Escarlate :: A sua revista virtual sobre arte na USP
 
Eis que foi dada a largada e os bixos chegaram. Tanto estudo e dedicação merecem ser recompensados, certo? Então muita festa e cerveja pra comemorar! 

E no meio disso tudo surge uma batucada... Ah, é a bateria! Não importa que curso você faz, sua faculdade provavelmente tem uma bateria. É ela que agita a arquibancada enquanto o seu time está jogando. Pode ser InterUSP, JUCA, Economíadas, BIFE ou qualquer outro inter, sempre haverá uma bateria universitária para torcer.
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Mas não só de torcida vive a bateria. A maioria das baterias da USP se apresenta também fora da faculdade, em torneios, formaturas e festas, por exemplo. Nessa hora, os hinos ficam de fora e dão lugar a sambas-enredo, Monobloco, Tim Maia e mais um pouco, sem deixar o samba morrer. Os vídeos abaixo mostram a Rateria (da Poli) e a Bateria S/A (da FEA) em apresentações.
Se você é bixo e está morrendo de vontade de cantar “Ô USP maravilhosa...”, fique esperto. Converse com a galera para saber quando rola apresentação da sua bateria. E se você não quer ficar só na torcida, por que não fazer parte? Não precisa saber tocar, seus veteranos são pessoas adoráveis e ensinarão tudo o que você precisa saber para entrar para a bateria. Não importa se é na caixa, surdo ou tamborim que seu talento se esconde, o samba vai te contagiar.
 
Choro & Breja 12/03/2009
 
por Christiane Silva Pinto
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  Que chorinho combina com a rua, luzes e certa boemia, todo mundo sabe. Quando não no bairro do Bexiga, aqui na ECA, na Quinta & Breja, os “chorões” podem se sentir em casa.

O grupo Descascando Cebola tocou ali num cantinho da vivência da ECA, na Quinta & Breja do dia 19 de novembro. Logo uma roda se formou e alguns mais animados até arriscaram uns passinhos.


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O grupo é composto por vários uspianos. Eduardo Nascimento, um dos integrantes, toca sax e é aluno do primeiro ano do curso de Jornalismo. Ele nos contou, por e-mail, um pouco mais sobre a apresentação, o grupo e o chorinho.

Escarlate - A banda Descascando Cebola existe a quanto tempo?

Eduardo - A banda começou há um ano e um teco (uns 2 ou 3 meses).

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E - Vocês já eram amigos e decidiram tocar juntos ou a banda fez com que vocês se conhecessem?
Edu - Aí depende, porque a formação de hoje não é a original. Já tive uma
banda com a Bia (flauta) e o Kyo (pandeiro) em 2006, no violão era o Kafé (que até deu uma canja com a gente na Quinta & Breja). Essa era uma banda de amigos, a gente tocava de vez em quando, só pra brincar e isso não durou muito.
O Daniel (violão 7 cordas) eu conheci no ano passado, num projeto que rolou no Objetivo, e foi um achado. Ele estava começando no choro, tinha muita vontade de tocar - o que faltou bastante na primeira tentativa. A Bia me chamou pra um evento, eu chamei o Daniel e o Kyo e a banda começou aí. Diferente da primeira vez, foi a música que fez o pessoal se conhecer/voltar a tocar junto. Depois ficamos nós quatro até setembro desse ano, quando a gente trombou com o Gabriel (cavaquinho) em uma feijoada, e ele - unido a nós pela música - foi o que faltava pra banda ficar
completa.

E - Você comentou que o Kafé não é mais da banda, mas deu uma canja nessa apresentação. Isso costuma acontecer? vocês convidam mais gente pra tocar junto?
Edu - Uma coisa legal do choro é que o mais comum é tocá-lo em roda e a gente gosta de dar essa cara pra D.C. A banda não é um microcosmo isolado do mundo. Se a gente está tocando e alguém tem um instrumento e quer tocar junto, pode entrar, e nessa a gente conhece muita gente. O Tomás, por exemplo, nunca tinha tocado com a gente até a Q&B; na outra vez que eu toquei, só o Bob tava lá. Eu nunca tinha visto o violonista ou o pandeirista na vida, a gente fez a roda, o som rolou e foi um prazer imenso ter tocado com aqueles caras.

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E - Edu, quando e como você começou a tocar Sax?
Edu - Eu comecei em 2005, graças ao Projeto Guri do governo estadual, que é uma idéia sensacional de por um pouco de música na vida de crianças e jovens. Só pra explicar o trabalho deles, o Projeto oferece aulas gratuitas de música duas vezes por semana e empresta o instrumento para o aluno estudar. Quando eu descobri o projeto eu tocava flauta doce. Já tinha tentado tocar violão e não gostei muito da mecânica do instrumento (é a parte física da coisa, o jeito de se posicionar o corpo, mãos, dedos, etc), e sax sempre me pareceu interessante.
A única coisa que eu não sabia é que existia mais de um tipo de sax, acabei ficando com o tenor por insistência do professor de sopro, André Parisi. Dizia ele ser mais versátil e bonito que o alto, tal. Depois eu descobri que o polo tava sem tenor há um tempo, e me fizerem tocar na orquestra assim que aprendi a fazer cinco notas no sax. Hoje os motivos do André me parecem um pouco duvidáveis...

E - Por que chorinho?
Edu - Chorinho tem muito a ver com o Guri, e creio que seja o mesmo pra Bia e pro Kyo. Meu professor era um clarinetista, chorão (é como a gente chama o pessoal que toca choro), apaixonado pelas aulas e por essa linguagem*. Ele sempre passava algo além do que a gente tocava na orquestra, quando eu comprei meu sax, fez questão que eu copiasse o songbook do Pixinguinha, chamava a gente pra ir pra roda, e esse entusiasmo dele era contagiante.
A Bia era aluna dele também. O Kyo não, mas esse eu acho que foi pelo jeito mutante de ser mesmo. Antes de começar a gostar de música brasileira ele era o típico metaleiro: camisetas de banda, cabelo na  altura da bunda, fazia cara de mau pra tocar flauta. O Done acho que começou no projeto que eu falei, antes ele mandava mais MPB, e o Bob é jurássico, pra mim ele SEMPRE tocou choro...

*Chorinho não é um ritmo, é um jeito de tocar (linguagem) que se encaixa em vários ritmos.
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E - Foi a segunda vez que vocês tocaram numa Quinta & Breja. Você gosta desse clima mais descontraído?
Edu - Eu gostei bastante sim, a banda também curtiu, acho que tem tudo a ver chorinho e Quinta & Breja.

E - Qual é a melhor parte de tocar na Quinta & Breja: a cerveja, os amigos ou as garotas?
Edu - Olha, se você perguntasse o que é legal da Q&B com certeza eu ia citar os três (risos). Mas é difícil dizer, é muito legal o clima, o público que
pára e ouve mesmo, não deixa a gente só como música de fundo. Apesar
de ser uma festa e a gente ter o dever de animar a coisa, existe espaço para a música boa de se OUVIR também.
Só pra não fugir da pergunta, como as garotas e amigos tem em todas as
Quinta & Breja's, o mais legal de TOCAR é a cerveja gelada, que faz a gente até tocar melhor!

E - Vocês costumam tocar fora da USP?
Sim, a gente estava tocando toda semana num bar lá no centro, o que infelizmente acabou, mas sempre que aparece a oportunidade, se for viável a gente toca. Às vezes tocamos pela cerveja, às vezes nem isso (risos).

E - Você acha que na USP há espaço para que os alunos que têm banda mostrem seu trabalho?
Edu - Espaço com certeza existe, só não sei se suficiente. Primeiro porque
nas festas grandes vão tocar sempre bandas do velho esquema: voz, guitarra, baixo e bateria, ou é dj. Não imagino uma banda instrumental segurando a festa junina da poli, por exemplo. Também porque, de tudo que eu tive conhecimento até agora, na maior parte das vezes os próprios alunos criaram a oportunidade, com festivais como o da FEA, a roda de choro da Bio, a própria Q&B.
Reduzindo para um espaço que eu conheço um pouco melhor, acho que faltam saraus na ECA, uma coisa que o pessoal fazia no ensino médio e dava certo, com certeza daria muito certo na faculdade que tem os Institutos das Artes!
 
Do outro lado 11/11/2009
 
Por Rogério Shieh Barbosa
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Antes de um recital, qualquer músico começa a se preparar desde a hora que acorda. Para esse recital de Violoncelo e Piano no Museu do Ipiranga neste domingo (08/11), no qual toquei violoncelo, não foi diferente: acordei pensando em cumprir o meu objetivo – fazer com que a vida das pessoas engrandeça junto com a minha de alguma forma por meio da música erudita.

A música é uma arte e, como toda arte, existe para ser apreciada. Para chegar a isso, cada um pensa de um jeito – particularmente, gosto de pensar que tenho que colocar um sentimento muito pessoal e íntimo no palco, pois ele é absorvido pela platéia e devolvido ao intérprete. A maior dificuldade em um recital é justamente ser transparente a ponto desse sentimento íntimo e profundo ser passado aos espectadores, e a meu ver, quando esse objetivo não é alcançado, o público sai da sala de concertos do mesmo jeito que entrou – e causar indiferença na vida das pessoas não é o objetivo de ninguém.



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Salão nobre do Museu do Ipiranga, onde ocorreu o recital
Este recital foi um marco para mim, pois pela primeira vez consegui me abstrair e deixar que as pessoas sentissem a música junto comigo. Isso se tornou ainda mais prazeroso quando notei que, durante a execução, a platéia estava silenciosa (o que sabia que não era nada comum no Museu do Ipiranga, pois a sala é de exposição, e as pessoas entram e saem constantemente) e feliz - sorrisos largos e gritos de ‘Bravo!’ expressavam o contentamento dos ouvintes durante as palmas. Fiquei ainda mais contente quando vários desconhecidos me cumprimentaram depois, com uma satisfação aparente.
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E digo tudo isso não porque ache que tenha tocado bem ou por exibicionismo. Já fiz muitos recitais ruins, mesmo. Mas ao me lembrar das pessoas sorrindo e até mesmo chorando (não de tristeza!), concluo que toda dedicação e dificuldades enfrentadas um dia valeram à pena – ter a alma engrandecida, junto com a de outras pessoas não tem preço.
 
 
por Yasmin Abdalla
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Mais uma quinta-feira que ameaçava chover e mandava o vento frio anunciar as nuvens que se formavam. Apesar de ser a prainha, que o pessoal da ECA-USP insistia em chamar assim, de nada se parecia com uma praia. Apenas os coqueiros e a movimentação das pessoas davam a vaga lembrança de um litoral.

Tinham orgulho de serem independentes. Compraram todos os instrumentos necessários para que precisassem apenas de uma tomada para tocar. E ela surgiu ali no canil - os ecanos eram assim mesmo, davam nomes por ai, sem o menor sentido aparente. Um lugar com um teto rebaixado e um formato circular. Um lugar que convidava as pessoas; convidativo até o teto. A Banda Refluxo iria tocar lá.

Luci, com seus olhinhos puxados e suas sandálias marcantes, andava de um lado para o outro. Fios eram desembaralhados e instrumentos afinados. Uma luz fraca pairava sobre o lugar. Marcelo também não parava quieto. Com um visual mais sereno, mexia concentrado no computador. Fora de lá, percebiam que a QuintaiBreja começava a lotar.

Era preciso trabalhar. Uma mistura de rock e eletrônico marcava o som da banda. Um turbilhão de notas e melodias chegava aos ouvintes. Eletricidade em forma de música. Luci comandava o baixo, Marcelo a guitarra. Solos e duos bem administrados. E esse rock todo regado de uma batida forte vinda do computador. Os dois cantavam. Os dois se bastavam. “Fazemos tudo juntos, ensaiamos em casa, é tudo mais fácil quando estamos sós”.



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Marcelo Mandaji e Luci Hidaka eram designers em uma agência de publicidade. Poderiam ter uma relação como qualquer outro colega de trabalho, mas entre eles existia muito mais do que o design em comum. Não demorou muito para eles se tornarem mais próximos. "Soluço de novo", contava ele já com aquela cara de desânimo, e ela meio sem pensar rebatia imediatamente, "Refluxo!".  Coincidência ou não, os dois sofriam de problemas gástricos.

Combinavam em tudo. Principalmente no desejo de fazer música, que foi o que os uniu. Uniu tanto que eles namoraram e casaram. Ela era DJ, e ele era baixista da banda Debate. Eletrônico e Rock, influências diferentes que deram um tempero todo especial para o casamento e para a nova banda que surgia. Marcelo e Luci decidiram que o desejo de tocar deveria extrapolar o quintal de casa, e extrapolou.


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Hoje, o casal faz tudo junto. Saíram da agência de publicidade e criaram sua própria agência. Trabalham com design interativo. Além dos shows da Banda Refluxo, eles produzem com alguns amigos o netlabel Okiru . Apesar de sempre juntos, eles têm alguns projetos individuais, que também envolvem música. Luci participa de um projeto chamado synthesizemii do qual produz musica eletrônica com Nintendo Ds. Já Marcelo é produtor eletrônico.

Fazendo tantas coisas juntos é difícil não surgir brigas, mas com eles, parece ser diferente. “Geralmente, a gente não briga, quando brigamos é pela banda” fala Luci, “mas a gente tenta não levar isso para o casamento, quando do ensaio, já tentamos esquecer a briga, assistir um filme juntos, algo assim”, completa Marcelo.

Vida ocupada, mais projetos em mente. Os dois são de longe, acomodados. Refluxo, por enquanto, tocou apenas no Estado de São Paulo, Luci e Marcelo sonham em fazer shows pelo Brasil. “Até agora só tocamos no interior, queremos viajar”, disse Marcelo. Um disco da banda é o próximo sonho que o casal pretende realizar.
*Show realizado em São José dos Campos

Luci e Marcelo tocaram e cativaram na ECA. Eles combinaram com o local. Com o canil, com a prainha, com a USP. Se você gostou da banda, confira seu myspace (www.myspace.com/refluxo), lá você pode conferir a agenda e escutar algumas músicas da banda.


 
 
por Christiane Silva Pinto
Quarta-feira à noite. Umas 21h15 aproximadamente. Rua Maria Antônia, 294. TUSP. Ninguém no hall de entrada do teatro. “Que estranho. Talvez seja por causa do meu atraso”, penso - o show estava marcado para começar às 21h.

Balcão de informações. O simpático segurança diz que é só descer até o subsolo, virar à esquerda e depois à direita. “É só ela que vem, né? Não tem mais ninguém?”, pergunta a outro segurança, ao trancar novamente a corrente que abrira para me deixar passar. Como assim não vem mais ninguém? Não é possível! A banda está lançando o CD e só eu vou ver? Ai que vergonha, acho que vou embora...
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Tudo isso passou pela minha cabeça enquanto descia as escadas rumo ao auditório. Certo receio invadia todo o corpo até que empurrei as cortinas pretas. Tudo novo. A sala estava cheia, lotada; não tinha nem lugar para sentar. O som que chegou aos meus ouvidos era novo, era outro. E o cenário, ah, o cenário era lindo. A decoração era vibrante; luzes e cores que acertavam em cheio nossos olhos. E no meio e tudo isso, a banda, Dr. Morris e os Vivos.

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Sentada na escada, observava tudo. Prestava atenção em cada música, cada gesto, cada frase, cada reação do público. O som transitava por vários estilos, do ska ao samba-rock passando pelo drum’n bass e flamenco, sendo definido pelo próprio artista como tropicalismo paulista de imigrante. Muito boa a definição. Aquele tipo de coisa que só encontramos nas noites paulistanas. “É impressão minha ou essa música tem uma pegada árabe, uma coisa assim do deserto?” Genial.

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A cada minuto que passava sentada ali naqueles degraus fui ficando meio fã, confesso. Adeus objetividade jornalística! Deu uma vontade de ter ido a todos os outros shows da banda. Já era dia 30 de setembro, a última apresentação. Eles estavam em cartaz no TUSP com o lançamento do CD “5” desde o dia 02, se apresentando todas as quartas, cada semana com convidados diferentes.

Cada música fazia com que viajássemos a um lugar diferente e que tivéssemos impressões e emoções diferentes. Do bolero ao samba, letras em espanhol, em português e em qualquer outro idioma que nos fizesse entender que a música é livre, não tem limites. Prova disso era a presença da galera da Maracujá Laboratório de Artes, que fazia intervenções visuais enquanto a banda tocava, além do DJ que também dava seu toque especial.

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Crianças dançando
O som era tão contagiante que logo todos foram se sentindo à vontade. As crianças resolveram mostrar a que vieram e começaram a dançar. Com a espontaneidade que só elas têm, fizeram sua roda de ciranda ali no palco mesmo. E quem é que ia achar ruim? Algo tão bonito, tão verdadeiro que as mães, ao invés de dar bronca e as mandar sentar, levantaram e se juntaram a seus filhos, sambando e dançando também, crianças de novo.

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Mais duas músicas e o show acabou. “Ah, logo agora que eu já estava levantando para dançar também?!” Eles agradeceram, saíram, fizeram aquele charminho e voltaram para cantar a última música. Bota Água com participação do convidado Junio Barreto. Agora sim, acabou mesmo.

Saio com aquela sensação de noite bem aproveitada e com um plano na cabeça: chegar em casa, entrar na internet e baixar todas as músicas da banda.

Quer escutar algumas músicas do Dr. Morris e os Vivos? Veja os vídeos:
 
 
por Christiane Silva Pinto
O Laboratório de Música de Câmara, algo com o que os alunos de Música já estão mais do que acostumados, tornou-se a pausa do dia, a descoberta, um misto de sensações.

Aconteceu ali no MAC, tão perto quanto escondido. Dia 30 de setembro, quarta-feira comum; porém ao abrir a porta, o comum logo ficou para trás e se perdeu.

Pouca gente. Todos sentados assistindo atenciosamente a três alunos que se apresentavam. Eram eles: Richard Kogima ao piano, Klelya Rodrigues e Joyce de Souza cantando. Kogima concentrado no deslizar das teclas, enquanto as alunas se revezavam para interpretar canções brasileiras, além de árias e duetos de Mozart.

A ópera construída pela voz das alunas somada às melodias que vinham do piano se fazia presente, forte e expressiva. Quem diria que a disputa de duas mulheres por um homem poderia se tornar tão bonita e até divertida se contada através da ópera? Sim, ela é um carrossel de emoções.
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Cibele e Tomás
Terminada a apresentação do trio, sobe ao palco um quarteto. Era a vez de o choro entrar em cena. Cibele Palopoli na flauta, João Fideles no pandeiro e, no violão, Guilherme Sparrapan e Giovanni que não era Giovanni, mas sim Tomás, que viera substituí-lo. Pequena confusão gerada por não terem
trocado seus nomes no programa da apresentação, coisa pouca.

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João misturando pandeiro e leveza
O grupo começou com a música Flor Amorosa, de Joaquim Antônio Callado, que é considerada a primeira composição do estilo. Então tocaram Aeroporto do Galeão, de Altamiro Carrilho, que, como contou Guilherme (e depois por e-mail, o ausente Giovanni), teve como fonte de inspiração a campainha do aeroporto. Depois vieram Primeiro Amor de Pattápiio Silva, Lamentos e Um a Zero, ambas de Pixinguinha. Por fim, como não podiam deixar Jacob do Bandolim de fora, tocaram Noites Cariocas e Assanhado, clássico do chorinho.

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Tomás e Guilherme: choro com espontaneidade
Com certeza o quarteto conseguiu trazer as noites paulistanas do Bexiga para dentro do auditório do MAC. O ar de boemia, a leveza do choro, uma roda de amigos, como o próprio grupo se mostrava. Assim como o trio que se apresentou anteriormente fez com a sala parecesse um grande teatro, daqueles por onde as mais belas óperas já passaram. Neste momento é que se prova o poder da música: levar qualquer um a qualquer lugar, elevar a alma, silenciar o pensamento, atiçar os corpos.
Curiosidades (e fofocas) do choro

Por e-mail, Giovanni Matarazzo, o integrante ausente, contou algumas curiosidades sobre esse estilo musical que chamamos carinhosamente de chorinho:


- O nome choro vem da maneira "chorada" como as melodias são compostas. Um dos primeiros compositores a utilizar o nome choro em sua obra foi o flautista Joaquim Antônio Callado (fofoca: provavelmente namorou Chiquinha Gonzaga, pianista e compositora).

- O violão de sete cordas foi introduzido no choro por um musico de nome Tute, e posteriormente utilizado por China, irmão de Pixinguinha. O instrumento é considerado de fundamental importância para o gênero para fazer o que se chama, entre os músicos, de "baixarias", ou seja, contracantos graves feitos sobre a melodia.

- O bandolinista Jacob do Bandolim detestava o cavaquinista Waldyr Azevedo, autor de Brasileirinho e de Baião Delicado, considerado por Jacob na década de 50 como o fundo do poço da música brasileira (fofoca: provavelmente Jacob se via injustiçado por fazer músicas tão boas quanto as do colega e não ter a mesma visibilidade, pois não era tão "comecial").

- Certa vez, Pixinguinha foi convidado para tocar na casa de um diplomata que acabara de chegar da França. Por ser negro, fizeram com que ele entrasse pela porta dos fundos. Ao saber disso, o dono da casa se lamentou tanto que Pixinguinha compôs a música Lamentos.

Quer saber como a música ficou? Assista o vídeo:
 
 
Por Christiane Silva Pinto
Um minuto. Tudo o que é preciso para conferir um pouco da 14ª Semana de Arte e Cultura é um minuto. Exatamente ao meio-dia, o som da viola floresce e faz com que aqueles que passam por perto parem e decidam ver o que está acontecendo por ali. Teria a viola se transformado numa espécie de flauta mágica?

Nesta terça-feira chuvosa e cinzenta, o aluno Erick se apresenta na rampa da FEA. Tudo começa de modo bem sutil e tímido. Algumas pessoas o ajudam a organizar tudo, checar o som. Uma moça começa a falar sobre a semana, abre a apresentação. Corredor vazio. Nem sequer uma alma viva para prestigiar o colega.

Eis que o moço começa a tocar sua viola. Aos poucos o som triste e bonito vai tomando conta do ambiente, que deixa de ser vazio. Com um repertório bem brazuca, Erick toca e depois comenta as músicas, contando quem foram os compositores, quando foram escritas. Pronto, público conquistado. Quem estava só de passagem se vê de repente deixando a pressa de lado e, quem sabe até, o bandejão.

Enquanto isso, na EEFE, outras apresentações estão começando. Com uma famosa técnica mais conhecida como circular (eu acredito em circular!), Escarlate pôde conferir tudo.

Fim do corredor à esquerda, depois vire à direita e vá em frente. É lá que a banda Ainda Somos Como Nossos Pais entra em cena. Com um violão, um pouco de percussão e uma bela voz a banda faz com que o atraso para o almoço valha a pena.

Mais uma vez é o repertório brasileiro que balança a galera. Olho pro lado e vejo um casal que se animou a dançar. Mandaram bem. Com um público um pouco maior do que o encontrado na FEA, quase todo formado pelos nossos grandes atletas da EFEE, a banda agita todo mundo com clássicos da MPB e encerra a apresentação ao som de Te Devoro. Quem diria que aquele público pequenininho faria a quadra se encher e ficar repleta de aplausos? É, no mínimo, contagiante.

Quem quiser conferir outras atrações da 14ª Semana de Arte e Cultura pode dar uma olhada na programação que está bem detalhada no site e acontece até o dia 27 de setembro. Altamente recomendável. Na verdade, é uma pena que a maioria dos estudantes da USP (assim como toda a comunidade) não saiba dos eventos que estão rolando. Informe-se. Talvez um desses eventos transforme seu dia inteiro, gastando nada mais que um minutinho da sua atenção.