Escarlate :: A sua revista virtual sobre arte na USP
 
Você chega, olha aquele lugar grandão e pensa: 
- Porra, deve ter muita coisa pra fazer neste lugar! 
E tem. A equipe Escarlate montou uma programação especial para você que curte (e para você que não curte também) artes plásticas, exposições, abstrações, coisas bonitas de se ver e afins. 
Vai lá bixo, veterano ou simples ser humano. Aproveita que você tá na USP e curte o que ela tem de bom! 

Em São Paulo: 
CEUMA – Centro Universitário Maria Antônia 
Se você estuda em qualquer campus da capital, a Maria Antônia fica no caminho pra chegar na faculdade, ou pelo menos bem perto. Nem pense em torcer o nariz só porque fica próximo ao Mackenzie. A unidade é um dos berços da USP, carregada de história – o prédio foi tombado pelo Condephat - e uspiana bem antes de você pensar na FUVEST. O local abriga espaços de exposição, salas de aula, auditório, onde você pode curtir peças de teatro, shows e concertos, cursos, seminários e até arte-educação. 
Onde? 
Rua Maria Antônia, 294 – Higienópolis 
Tel: (11) 3255-55385 
E-mail: mariaantonia@usp.br 
Site: www.usp.br/mariantonia

E se eu quiser ir lá agora? 
Se você acabou de mudar pra São Paulo e tá a fim de se aclimatar, esta é sua chance. Até dia 28/02 – eu sei, tá meio em cima, mas você é uma pessoa esforçada, tô sentindo – o Centro Universitário Maria Antônia está com a exposição “Um cartaz para São Paulo”. A concepção é do designer gráfico Paulo Moretto, que divide a curadoria com Alécio Rossi. 
A ideia era que arquitetos, artistas e designers transformassem em imagens sua percepção sobre a cidade a partir da expressão: “diversidade cultural da metrópole”. Boa né?! Confira. 
Um Cartaz para São Paulo – diversidade cultural da metrópole 25/01 a 28/02, de terça a sexta das 10h às 21h; 
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h;
Entrada franca. 

MAC – USP 
Próximo ao bandejão central, à antiga/nova/velha/quem sabe reitoria, ao Cepê, à ECA, à famosa Praça do Relógio, enfim, mais do que bem localizado, e perto de você que circula, e circulará mais ainda nos próximos anos da sua vida, pela Cidade Universitária, está o MAC, Museu de Arte Contemporânea da USP. Reminiscências pessoas, o MAC é lindo, por dentro e por fora. Costuma ter exposições divertidas, interessantes, perturbadoras. Além das exposições, conta com um ótimo acervo permanente. Há uma sala cheia de gavetinhas, cada uma com gravuras, desenhos ou fotos. Dá pra ficar o dia inteiro por lá. Enfim, é um bom lugar pra se tornar frequentador. 
Onde? 
Rua da Reitoria, 160 – Cidade Universitária 
Tel: (11) 3091 -3039 
Site: www.mac.usp.br 

E se eu quiser ir lá agora? 
Pensa comigo: se você tivesse um “container” na forma de uma caixa de madeira pintada de branco, de 3m por 2,5m para fazer o quisesse, sabendo que depois este “container” seria abandonado, sobrando apenas o registro do que você fez, o que você faria? Quer saber o que outras pessoas fizeram? Vai lá e confere. 
Ah, qualquer semelhança com Dogville não é mera coincidência. Desvirtualizando: Instalações Multimídias 
01/01 a 31/02, de terça a sexta das 10h às 18h; 
Sábados e domingos das 10h às 16h;
Entrada Franca.       

Paço das Artes 
O Paço é uma galeria multidisciplinar, o que indica que lá você pode ver coisas novas que talvez não veria em outros museus. Além disso, abrange todo o segmento das artes visuais: plásticas, gráficas, multimídia e design, e tem também bons workshops. 
Onde? 
Av. da Universidade, 1 – Cidade Universitária 
Tel: (11) 3814-4832
E-mail: pacodasartes@pacodasartes.sp.gov.br 
Site: www.pacodasartes.sp.gov.br
 
E se eu quiser ir lá agora?
Lembra das suas aulas de história e geopolítica quando você ouvia falar de disputas comerciais e territoriais? Calma, não precisa desesperar que o vestibular já passou. Mas o assunto é bom e é abordado no Paço de uma maneira diferente. Com o projeto, Zonas de Contato, artistas convidam outros de gerações mais novas para promover um diálogo entre seus trabalhos. Atualmente, Paulo Climachauska convida Rafael Carneiro. Rota de Seda, de Climachauksa, dialoga com a pintura de grande dimensão de Carneiro e faz referência ao caminho que ligava Ocidente e Oriente, hoje região de conflito devido à disputa por gás e petróleo. Os desenhos mostram imagens de lugares destruídos pelas guerras e conflitos dentro da Rota de Seda. 
Zonas de Contato: Paulo Climachauska e Rafael Carneiro 
25/01 a 04/04, de terça a sexta, das 11h30 às 19h; 
Sábados, domingos e feriados das 12h30 às 17h30; 
Entrada Franca. 
 
MAE – Museu de Arqueologia e Etnologia da USP 
Brasileiro não tem rosto. Os caras da alfândega não tem a menor chance de adivinhar de onde viemos só pela fotinha do passaporte. Somos um país de várias etnias misturadas e talvez venha daí tanto ziriguidum. Mas e você, sabe de onde veio? Onde começou sua cidade, sua origem, de onde vieram as palavras que você usa no dia a dia? O que existia antes no lugar onde você mora, trabalha ou estuda? Pois é, tem gente que faz desta curiosidade profissão e se você se interessa pelo assunto, o MAE é um bom lugar pra visitar. 
Onde? 
Av. Prof Almeida Prado, 1466 – Cidade Universitária 
Tel: (11) 3091 – 4901
E-mail: mae@edu.usp.br 
Site: www.mae.usp.br

E se eu quiser ir lá agora? 
Parte do acervo do museu, composto por máscaras, amuletos, armas, pinturas, cerâmicas, vestimentas, dentre outros, está aberta à visitação na exposição “Formas de Humanidade”. A ênfase é dada às peças indígenas brasileiras, mas outras sociedades também são contempladas.
Formas da Humanidade 
Visitas Livres: Terças a Sextas das 09h às 12h e das 13h30 às 17h.
Agendamentos e Informações: (011) 3091-4905.   

Museu Paulista
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas!” 
Ah, tem lugar que dispensa apresentação né?! 
Onde? 
Parque da Independência, s/n – Ipiranga 
Tel: (11) 6165-8000
E-mail: mp@edu.usp.br 
Site: www.mp.usp.br

E se eu quiser ir lá agora? 
Você não sabia que o famoso Museu do Ipiranga pertencia à Universidade de São Paulo? Pois saiba que ele foi incorporado à USP em 1963 e é, portanto, o mais antigo museu da universidade, já que sua fundação foi em 1895. O acervo conta com mais de 125 mil artigos, entre esculturas, jóias, moedas, documentos, armas, utensílios de índios e bandeirantes e muito mais. Tudo pra você mergulhar na História e rir daquela menina da propaganda da Caras, claro.

Museu de Zoologia 
Schistosoma mansoni, Canis lupus, Homo Sapiens. Reino, filo, classe, ordem, família, gênero, espécie. O macaquinho que evoluiu até pisar na lua. 
Gostou? Tudo isso no Museu de Zoologia mais perto de você! 
Onde? 
Av. Nazaré, 481 
Tel: (11) 6165-8100 
E-mail: mz@edu.usp.br 
Site: www.mz.usp.br

E se eu quiser ir lá agora? 
O Museu disponibiliza atividades educativas, exposições e uma zooloja, pra você que gosta de presentear os amigos (lembra de quem te deu essa dica tá?!). Além disso, a exposição de longa duração apresenta a história dos animais na Terra e as atividades de pesquisa do Museu. 
Exposições e Zooloja
Terça a Domingo, das 10h às 17h; 
Ingresso individual: R$4,00; 
Estudantes, professores desacompanhados da escola com comprovante, alunos de escolas particulares com ou sem visita agendada e alunos de escolas públicos sem visita agendada pagam meia. Todos no último domingo do mês, idosos, crianças de até seis anos, alunos da rede pública com visita agendada e acompanhantes entram gratuitamente. 

Centro de Preservação Cultural / Casa de Dona Yayá 
É um lugar onde você pode pensar e aproveitar a recuperação e preservação do patrimônio cultural. E curtir boas tardes de domingo. Lá você ouve boa música no final de semana com o projeto “Domingo na Yayá”, pode visitar exposições ou até mesmo apreciar o próprio prédio, cujos painéis contam muito sobre a arquitetura deste edifício histórico. 
Onde? 
Centro de Preservação Cultural / Casa de Dona Yayá: Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista 
Tel: (11) 3106-3562 
Site: www.usp.br/cpc

E se eu quiser ir lá agora? 
Quer conhecer melhor a sua universidade? Você pode fazer isso por meio da fotografia. A exposição “Registros Fotográficos, patrimônio e memória da USP” tem origem nos trabalhos feitos para a produção do oitavo Cadernos CPC, cujo enfoque é a fotografia. A produção busca divulgar os bens culturais que a USP possui através de enfoques diferentes. 
Registros Fotográficos, patrimônio e memória da USP 
De 25/10/2009 a 25/04/2010, das 10h às 16h; 
Entrada Gratuita.

Museu de Anatomia Humana Professor Antônio Bovero 
Eu confesso que tenho medo dele. Só por isso você vai né?! Bem, não sei qual é a graça em ver um aparelho circulatório, uma cabeça, um feto todo trabalhado no formol, a não ser que você seja estudante de medicina. O Freud deve ter uma explicação pra isso. Bom, vai que você quer visitar né... 
Onde? 
Avenida Lineu Prestes, nº 2415 – Cidade Universitária 
Site: http://www.icb.usp.br/museu/

E se eu quiser ir lá agora? 
Se você é de humanas ou exatas, tem fortes tendências psicopatas. Brincadeira!
Importante lembrar: O Museu é uma instituição muito séria, voltada ao estudo da anatomia, ou seja, é um espaço acadêmico, interessante, sobretudo, aos novatos das biológicas. Para vocês, queridos de branco: 
Visitas de terça a sexta, das 09h às 16h – fecha para almoço das 12h às 13h30; 
Sábados, domingos e feriados: Das 10h às 16h – fecha para almoço das 12h às 13h30. 
Há cobrança de ingressos: Estudantes, adultos e crianças acima de 10 anos pagam R$2,00. 
Em caso de visitas escolares, alunos de escolas públicas pagam R$1,00 cada, e alunos de escolas particulares pagam R$3,00. Grupos de até quatro pessoas entram gratuitamente nos sábados à tarde, domingos e feriados. 
Comunidade USP com carteirinha, idosos, portadores de necessidades especiais com acompanhante e professores não pagam entrada. 
As visitas têm duração de uma hora.

E todas estas dicas não acabam por aqui. A USP é um vasto mundo cheio de coisas interessantes. Se você tem uma dica de outro lugar, envie pra gente. E se você leu o guia e visitou um destes lugares envie para nós seu depoimento e ele será anexado à matéria. 

Benvindo ao nosso jeito de mostrar arte na USP. Benvindo à Escarlate.
 
 
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por Denise Eloy
Num cenário paradoxal, a exposição Beleza e Saber – Plumária Indígena terminou nesse domingo, 29, sua passagem no Conjunto Nacional, na movimentada Avenida Paulista. Lá, encontrei o artesanato original dos variados povos indígenas. Era cada coisa tão bem trabalhada, tão minuciosamente talhada...

A exposição estava organizada em dois módulos: um discorria sobre a importância social daquele artesanato. O outro falava dos próprios aspectos tecnológicos de se produzir aquilo e que diferenças se encontravam naquela arte.

Imergi na exposição pela parte dos estojos. Estojos? Sim. Estojos de madeira em que se guardam as mais diferentes penas, plumas e adornos. Uns compridos e cilíndricos, outros menores e mais quadrados. Absolutamente tudo à mão.

Fui passando pelas tribos – 21 no total – e pelos seus ornamentos. Eram ombreiras, grinaldas, pulseiras, brincos, cintas, narigueiras, colares, coroas... Uma série de trabalhos que devem ter diferenças profundas de uma tribo à outra, mas que, para mim, representavam a beleza de uma cultura rica e misteriosa.

Os nomes pretos nas paredes vermelhas diziam àqueles que visitavam que tribo era responsável pelos ornamentos apresentados. Logo na entrada, um mapa localizava esses povos em terras brasileiras.

Escuto de um visitante: “Darcy Ribeiro ia exaltar essa exposição...”

Entre Guarani, Kayapó, Tukáno, Parintintín, eu encontrava os detalhes de cada adorno. Cada um tem funções próprias e está inserido nas sociedades indígenas não como um acessório, mas com um propósito que já vem na essência. As plumárias, por exemplo, representam crenças e posições sociais. E há colares que só homens com determinada característica podem usar.

A perfeição dos elementos é inacreditável. São plumagens e penas de papagaios, tucanos, araras, garças e certos gaviões. Havia objetos pequeninos e grandes coroas redondas, com cristas, e os chamados grampos, espécie de lança grande e enfeitada. As flautas mostravam-se em formas diversas e uns modelos sem rosto exibiam diversos elementos ao mesmo tempo, como se fosse a vestimenta dos índios.

Tudo isso logo ali, num lugar tão movimentado e urbano, essa arte tão desconhecida por nós abriu-se aos meus olhos. Minha atenção não foi presa através de imagens rápidas, tecnologias avançadas, nem telas de cinema. O que move quem entra lá dentro são as cores e a simplicidade - aparente simplicidade. Escuto, por fim, uma mãe, que mostra à sua filha um dos adornos: “Olha que lindo, filha!”
Lindo de verdade.
 
 
por Camila Camilo

Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado com orientação de críticos estrangeiros e brasileiros, adquiriram um grande número de obras da vanguarda do séc. XX. Este foi o princípio de um acervo que neste ano da França no Brasil, está exposto no MAC Cidade Universitária até dia 31 de janeiro.

Lá estão ícones que pintaram o período marcado pela indústria e pela urbanização, o mesmo do nascimento do sentimento efetivo da tecnologia como parte da vida das pessoas, em especial devido às duas grandes guerras.


Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais, a arte moderna engloba as vanguardas européias do começo do séc. XX, assim como “o deslocamento do eixo da produção artística de Paris para Nova York, após a Segunda Guerra Mundial”, e parte importante do expressionismo abstrato.Temos que confessar que muitos não costumam gostar de arte abstrata. Nossos olhos, desacostumados à pausa, querem saber de imediato. E uma obra com traços que parecem em movimento, ou que trabalha com dimensões sobrepostas, exige pausa. Ela não te conta tudo de uma vez.

A crítica comum é que obras assim não dizem nada. Dizem sim, muita coisa. E uma das mais bacanas esta em sua própria história: é a ruptura com os temas clássicos e com a forma, até então estabelecida como certa, de fazer arte e produzir sentido por meio dela. Além disso, os artistas deste período não viam a pintura da maneira tradicional. Para eles, ela não deveria ser a cópia da natureza, mas algo que transcendesse os limites da representação pura e simples. Eram nobres senhores de um novo tempo, com ritmo e clima diferentes, que não poderiam escapar da arte, esta forma mentirosa tão fiel em dizer a verdade.

Georges Braque, um dos precursores do Cubismo, dizia que não se imita aquilo que se quer criar. E falando nele, vamos à exposição, onde está suaNatureza Morta de 1963. Não pense que se trata de uma natureza morta padrão. Nada de vegetais e jarros adornados. Os elementos, em tons de acre, intercalam o orgânico com o moderno. Como um jornal, hábito matutino típico dos homens da era industrial. 

 
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Há dois bons exemplares de obras que instigam a visão. Você se pega tentando decifrar mais, achando que tem alguma coisa escondida que ainda falta descobrir. São elas: Uma mulher feliz de Francis Picabia, e Namorados no Café de Roger Chastel.

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Há também obras de pintores reconhecidos como Matisse, Chagal e Kandisky. E não há dúvida de que sempre vale a pena ver os clássicos. Mas confesso que a visita vale mesmo a pena por dois homens pra lá de fabulosos: Fernand Léger e ele, Picasso.

Léger tem uma história interessante. Começou no abstracionismo (se você é apaixonado por arte abstrata, seu motivo para a exposição valer a pena é a sala onde estão obras da Galeria Denise René).  Iniciou uma estética na qual motores, engrenagens, trilhas e locomotivas se integravam com pessoas na sociedade da técnica. Foi ao purismo de remover as camadas decorativas cubistas, adotando cores uniformes e o contorno do preto em temas figurativos. E após a II Guerra, passou a pintar os detritos industriais deixados na natureza e que se misturavam com ela. É aí que eu quero chegar: em O Vaso Azul de 1948.
 
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Agora, se você for no Mac até dia 31/01 para ver a exposição, pare no meio da  primeira sala. Tem um quadro que, creio eu, vai chamar mais sua atenção. E vale muito a pena ir lá só para vê-lo. O plural de uma só pessoa te olha em branco e preto. E aí a gente pode pensar que talvez não seja só passar mais de uma dimensão para o plano, mas também mostrar mais de uma faceta da mesma pessoa, simultaneamente.

Além disso, convenhamos, não é todo dia que se vê uma obra com aquela assinatura, aquela cujo próprio autor dizia que fazia qualquer coisa valer um milhão, quando falava dos valores distorcidos da nossa sociedade, tão ciosa das aparências e tão despreocupada com o conteúdo.

Cá entre nós, conteúdo não é problema dele. Pablo Picasso está lá, com Figuras de 1945.
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por Christiane Silva Pinto
Simplicidade é tendência na maioria dos museus modernos e no Centro Universitário Maria Antônia não seria diferente. A sala era arejada, com paredes grandes e enormes janelas que deixavam a claridade entrar, iluminando a exposição de forma leve e natural.
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de Benício para campanha da Picadilly
Esta foi  a sexta edição do IlustraBrasil! evento que ocorreu entre os dias 14 de setembro e 16 de outubro e teve como objetivo abrir espaço para a discussão sobre o desenho publicado no Brasil. Além da exposição, com ilustrações de 104 artistas membros da Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB), o evento contou com uma série de palestras sobre o assunto.
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Idosos comendo, rezando, no hospital, resmungando, na praia e muitas outras ações - por Gilberto Lefevre
A grande sala, neutra, nos dava a impressão de que a tudo observava, porém sem dar pitacos, sem se intrometer nos pensamentos que nos vinham à cabeça ou interferir nas impressões que levaríamos daquelas obras.
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'Monanelore' de Gilberto Marchi
E se as paredes eram neutras, o conteúdo explodia em cores e emoções. Uma ilustração gritava mais alto que a outra tentando atrair olhares. Cada uma vivia num universo particular, um mundo só dela que não era construído com tijolo e cimento, mas com nanquim e outras tantas vezes com guache. Muitas se valiam de uma ajudinha da tecnologia na construção dos seus mundinhos, como o Photoshop e o Illustrator, por exemplo, mas isso nãos as fazia melhores nem piores que aquelas feitas à mão, com lápis de cor ou aquarela.

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Com caneta BIC por Carlos Machado
E todas essas ilustrações eram vizinhas e conviviam bem. Aquelas mais ousadas, feitas com técnicas como a colagem ou até mesmo o Grafite, sorriam largamente para a vizinha mais tradicional, desenhada com uma simples caneta “BIC”. Algumas vezes, aquelas vizinhas mais extravagantes (porque toda vizinhança tem a sua), reuniam tudo de uma só vê: nanquim, aquarela, colagem, Illustrator... Delas se dizia que foram feitas com uma tal de técnica mista.


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de Carlos Meira
O mais engraçado é que cada obra, assim como cada pessoa, tinha sua missão, tinha um propósito quando foi feita pelo ilustrador. Ilustrar um livro, um álbum de figurinhas, uma história infantil ou um jornal; anunciar uma grife de roupas ou de sapatos; fazer rir, como uma caricatura; orientar, como um mapa; informar, no caso de um cartaz; falar de música, de futebol, de sexo, do dia-a-dia; defender uma causa; marcar a história, como um quadro do Obama; mostrar a cultura popular, o samba, o negro, o cangaço; ou simplesmente ilustrar a vida, nos fazendo parar por alguns minutos (ou menos) e viajar.

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'Cardume no Jardim Botânico' de Renato Alarcão
Não nos damos conta de como as ilustrações fazem parte de nossas vidas: no jornal, numa propaganda, em embalagens. Sempre presentes, esses desenhos não só contam a história do nosso tempo, como também enchem nossas vidas de graça e cultura.

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Uma espécie de 'Anjos e Demônios' de Laerte Silvino
Se você ficou interessado, entre no site do IlustraBrasil!. Lá você vai encontrar um pouco mais sobre o que aconteceu no evento como as palestras, ver fotos e, ainda por cima, as 104 ilustrações que estavam expostas.
 
 
por Camila Camilo
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Em parceria com o Memorial da América Latina, o MAC-USP finalizou no início do mês a Mostra Corpos Estranhos, a terceira do ciclo Mulheres Artistas e a Contemporaneidade. E o que temos nós, mortais do rápido mundo moderno, a ver com uma exposição que já acabou?

Tem que o corpo, este revelador de nossa tendência à finitude, foi o elemento principal do diálogo entre artistas latinas como a espanhola Pilar Albarracín, a guatemalteca Regina José Galindo e a brasileira Laura Lima, em Corpos Estranhos. Lá elas mostraram que o corpo humano não é mais o mesmo. Sim, porque as musas de Boticelli nem se comparam às nossas giseles. Minha avó nem sonhava com botox. E a menina de sete anos que foi a sua mãe podia ser vaidosa, mas certamente não comemorava seus aniversários em salões de beleza.

Mostraram também que o corpo não é o que parece. Ele pode ser uma demonstração de prestígio e status. Ou pode denotar o sofrimento que o poder e a autoridade imprimem com marcas visuais em quem tortura. Ou em quem segue um certo “modus operandi” de vida.

Elas o utilizaram também para mostrar porque, especialmente no caso dos seres femininos, sua existência está “diretamente associada à lógica de imposições físicas e psíquicas em uma sociedade guiada pelo contexto do desempenho generalizado”, segundo Claúdia Fazzolari, curadora da exposição.


Algumas das obras são descritas aqui. E com elas são feitas possíveis relações. Isso para tentar mostrar poque não acabam em si e fazem tanto sentido na vida de todo dia.

Pilar Abarracín, Lunares (2004)
Uma dançarina de flamenco se posiciona altivamente no palco. O lugar certo para dançar a música forte, ritmada e emocionante. Os músicos a postos não permitem que a canção chegue a outro lugar que não o clímax. A tendência das coisas pede que dance. Mas ela tira do decote, íntimo esconderijo, uma agulha. Com mãos ágeis e expressão resoluta no rosto, faz furos repetidos que mancham de sangue o vestido branco, nos seios, no ventre e na coxa. Ela distorce a ordem previsível e destrói o que representa: um estereótipo, uma obviedade que encerra uma espera. E finaliza com o passo decisivo. O rosto maquiado se move. O corpo sai de cena. Machucado.

“Confira nossas receitas emergenciais para melhorar seu corpo. Mas atenção: são truques de última hora para conseguir entrar naquele vestido. Depois, procure rever o seu comportamento para não precisar mais delas”
(CLÁUDIA, out 2009)


Pilar Abarracín, Enterramiento (1994)
A moça de tenis Hard Rock e longos cabelos negros cava a própria cova. E enterra-se com desespero vagaroso até o limite oferecido somente por sua própria mão.

Pilar Abarracín, Pata Negra (2008)
Uma pata de animal sai da boca humana.(É o que você fala, o que você come ou o que você é?). O famoso presunto ibérico é engolido e digerido no formato pré–produzido, aquele mais fácil de entender.

Pilar Abarracín, Toillete (1991)

Um corpo de mulher vestido de sangue, banhado no líquido vermelho que a faz e se desfaz nela.


“Será que seu rosto é mais velho do que você? Fique esperta: quem não se cuida e já exibe sinais como manchas, linhas, rugas e flacidez pode aparentar mais idade do que tem. Vire já o jogo com este roteiro recheado de truques, novas descobertas e tratamentos para manter seu rosto e corpinho sempre jovens e sexy”
(NOVA, out 2009)


Regina Jose Galindo, Camisa de Fuerza (2006)
Vestida com uma camisa de força a moça dorme, levanta, anda pela casa. Outros lhe dão o que comer, permitem que use o banheiro, limpam sua boca, ajeitam seus óculos. A camisa de força deixa que seja um corpo munido das necessidades fisiológicas de alimentação e excreção. Nada mais.

“Não será exagero afirmar que a felicidade doméstica depende, em grande parte do equilíbrio econômico. Por esta razão, a dona de casa que consiga equilibrar as despesas dentro da verba que dispõe, dá ao chefe da família maior sossego de espírito, possibilitando-lhe um trabalho mais produtivo.”
(Prefácio de “Receitas do Meu Lar”, de Sinhá Cecy; 6ª Edição, Edições LEP Ltda., 1950- São Paulo, Brasil)


Regina José Galindo, Perra (2005)
Como quem corta um pedaço de carne morta para o jantar, como quem corta algo não seu, ela escreve PERRA na própria coxa. No meio do dígrafo para. Sente. E respira mais forte enquanto estica a pele para fazê-la sangrar. Limpa a faca. E após ajeitar o vestido, recolhe a própria carne trêmula e sai.


Regina José Galindo, Quien puede borrar las huelas? (2003)
Os pés se mancham de vermelho e seguem caminhando. As mãos seguram todo o vermelho que marca as ruas e deixa sujos os pés. O guarda olha, não faz nada. Só guarda para que as ruas fiquem limpas, enquanto não percebe que se sujam mais com a história das vítimas dos conflitos armados naquele país.

Regina José Galindo, Limpieza Social (2006)
Nua próxima ao muro. Um forte jato, utilizado para reprimir manifestações, impede sua postura e, violentando em vez de limpar, machucando em vez de refrescar, a água a vence. Sua expressão é de dor. O corpo termina rebaixado e humilhantemente ofegante.


“O que quero dizer com tudo isso, é que a mulher dita moderna, perdeu sua identidade. Ela não mais é um ser que nasce e se desenvolve, mas sim um ser criado segundo seus “próprios” ideais, ideais esses, obtidos na mídia e na sociedade de consumo. As novas tecnologias transformaram a forma de construir à realidade de cada um. Não se tem mais acesso direto à própria imagem, pois as identidades são construídas a partir da mídia, e toda a relação do “espectador” com a obra ocorre através de uma interface (um meio tecnológico), e pasmo concluo: o acesso à própria imagem é sempre mediatizado".
(Antunes Weide, colunista Brasil Escola)


Regina José Galindo, Reconocimiento de un cuerpo (2008)
O lençol cobre o corpo que respira. E reconhecer o corpo é reconhecer um morto. Muitos param, olham. Levantam o lençol, tocam sua tez. Querem saber se a artista anestesiada está mesmo nua, se o sexo está à vista. Esperam sua hora, a hora em que serão apenas corpos. Em que suas identidades serão apenas frias plaquinhas de metal penduradas em uma gaveta.


Laura Lima, Série Nômades (2007)

Máscaras feitas de paisagem desconstruída. As árvores ficaram fora do lugar, de cabeça para baixo. Os não vistos se vestem de paisagem. E fica o corpo fantasiado do avesso das coisas.


Eu quero alguém que abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela…
Ai, meu Deus, são 6h30, tenho que levantar!
E tem mais… que chegue do trabalho, sente no sofá, coloque os pés para cima e diga: “meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?”, pois eu descobri que é muito melhor servir.
Ou pensam que eu estou ironizando? Estou falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna…
Troco pelo de Amélia. Alguém mais se habilita?
Antes eu sonhava, agora nem durmo mais…”
("Riti - Desabafo da mulher moderna? - Yahoo Answers)
A última obra vista é um vídeo produzido em 2009 no MAC. Nele, a moça hipnotizada pelo homem do showbusiness perde os sentidos e, em vez de andar, rasteja.  No lugar de reagir, mantêm-se impassível na submissão. O corpo permanece caído, desprovido de tudo no mesmo chão pisado pelos visitantes.

Algumas das pessoas que foram à exposição, perturbadas pelo conteúdo, ficaram pouco tempo lá dentro.  Inevitável mesmo foi o final. Porque no fim seu corpo vai embora desconfortável, desalinhado, desacertado. Tocado.


Alguns vídeos que estavam na exposição podem ser vistos pela internet. Caso queira continuar se perturbando ao vivo e a cores, o Mac guarda surpresas que não se restringem à sua construção. Até dia 15/11 você pode ir lá, por exemplo, tentar entender o que faz um sistema digestivo gigante no meio de uma sala em formato quadricular.

 
 
Por Camila Camilo
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Edward Hopper faleceu em 1967 e deixou para o mundo uma obra carregada de sentimento. Nela retratou a vida cotidiana, os costumes e a sensação nostálgica, introspectiva e sensibilizada com a Segunda Guerra. ”Todas as retratações de figuras humanas, trazem sempre situações cotidianas da vida americana. Como cafés, bares, restaurantes, bistrôs, teatros, sem esquecer das residências e ruas. Hopper retratou desde mulheres da alta sociedade até agricultores dos campos de trigo”, diz Carol Strickland, em Arte Comentada: da pré-história ao pós moderno. Fora de sincronia com o lema dos “homens bravos e fortes” da época, seus quadros expressam, sobretudo, a SOLIDÃO.

E esta triste senhora não o abandonou, nem a seus quadros. Pelo menos em ambiente ecano, onde sete réplicas, incluindo algumas das obras favoritas do autor, como Cape Cod Morning (1950) e Nightawks (1942) estão disponíveis à admiração coletiva. Em um corredor iluminado (eu falei que a luz era o principal componente das obras do Hopper? Ah, não? Então, mas era. Em uma entrevista para a The artist’s voice em 1965, ele disse considerar “a luz uma força expressiva importante, mas não de forma demasiado consciente. Penso que para mim ela é uma expressão natural”) no CCA – Departamento de Comunicação e Artes. Fica no segundo andar do prédio principal da ECA, aquele maior de todos, com um totem charmosão na frente.

 Lá, as mulheres criadas pelo pintor, muitas delas tendo a própria esposa como modelo, olham para o nada. Ninguém as admira. Ninguém as nota. Ninguém repara que se debruçam no parapeito da janela, não para fofocar ou comentar o maior babado da última festa ou a vestimenta dos professores doutores que têm sala no local, mas porque este é um momento de pausa, quando se olha pro chão lá embaixo e nada se vê, somente a própria combustão interna. Você já deve ter se sentido assim em algum momento. Parado, olhando, mas não necessariamente vendo o que acontecia na rua à sua frente, e necessariamente sentindo o seu invisível particular. Dezenas de pessoas passam por lá, algumas trabalham por perto, e ninguém pára para olhar, sentir e sair diferente.

Os personagens de Hopper, característicos homens e mulheres da vida urbana, estão como muitos dos que não os vêem, sem notar o quanto tem em comum: sozinhos, ainda que em posição privilegiada. E não é um típico discurso das mulheres ecanas reclamar da solidão? Pois é garotas, vocês não são as únicas nessa. Mas as mulheres de Hopper sofrem por amor? E aquele papo de que ele retratava a angústia e a nostalgia de quem vive nas grandes cidades?Elementar minha cara, mas quem sabe de onde vem tanto sentimento? E emoção é sempre emoção, ainda que impulsionada por razões diferentes, não?!

Você até pode me dizer: -Mas, peraí é só uma réplica. Ninguém se mexe para ver uma réplica.

Pois eu me apaixonei por Hopper há um tempo atrás, justamente porque parei para olhar uma réplica neste mesmo corredor. E “Morning Sun” estava lá, cheia de coisas pra me contar. 

Cara pessoa que me lê neste momento, tudo a favor do seu ócio. Tudo a favor do seu entretenimento banal. Mas nadica a favor do desperdício de vida que é ter tão perto coisas tão bonitas e não ver. Mesmo que sejam cópias. Vai lá, dá uma passada. Pára. Sente. Quem sabe você não se empolga, se apaixona e corre atrás da original? Quem sabe você não se identifica, repensa algumas coisas e vence a própria solidão? 

Sim porque se você acha que arte não pode mudar sua vida, espere até os próximos posts desta editoria.
 *E experimente. Sempre.