar como nosso lar 02/22/2010
por Yasmin Abdalla “Não há lugar como nosso lar” – do filme O Mágico de OZ ACORDA, Bixo! Você passou na maior Universidade da América Latina e agora este será o seu lar, independente do seu curso ser integral ou não, você passará seus maiores e melhores momentos na USP. É preciso aproveitar as possibilidades que a USP pode nos oferecer, que vão muito além da parte acadêmica. A Escarlate selecionou para vocês algumas das atividades que acontecem na USP sobre cinema. Cinusp Paulo Emílio Quando descobriu que você estudaria em uma cidade, ainda que universitária, talvez você não tenha levado a sério a dimensão que uma cidade pode atingir. No campus da USP no Butantã é possível encontrar restaurantes, bancos, correios, teatros, hospital e, é claro, cinema. O cinema da USP fica ao lado do Bandejão Central, em uma das pontas da Praça do Relógio – não que isso possa ajudar um bixo perdido até em sua própria faculdade, mas você pode conferir no mapa. O Cinusp Paulo Emílio pode até ficar escondido, mas vale a pena a procura. Com mostras que duram cerca de duas a três semanas, a equipe do Cinusp traz temas atuais e uma seleção de filmes que podem variar de sucessos que marcaram o cinema até filmes que você nunca ouviu falar. Além das mostras periódicas, algumas pré-estréias acontecem por lá. ![]() Ano passado, o filme Salve Geral, do diretor Sérgio Rezende, teve sua presença na Cidade Universitária. Mas cuidado bixo, não se engane, os 100 lugares do Cinusp ficam pequenos diante destas estréias. Quando houver algum evento, confira na agenda Escarlate o horário e chegue cedo para assegurar o seu lugar. Para chegada dos Bixos 2010, o Cinusp traz a Mostra para gostar de cinema: 2006-2009. Filmes que fizeram sucesso no século XXI. Alguns sucessos como Vicky, Cristina, Barcelona, do diretor Woody Allen e O Lutador, com o ator Mickey Rourke, indicado ao Oscar, estarão em cartaz. Para conferir a programação dia a dia da mostra entre na nossa agenda. A entrada é gratuita. Sala de Exibição - Cinusp Paulo Emílio: Rua do Anfiteatro, 181 Colméia – Favo 04 Cidade Universitária – São Paulo/SP Sessões de Segunda à Sexta – 16hrs e 19hrs Mais informações: http://www.usp.br/cinusp/ Caneca Com um nome (e um logo) original, o Caneca, o Canal da Escola de Comunicação e Artes, teve sua estréia no final do ano passado em uma Quinta&Breja (espécie de cervejada/happy hour) que acontece na ECA. Em sua primeira edição, traz debates sobre o centro acadêmico e outras organizações, além de uma abordagem cômica sobre problemas sérios que você encontrará na sua Universidade (afinal, todo lugar tem seus problemas). Uma produção de alunos de Audiovisual (e alguns jornalistas infiltrados), o Caneca vai continuar. Twitter: @Ecaneca Assista à primeira parte do programa piloto: Cinéfilos Apresenta... Você adora ler sobre cinema e saber o que anda acontecendo no mundo das películas (DVDs, e blu-rays)? O site Cinéfilos da J. Júnior - Empresa Júnior de Jornalismo da ECA - te traz essa opção. Com resenhas dos mais recentes filmes e noticias do que acontece no cenário paulistano, o site permite que alunos de jornalismo produzam textos sobre a sétima arte. Ano passado, foi lançada uma revista digital dos Cinéfilos, com reportagens mais longas e um design diferenciado é possível ler um pouco mais sobre cinema e seus atores. ![]() Além dos textos, a equipe decidiu trazer um pouco da prática para os corredores da USP. Cinéfilos Apresenta... trouxe o filme Budapeste, exibido no auditório Freitas Nobre, do Departamento de Jornalismo e Editoração. Baseado no livro homônimo de Chico Buarque, com a produção de Rita Buzzar, o filme esteve cotado para representar o Brasil no Oscar. Após a exibição do longa, houve uma discussão com a produtora. Em sua segunda edição, o Cinéfilos Apresenta... exibiu o filme Loki – Arnaldo Baptista, o documentário mostra a saga do fundador dos mutantes. Fique atento às próximas edições. J. Júnior - Empresa Júnior de Jornalismo ECA/USP Departamento de Jornalismo e Editoração ECA-USP Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Bloco A Cidade Universitária – São Paulo Cinéfilos:http://jjunior.org.br/cinefilos/ Mais informações: http://www.jjunior.org.br/ *Yasmin Abdalla participa da equipe J. Júnior A arte como fim 10/21/2009
por Lívia Furtado Entrar na faculdade é uma festa. Trote, matrícula, muita tinta - e dependendo da faculdade em que você entrou, lama e outras coisas mais. Quem entra em Audiovisual na USP passa a frequentar, como todo bom ECAno, quintas e brejas, festecas, Outubros (ou Nada), e em meio disso tudo o tempo passa sem ninguém reparar. E aí, de repente, você tem que fazer seu TCC. A saída da vida universitária para a vida "adulta", simbolicamente representada pelo Trabalho de Conclusão de Curso, foi tema de debate entre os alunos de audiovisual na última sexta-feira, dia 16. A iniciativa de apresentar os TCCs desse ano, com o objetivo de divulgar os filmes e ajudar os mais novos com seus próprios trabalhos, foi tomada pelo estudante Miguel Antunes Ramos, do terceiro ano, representante dos AVs (como são conhecidos os estudantes do curso). Quatro curtas, entregues esse ano, foram exibidos no auditório Paulo Emílio (aquele do segundo andar, em cima do Lupe Cotrim – esse você, se for da ECA, conhece bem; é aquele onde rolou a famosa palestra de Cinema Independente no começo do ano): “O Presidente,” de Luiza Favale (ingressa em 2004); “A guerra de Arturo”, de Júlio Taubkin (2003); “Nuvens”, de Daniel Grinspum (2003)e “Fim de semana sim”, de Vinicius Toro (2002). Após a exibição dos filmes, o professor Christian Borges iniciou um debate/bate-papo entre o público e os criadores. ![]() Arturo: estilo antigo A arte como espelho Os quatro diretores estavam presentes e, sentados a uma mesa de frente para o auditório, falaram primeiro sobre os processos de criação e filmagem. A partir daí, desenrolaram-se discussões acerca de detalhes técnicos - as dificuldades de se fazer um filme usando uma película de 35mm, as vantagens e desvantagens do digital – e, depois, começou-se a falar sobre os temas abordados nos curtas. O aluno Diogo Faggiano, do quinto ano de AV, apontou o fato de que 3 dos 4 filmes tinham crianças no papel principal – apenas “Arturo” fugia à regra. Diogo comentou ser essa uma característica que ele percebia em grande parte dos trabalhos produzidos no curso, e começou-se a refletir se aquilo seria uma espécie de escudo usado pelos estudantes. Toro analisou que olhar uma situação dez anos depois torna mais fácil analisá-la, logo os problemas da nossa infância são melhores compreendidos por nós aos vinte anos. Talvez essa transição pela qual os alunos estão passando ao produzir o TCC, esse ser jogado no mercado de trabalho mas ainda não ser “completamente adulto”, faça com que eles busquem retratar um mundo, um ciclo de problemas que já foi resolvido. Taubkin acrescentou que seria muito mais difícil falar dos problemas pelos quais eles passam através dos olhos de alguém da mesma idade, porque eles ainda não têm uma visão ampla sobre o assunto, estão muito absorvidos nele. Além disso, adolescentes são muito mais explosivos e intensos. ![]() O pequeno presidente A própria Favale revelou que “Presidente” trata, embora em metáforas e analogias, de situações muito pessoais vividas pela garota – o menino que sonha em ser presidente dos Estados Unidos, tem o sonho zombado pela mãe, e passa por um processo de amadurecimento difícil. “Talvez tenha sido uma forma de escudo mesmo, colocar uma criança, não uma adolescente como eu.” O professor Borges achou produtiva a discussão. “Esse é um ponto muito interessante, porque pode ser que isso seja algo que a gente tenha que trabalhar melhor no programa do curso. Talvez seja interessante incentivar as próximas turmas a fazerem filmes sob os olhares da própria geração.” ![]() Nuvens: choque de realidades A arte como resposta O que ficou claro durante o debate foi o fato de que as obras serviram como modo de aliviar alguma inquietação dos diretores. Todas tratam de uma mudança, um rompimento – do menino sonhador a Arturo, o homem que causa uma guerra quando pela primeira vez cria uma notícia -, abordam temas que incomodam – de Bia, em “Fim de semana sim”, seus pais divorciados e sua convivência com Bruno, portador de síndrome de Down, a Luana, a garota de “Nuvens” que vende balas no semáforo. “Eu sabia que queria falar sobre isso porque sempre foi algo que me incomodou, não saber lidar com aquelas pessoas.” Grinspum se refere aos moradores de rua, que são tema de “Nuvens”, e como ele quis tratar o tema de forma mais lírica, por ser aquele um universo desconhecido para ele. ![]() Bia em conversa com o pai Toro também lidou com situações delicadas em “Fim de semana sim”, na qual a menina Beatriz é obrigada a conviver com Bruno, portador de Síndrome de Down, filho da namorada de seu pai. A saída foi fazer vários workshops com crianças na APAE e aprender que conviver com as diferenças é o único modo de aceitá-las. A arte como construção O evento provou que a obra de arte se constitui de uma construção interminável de sentidos. Assim como na roda de leitura de Guimarães Rosa, as opiniões de cada espectador iam lançando novas luzes aos filmes, detalhes e sentidos que às vezes nem mesmo os próprios diretores haviam notado. Essa pode ser uma experiência riquíssima para os estudantes de audiovisual – e de outros cursos também (mesmo porque vários também se utilizam da forma vídeo em TCCs – são comuns os documentários em jornalismo), e deveria ser estimulada dentro do departamento. A convivência de diferentes áreas em um debate como esse apenas enriquece a produção. Miguel admite, porém, que é difícil. “Você se esforça pra organizar tudo e vai muito pouca gente.” Ficou interessado? Deixe um comentário na matéria ou envie um email pra Escarlate mostrando seu apoio à realização de mais eventos como esse. Só depende de você! Entre irmãos 10/21/2009
por Lívia Furtado Eu não vivo sem a minha irmã. Quando pequena, às vezes eu pensava como seria bom ser filha única – ganhar todos os presentes, ter todas as roupas, ocupar o banco todo do carro. Não ia ter quem me botasse em enrascadas com os meus pais, nem quem dissesse que eu tinha menos direitos por ser mais nova. Até que percebi que se não tivesse irmã, eu não teria de quem pegar coisas emprestadas, nem quem me ajudasse a me vestir, nem quem me fizesse rir durante as viagens chatas. Nem teria uma cúmplice sempre ali, ou me defenderia das meninas mais velhas na escola. Irmão deveria estar no dicionário como “essencial”. Fraternidade, como “inviolável.” ![]() 'Dois destinos', de 1962 Os filmes da mostra “Entre Irmãos”, em cartaz desde a semana passada no Cinusp, retratam exatamente isso. De situações em que as crianças vivem escondidas, sem a mãe, e o irmão mais velho assume as responsabilidades – “Ninguém pode saber”, filme japonês de Hirokazu Koreeda -, àquelas em que os irmãos foram separados quando crianças e são completamente diferentes – o italiano “Dois destinos”, de Valerio Zurlini – as obras mostram a importância dessa relação familiar na formação dos indivíduos e para sua sobrevivência. É impossível não se identificar de algum modo com aquelas personagens - impossível não se lembrar da irmã mais velha que assume o controle quando as coisas estão meio sem chão, ou do irmão com opiniões políticas tão diferentes, ou do irmão meio fútil, avoado, ou do irmão que se apaixona pela mesma menina que você. ![]() Os 4 irmãos de Ninguém Pode Saber O tom intimista do título da mostra transporta essa relação de ajuda e necessidade das relações humanas para a relação obra/público. Os filmes servem como consolo, escape, forma de indignação ou esperança, dependendo de como construímos seus sentidos e nos permitimos relacionar com eles. A mistura de nacionalidades e “idades”, japoneses com italianos, recentes com clássicos, faz com que todo tipo de público se encontre ali, em algum dia e horário. Todos podem buscar o ombro amigo do irmão simbólico na tela, as palavras confortadoras das personagens, as risadas, as confissões. “Ninguém pode saber” influenciou, inclusive, o estilo do curta “Fim de semana sim”, TCC do aluno de audiovisual Vinicius Toro, mostrando que da leitura feita pelo jovem do filme, ele mesmo criou uma nova obra – a arte alimentando a arte, o cinema servindo como o irmão que ajuda, apóia, inspira. ![]() Sabrina: dividida entre irmãos Os clássicos assumem com mais força ainda esse papel – são aqueles filmes que estão sempre ali, aconteça o que acontecer, aqueles que a gente guarda com tanto carinho no coração e que faz valer tão a pena perder horas do seu dia na salinha do Cinusp. Seja uma sexta feira à noite gasta para ver Marcello Mastroianni como Enrico (em “Dois destinos”), seja para apreciar a eterna Audrey Hepburn em “Sabrina” (e Humphrey Bogart como seu par). Dizem que irmão a gente é quem escolhe. Aproveite: o Cinusp está te oferecendo ótimas opções. Infelizmente, devido a um "desencontro de agendas", a mostra Entre Irmãos acaba essa sexta. Mas ainda dá tempo de conferir "Sabrina", "Rocco e seus irmãos", "Irmãos" e "Zoo". Veja os horários na nossa agenda. Mães de Maio 10/07/2009
por Yasmin Abdalla “Paz, justiça e liberdade” – grito do PCC ![]() Lúcia, mãe de Rafael, presidiário durante maio de 2006, vivo. Débora, mãe de Édson, cidadão livre durante maio de 2006, morto. O filme Salve Geral – o dia em que São Paulo parou do diretor Sérgio Rezende, foi exibido na última quarta (30/09), no Cinusp Paulo Emílio e contou com uma presença em massa dos estudantes, na esperança de ver parte de sua história exibida no cinema. O filme se passa durante os ataques do PCC a São Paulo, no primeiro semestre de 2006. Não morava aqui. Aquilo não fazia parte da minha história. Antes de entrar no filme queria saber da cidade naqueles dias. Queria saber das pessoas. Alexandre Chaves comentou:“Eu fiquei calmo, mas não deveria, eu passei por três delegacias, a coisa poderia ter apertado”. Já Bruna Buzzo se manteve mais cautelosa: “Eu poderia ter ido para casa sozinha ou ter esperado até minha mãe me buscar. Fiz meu simulado e fiquei na escola mesmo”. Mas provavelmente ninguém naquela fila era Lúcia ou Débora em 2006. Lúcia é a protagonista do filme. Ela vive um drama pessoal na tentativa de tirar seu filho do fogo cruzado entre a organização de presidiários e o Estado. Débora é protagonista de sua própria vida. Ela teve seu filho morto na cidade de São Vicente, no litoral paulista, durante o período retratado no filme. Não pôde fazer nada por seu filho. O crime até hoje continua impune. ![]() Salve Geral, que concorrerá ao Oscar de 2010, mostra os fatos daquele dias das mães em 2006 por uma ótica diferente. Os eventos são vistos sob o ponto de vista de Lúcia (Andréia Beltrão), professora de piano que representa a classe média do Brasil. Seu filho, Rafael (Lee Thalor) acaba se envolvendo com o assassinato de uma menina e é preso. O filme foca-se muito no drama pessoal de Lúcia que se envolve com Ruiva, advogada ligada ao PCC, na tentativa de tirar seu filho da prisão. Drama este que não dá importância a certos fatos da época, como a morte 493 pessoas, muitas delas inocentes. "Esse filme não mostra a matança sobre a sociedade civil. Pelo que li, a história termina no terceiro dia, na segunda, e as mortes continuaram por mais cinco dias", aponta Débora Maria da Silva, que preside a Associação de Amparo a Mães e Familiares Vítimas de Violência. A mesma Débora, mãe de Édson Rogério. O grupo é conhecido pelo nome Mães de Maio, que faz referência a organização Madres de la Plaza de Mayo, grupo de mães argentinas que luta pela punição de crimes da última ditadura argentina. Apesar das críticas lançadas ao filme, Sergio Rezende deve ser aplaudido. Aplaudido pela sua coragem de fazer um filme sobre o PCC. Pelo belo filme que nos apresenta, com imagens impactantes, frases de efeito e uma trilha sonora de emocionar qualquer um (muito bem escolhida pelo Maestro Miguel Briamonte). E ainda pela bela escolha da atriz Denise Weinberg, que com toda sua dramaticidade teatral, interpreta a advogada Ruiva conseguindo sintetizar as pessoas reais ligadas ao partido do lado de fora das prisões. Os personagens de Andréa Beltrão e Lee Thalor poderiam ser essa síntese de mães e vítimas, mas não foram. ![]() Rezende disse à Folha Ilustrada que Lúcia foi construída a partir de uma visão própria da classe média, “Pelas circunstâncias ela é forçada desde o início a ver o mundo de outra maneira”, completa o diretor. “Ele não retrata a realidade das mães, não me sinto representada", afirma Débora sobre o papel interpretado por Andréa Beltrão, que acaba ajudando a advogada da facção, e até se envolvendo sexualmente com um líder criminoso. Romance que não apenas é improvável na vida real, como de certa forma ridiculariza a densidade do período que Rezende retratou. Neste ponto do filme, Lúcia torna-se uma personagem inconstante e fraca – não parece uma mãe em desespero (e sim uma adolescente apaixonada). Além disso, Rezende declarou que, apesar de não ter entrevistado nenhum presidiário, coletar informações sobre os bastidores do PCC “foi a coisa mais fácil do mundo”. Certa contradição na apuração que talvez não tenha permitido a construção de personagens fortes e coerentes. Muitos alegam que nosso filme representante ao Oscar é muito violento e que possa manchar a (já manchada) imagem nacional. Talvez esse não seja o fator limitante ao Oscar. Bem ou mal, a violência faz parte da nossa realidade. Não é a realidade que atrapalha a vitória e sim uma ficção calcada na realidade e em personagens reais com Débora e Édson. *O filme foi exibido apenas uma vez na USP. mas não perca a chance de assistí-lo: Para ver os locais de exibição - clique aqui. Para ver o trailer - clique aqui *Agradecimento especial a Rafael Ciscati pelas inspiradoras discussões sobre o filme. Glauber Rocha visita o Cinusp 09/22/2009
Por Yasmin Abdalla Colméia. Favo 04. Um lugar que continua desconhecido para muitos uspianos, uma terra distante num dos cantos da praça do relógio, muito além do bandejão. Ir ao Cinusp era uma aventura para mim. E de fato o foi. “Meu nome? Oswaldo”. Já era o fim da nossa conversa. Um pouco antes de ele ir embora e eu seguir em frente, me perguntou: “qual é o seu signo?”. Parou um instante e logo replicou “gêmeos? Ainda vai fazer muita coisa boa na vida”. Espero que o Escarlate seja uma delas. Há 5 minutos não imaginava que nossa conversa terminaria assim. “Você está com cara de perdida, o que procura?” Ele não amedrontava, tinha quase uma tom paternal comigo. Não tive medo de falar. “O Cinusp? É aqui mesmo. O que está passando de bom?”, continuou ele. ![]() Cheguei ao meu destino final: o Cinusp Paulo Emílio. O local traz a mostra Glauber Rocha: 70 anos, que celebra a idade que o artista teria em 2009 caso estivesse vivo. A mostra reúne alguns sucessos, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme mencionado por Oswaldo, e ainda filmes menos conhecidos, como a Idade da Terra e Cabezas Cortadas, em que Glauber já passava por outra fase. As sessões fazem parte da programação da 14º Semana de Arte e Cultura, que acontece na Universidade de São Paulo. Glauber Rocha transpirava e vivia o cinema. Foi responsável por marcar a sétima arte brasileira, a partir da proposta tanto nacionalista quanto de denúncia sobre questões brasileiras. O apogeu do cineasta ocorreu entre os anos 60 e 70, quando em 1963 lançou um de seus filmes mais conhecidos Deus e o Diabo na Terra do Sol. ![]() “Glauber Rocha! Lembro muito bem... Plena ditadura, os portões da primeira sessão de Deus e o Diabo na Terra do Sol quase se fechando, e eu correndo para tentar entrar. Sabe quem estava do meu lado? Jô Soares”. Oswaldo foi falando tudo assim mesmo, meio corrido, meio atropelado. Enquanto uns correm para ver sessões escondidas, alguns anos depois, muitos mal sabem o que acontece a sua volta. A sessão vazia me fez pensar em Oswaldo. Parece que na época em que tudo era proibido, os lugares eram mais lotados. Uma forma das pessoas se sentirem ativas, buscando seus ideais de nação. O baiano, malvisto pela ditadura, abordou temas como o homem no campo, a ridicularização da política nacional e alguns aspectos da cultural brasileira, como sua musicalidade e sua religiosidade. Os filmes de Glauber Rocha não são para serem vistos com uma pipoca na mão e uma coca-cola ao lado. Oswaldo já havia me mostrado isso, era preciso atenção para entendê-los. Um homem e dois telefones ao mesmo tempo. Ele fala um espanhol confuso e rápido. Não sabe a quem ou que dar atenção. Ele mesmo não se entende. ![]() Poucos podem reconhecer, mas esta é uma cena de um filme de Glauber Rocha. Cabezas Cortadas, que também está na mostra, é gravado na Espanha e faz parte de uma fase do cineasta que problematiza questões além do Brasil. “Mostrar filmes do cineasta que são menos conhecidos é justamente nossa proposta”, declarou Daniel Ifanger, um dos responsáveis pela mostra. “Os filmes de sucesso sempre têm público, mas nós queríamos mostrar os filmes que são pouco vistos também”. O acervo da amostra foi concedido pela associação Tempo Glauber e pela família do artista. Vale a pena conferir a programação que fica em cartaz até o dia 25 de setembro. O tempo é curto, mas o Cinusp é logo ali. Vale a pena a aventura, quem sabe Oswaldo está por lá. Se não estiver, Glauber com certeza estará. Para ver a programação completa e obter maiores informações, acesse o site do Cinusp (www.usp.br/cinusp). Bom filme! | “Meu personagens estão na rua, eles estão no pelourinho, é gente que eu conheci"
- Jorge Amado Gostou?Já passou
July 2010 Categorias |
































